Mostrando postagens com marcador ingmar bergman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ingmar bergman. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Arquivos Bergman






Pouco antes de morrer, o cineasta sueco Ingmar Bergman abriu seus arquivos privados a uma editora alemã e uma sueca, permitindo a estas que escrevessem um livro sobre seu trabalho. O resultado é um ilustre volume de quase seis quilos, que apresenta a obra do cineasta em nada menos que 592 páginas, com textos em inglês.

Para o mercado alemão o volume vem ainda com um livro no idioma do país. Divido em sete capítulos, os Arquivos Ingmar Bergman, de autoria de Paul Duncan e Bengt Wanselius – fotógrafo pessoal do cineasta durante muitos anos – tratam de todos os filmes do diretor, de clássicos aos poucos conhecidos.

Leia tudo AQUI

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Ingmar Bergman - 1918/2007









Hoje muito vai se falar sobre o falecimento do cineasta sueco Ingmar Bergman. Tenho certeza que o próprio execraria por completo a maioria dos necrológios que estarão à disposição do público, por isso vou falar pouco, apenas para deixar o registro em homenagem a este grande artista.


Em sua biografia - Lanterna Mágica, lançada no Brasil nos aos 80 pela Editora Guanabara - Bergman relata sua dificuldade em sobreviver aos primeiros diasapós seu nascimento, conforme diz na primeira página: "Quando nasci, em julho de 1918, minha mãe estava com gripe, meu estado como recém nascido não era dos melhores, e por isso fui batizado de emergência no próprio hospital... Tive ainda uma série de doenças inexplicáveis, parecendo mesmo que não podia decidir se queria viver ou não".
Para nossa sorte e de todos aqueles que se sentirem curiosos, mesmo que a partir de hoje, a buscarem seus filmes disponíveis no mercado de dvd's, Bergman sobreviveu e após sua passagem pelo teatro sueco, escreveu e dirigiu, aos 30 anos seu primeiro filme, "Crise".
O filme foi um fracasso tão retumbante que ele foi demitido da Svenk Filmindustri. Porém, a partir de seu quarto filme, "Música no Escuro", Bergman começou a ter relativo sucesso em seu País, chegando ao reconhecimento internacional em 1957 com o belo "O Sétimo Selo".
A partir de então, foram uma série de filmes memoráveis, que colocaram Bergman no panteão dos grandes cineastas deste século. Para citar alguns, "Morangos Silvestres" (1957), "No limiar da vida" (58), "Persona" (66), "Gritos e Sussurros"(72), "Sonata de Outono"(78) e, é claro, o incomparável "Fanny e Alexander"(82), indicado para seis Oscar, dos quais levou quatro, ganhador dos prêmios César, David di Donatello, Golden Globe, dentre outros tantos ao redor do mundo.
Curiosamente, salvo alguns outros trabalhos para a tv, um documentário sobre o rosto de sua mãe (Karin's Face, de 1984) e um ensaio de despedida - "Saraband" - , após "Fanny e Alexander", pode-se dizer que Bergman não filmou mais.
Em sua biografia disse: "Minha decisão de deixar de filmar não foi dramática e surgiu à medida que prosseguia a rodagem de Fanny e Alexandre. Não posso dizer se foi meu corpo que decidiu pelo meu espírito ou se foi o espírito que influenciou o corpo. A verdade é que o esforço físico exigido a quem faz cinema se tornou, para mim, cada vez mais incompatível com as minhas forças. No verão de 1985 tive - pelo menos quanto a mim - uma idéia encantadora para um filme(...) Comecei imediatamente a trabalhar no roteiro (...) Após ter trabalhado bem durante três semanas, adoeci gravemente. Tinha cãibras e perdia o equilíbrio. Sentia-me como se estivesse envenenado, um resultado, por sua vez, da angústia e desprezo que sentia pelo meu estado deplorável. Compreendi que não voltaria a fazer cinema. (...) Estou decidido a me retirar antes que os meus atores e colaboradores vislumbrem o tal monstro e sintam nojo ou pena de mim. Já vi muitos colegas tombarem na arena como se fossem saltimbancos exaustos, entediados pelo próprio tédio, pateados ou mortos por um silêncio imposto cortesmente, retirados da luz por amáveis ou desdenhosos assistentes de circo. Pegarei meu chapéu e sairei enquanto ainda posso estender o braço para o cabide onde o deixei, saindo por meus próprios pés. O poder criativo da velhice não é de modo algum uma coisa garantida. É algo periódico, condicionado a muitos fatores, mais ou menos como a sexualidade que nos abandona pouco a pouco". (op. cit. pág. 67).
É isso amigos. Não costumo ficar tão triste com a morte de um artista. Me lembro de ter ficado assim quando o velho Ray Charles partiu. Sempre fico triste quando penso em Eva Cassidy, cujos dez anos de morte serão lembrados em um próximo post. Mas hoje faleceu uma espécie de avô . Adeus Bergman. Obrigado por tudo. fetter.