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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Resposta da resposta

Primeiro de tudo: "resposta ao Filipe" por qual razão? Por acaso eu clamei vitória ou comemorei a derrota de quem quer que fosse, aqui no blog? Essa foi a primeira incongruência do post abaixo.

A segunda foi dizer que "o petismo é eficiente em plantar a sua versão na imprensa". Essa frase, no país do PIG, soa mais como piada.

A terceira incongruência é a análise rasteira que é feita dos números, o que não surpreende, vinda de onde veio.

Sempre dá para torcer os números e adequá-los à realidade que se pretende ver.

No caso do ídolo do Feluc, se enxerga a totalização de hoje isolada de qualquer outro critério e, com isso, se pretende mostrar que a oposição é forte, unida, confiante e um dia vai varrer "essa raça" do país, como tanto sonhou - em vão - o político aposentado Bornhausen.

Feluc, se honestidade e bom debate houvesse no blog do seu amigo - como aqui há - números como os abaixo poderiam ser lá comentados.

Mas os deixo aqui para você, que eu sei que os entende perfeitamente e vê quem está crescendo e quem está se esvaindo.
clique para ampliar a imagem

O Demo tem metade dos prefeitos de oito anos atrás e se tornou o quinto partido do país nesse critério (atrás também do PP, não incluído no gráfico). O poderoso PMDB continua menor do que era nos anos FHC, quando em nada ajudou Serra na eleição de 2002. O novel conservador PPS voltou a representar nada, caindo para um terço das prefeituras que tinha. A tucanada leva vantagem sobre os demos apenas na velocidade da queda.

O PT? Cresceu 5 vezes de 1996 para cá. Mesmo bombardeado dia após dia pelo PIG com alcunhas de toda espécie, cresceu mais entre 2004 e 2008 do que o PSDB havia crescido de 1996 para 2000. Ou seja, no mesmo período de governo de FHC e Lula.

Por fim, é notório que os números das eleições municipais não se prestam para previsões ou projeções em eleição para presidente. Eleição municipal é reflexo do interesse local mais a percepção geral do momento, tendendo para reeleição/continuidade quando o senso comum diz que as coisas vão bem.

Dizer que Serra, Dilma, Aécio, Ciro, e sei lá mais quem, ganharam ou perderam com as eleições de 2008 soa mais como torcida do que como análise.

Resposta ao Filipe. Do blog do Reinaldo Azevedo

Viram o quadro acima?
Pois é.

Então vamos ao que não vão lhes dizer, leitores.

Porque o petismo é eficiente em plantar a sua versão na imprensa.

E ele diz, vamos ser claros, o que boa parte do jornalismo político quer ouvir. O critério da vitória e derrota, dizem, é o número de prefeituras. É?

Vejam ali: o PMDB conta com 1.201. E pode estar com qualquer um em 2010. Só não estará sozinho, com candidato próprio, porque ele quer é orçamento das prefeituras e estados. E não os problemas da Presidência. Pra quê?

Outro bloco que estará junto, vejam só, tem nada menos de 1.416 prefeituras: junta PSDB, DEM e PPS. Digamos que o tal bloquinho (PSB, PC do B, PDT, PMN e PRB) mantenha a coesão (?). Esses partidos somam 784 prefeituras. Digamos ainda que toda essa gente continue junto com o PT: só nesse caso é que se chega a 1.343 prefeituras — um número ainda inferior às conquistas das oposições. E o resto?

Bem, pode estar em qualquer lugar e com qualquer um. Mas esses são, digamos, os três eixos que contam.


Se a picaretagem intelectual quiser colocar o PMDB na conta do governo Lula, aí, claro, trata-se de uma vitória formidável. Mas pra isso é preciso apagar o passado governista do partido nos governos Sarney, Itamar, FHC e, claro, Lula. E seu futuro governista também, seja qual for o governo. De fato, essa numeralha (mistura de número com tralha) não tem grande importância.


As vitórias políticas, acho, contam mais. Mas já que querem brincar de aritmética política, a realidade parece bem outra, não? E não deixa de ser formidável que as oposições ainda somem o maior bloco de Prefeituras, se formos pensar em alguma coesão entre as legendas, depois de seis anos de lulismo e da maior base política jamais montada por um presidente. Tudo por ideologia e patriotismo, é claro. Maria Victoria Benevides pode certamente nos explicar o rigor ético dessas alianças.

terça-feira, 7 de outubro de 2008