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Folha de São Paulo, hoje.
Ele tem 1,70 m, pesa 58 kg, pratica esportes, não bebe, não fuma e já perdeu as contas de quantos ensaios participou como modelo. Mesmo assim, o empresário, produtor cultural e escritor Clarindo Silva, 65, diz estar pronto para assumir o posto de Rei Momo do Carnaval 2008 de Salvador.
A "posse", marcada para a última segunda, teve de ser adiada. Os concorrentes -que alegam ter trabalhado duro em espécie de "regime de engorda" para atingir 120 kg- invadiram a sede da Emtursa (Empresa de Turismo de Salvador), onde seria feito o anúncio, e conseguiram remarcar a escolha para amanhã, depois de muito bate-boca, ameaça e choro.
Responsável pela seleção, o presidente da Federação dos Clubes Carnavalescos da Bahia, Jairo da Mata, diz que o empresário conhece a cultura baiana, tem pompa, é conhecido na cidade e, mesmo magro, tem todos os atributos para o cargo.
O concorrente, Edicles Calmon, três vezes Rei Momo de Salvador e presidente da Asgobs (Associação dos Gordos e Obesos de Salvador), apelou até para o Ministério Público da Bahia, com uma representação de queixa. Outro concorrente, o servidor Edgar Passos, diz que, após a decisão, ficou deprimido e perdeu o apetite.ha de São Paulo, hoje.
Um comentário:
Curiosamente o periódico "Correio da Bahia" fez uma pesquisa entre seus leitores sobre o assunto. Veja algumas impagáveis respostas:
“PELA tradição, acho que o Rei Momo deve ser gordinho sim. No entanto, não acredito que muita gordura seja sinônimo de alegria. Sou evangélica e embora não brinque Carnaval acho que o Rei Momo precisa demonstrar alegria, ser divertido, uma figura inusitada, com uma roupa colorida. Isso é a cara do carnaval da Bahia!”.
Cleide Barreto,
23 anos, operadora de marketing
“MAGRINHO não combina. A tradição tem que ser mantida e é mais uma chance para os gordinhos para que eles possam fazer sucesso pelo menos uma vez por ano. Essa ditadura dos lights enche o saco. Para o povo, Rei Momo que é rei tem que ser farto”.
Claudia Barbosa,
40 anos, baiana de acarajé
“O GORDO já é discriminado o tempo todo, é no Carnaval que eles podem se libertar. Rei Momo tem que ser gordinho porque representa essa libertação. O povo vive na academia antes do Carnaval para desfilar com tudo em cima e o gordinho vem para quebrar com este estereótipo de que só magro tem energia e disposição para pular”.
Jean Carlos Barbosa Gomes,
28 anos, funcionário público
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