domingo, 7 de setembro de 2008

Importante Artigo Sobre O Aquecimento Global

Eu tinha passado batido por esse artigo. Mas a discussão da semana passada tornou-o, a meu ver, ainda mais relevante, além da infindável discussão na mídia sobre o assunto. Dos pontos levantados, gostaria de destacar:

Al Gore é ou foi sócio de uma empresa de crédito de carbono e de outra de energia alternativa, aparentemente ganhando tanto com a poluição como com o combate à mesma, o que seria, caso se confirme, "uma verdade inconveniente" (para o All-Gore).

O aumento da temperatura da Terra data já de milhares de anos, o que desmonta o argumento de que seria a emissão de CO2 a causa do mesmo.

A fundamentação científica dos modelos que tentam demonstrar o aquecimento global está alicerçada na equação Navier-Stokes, ela mesma objeto de um prêmio pelo "Clay Mathmatics Institute" para quem demonstrar sua solução.

Moral da história 1: nem tudo que se fala contra um republicano é totalmente desprovido de verdade, assim como nem tudo que se fala contra um democrata é campanha de difamação.

Moral da história 2: desconfiem de livros científicos lançados no Brasil pela Xuxa, como foi o caso do livro do Gore.

Parabéns à Folha por ter publicado artigo de um (ex) desafeto político, confiando unicamente em suas credenciais de cientista.

Folha de São Paulo 01.08.2008

O efeito e a causa 

JOSÉ CARLOS DE AZEVEDO
 Os alarmistas do clima deveriam se lembrar de que crime contra a humanidade é gastar US$ 50 bilhões e não chegar a uma conclusão


MUITAS PESSOAS sacrificam a própria vida para salvar a de outras. Há os que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza: os integrantes do Voluntary Human Extinction Movement e do Gaia Libaration Front, por exemplo.
E há os pseudo-"ambientalistas" arautos do apocalipse, que querem levar à miséria povos e nações para ampliar as suas riquezas. Tudo justifica preservar a natureza, ação fundamentada em verdades científicas. Mas, sob o seu manto, surgiram aproveitadores que iludem incautos em proveito próprio e os alarmam com os danos do "aquecimento global", que nada tem a ver com conservação da natureza.
Eles sofrem descrédito crescente.
Desapareceu Al Gore, sócio de empresa de crédito de carbono e de outra de geração de energia alternativa. O mesmo fez M. Strong, secretário-geral da Conferência sobre o Meio Ambiente, realizada no Rio em 1992.
Ficou quieto o presidente da ONU, Ban Ki-moon, que determinou a transformação da Amazônia em savana em 80 anos e calou-se seu burocrata Jean Ziegler, que disse ser "crime contra a humanidade" incentivar os biocombustíveis. O mesmo disse Ivo de Boer, presidente da Comissão do Clima da ONU, referindo-se aos combustíveis fósseis. Ambos não disseram o que fará a humanidade sem esses combustíveis.
Há motivos para essas pessoas procederem assim, pois a algaravia do aquecimento foi tão estridente e irracional que gerou contestações científicas que a invalidaram. Por exemplo, é falácia lógica atribuir relação causal entre dois eventos apenas porque um deles antecedeu o outro ("post hoc ergo propter hoc"). O que dizem os arautos do fim do mundo, porém, nem é falácia, é irracionalidade, porque não há fato antecedente causador de outro que o segue.
É irracional dizer que o CO2 causa o aquecimento da Terra (de 0,6 graus Celsius no século 20) porque o aumento da sua temperatura antecede o do CO2 em milhares de anos, um fato comprovado.
Essa irracionalidade fez o inglês Stuart Dimmock, motorista de caminhão, acionar o Judiciário para impedir a distribuição do filme de Al Gore nas escolas por conter erros graves. A Justiça britânica, em 10/10/07, reconheceu 12 erros -atribuir ao CO2 o aumento da temperatura entre eles.
Apesar dos US$ 50 bilhões que IPCC e adeptos consumiram, eles nada comprovaram sobre a influência do CO2. Falam em indícios, vestígios, impressões, sinais, modelos e prognósticos sobre o que ocorrerá em cem anos, quando nenhum de nós estará vivo para conferir.
As "projeções climáticas por computador" são falhas, os modelos climáticos são incompletos, não incluem fenômenos físicos importantes e a teoria matemática está errada.
Por curiosidade, lembro que a equação fundamental que usam, de Navier Stokes, sobre o movimento de fluidos e gases, está incluída no rol das sete questões do milênio sugeridas pelo Clay Mathematics Institute, que dará US$ 1 milhão a quem provar que ela tem ou não solução.
A irracionalidade dos alarmistas é tanta que desconhecem os estudos científicos recentes sobre o clima, publicados nas mais importantes revistas de geociências, física e geofísica, nem sabem que o Cern consorciou-se a mais de 50 universidades e institutos de pesquisas norte-americanos, europeus e russos para dar seqüência ao que foi comprovado na Dinamarca sobre a preponderância do Sol e das radiações cósmicas no clima. Tampouco parecem conhecer estudos sobre as limitações da previsão climática, por exemplo, o clássico de E. N. Lorenz (falecido em 16/4/ 08), de 1972, com o sugestivo título "Predictability: Does the Flap of a Butterfly's Wings in Brazil Set Off a Tornado in Texas?", sobre o efeito da asa de uma borboleta no Brasil em um furacão no Texas...
Os adeptos da versão irracional do "CO2 antropogênico", aí incluídos os poetas parnasianos, que ofendem e ameaçam pessoas, fazem afirmações irracionais e agem como os "panzergrenadier" e os "Hitler Jugen", deveriam estudar, pelo menos, os argumentos de Wiener, Zichichi, Von Neumann e Lorenz sobre o clima e se lembrar de que crime contra a humanidade é gastar US$ 50 bilhões e não chegar a nenhuma conclusão. E que esse dinheiro bastaria para exterminar a Aids, a malária e livrar milhares de mulheres e crianças da morte por inanição em países miseráveis.
Querem o IPCC "et alii" limitar o aumento da temperatura na Terra em uns dois graus Celsius até o ano 2100, e isso custará trilhões de dólares. Se gastarem tal quantia e nada acontecer, ficará por isso mesmo. Se não gastarem e a temperatura subir os dois graus, haverá mais alimentos, porque o CO2 é essencial à vida na Terra, ao crescimento das plantas. É questão de opção.
JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO , 76, é doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O tempora o mores - capítulo CCCLXVI


Diz o vovô: "Bem, com esse Frank Zappa ao vivo no Filmore East, eu chego a marca exata de dez mil discos de vinil, adquiridos ao longo de toda uma vida".




Diz o filho: "Bem, acho que estou perto de completar a marca de dois mil cd's, e isso antes de completar quarenta anos de idade".



Grita o neto: "Caraca ! deixa eu levar o computador velho !! esse mês eu não consegui baixar nem dois gigas!!"

Eu Ficaria Com McCain


Também acho ótimo que o Hussein consiga enganar boa parte do eleitorado americano escondendo em parte suas origens religiosas e políticas, isso mostra que ele engana bem, é bom político, a credibilidade dele aumenta e com isso tem mais chances.

Realmente foi erro meu querer comparar Palin com Lula, total despropósito, alguém que só tem o primário e olhe lá, não pode ser comparado com ninguém, a comparação tem que ser entre eles mesmos. A história da experiência começou com Hillary acusando Obama, não esqueça. Pessoalmente acho muito relativo, até porque a meu ver raramente alguém vai a Presidência com intenção de resolver algum problema que seja. Tudo bem, ele tem três anos de Senado, isso não muda grande coisa. Se for por isso o McCain ganha.

Renegar o fanático Wright não foi “ação de Pai Tomás”, foi uma atitude política óbvia. Obama não poderia prever décadas atrás que ele seria candidato, freqüentar a Igreja de um sujeito daqueles não teria maiores conseqüências. Espertamente, agora, ele tenta se afastar do sujeito, que é o que todo mundo faria, melhor ainda se ninguém der bola.

McCain é moderado no sentido que é reticente em relação a questões como aborto, por exemplo. Agora, se você está esperando que o próximo presidente americano vai ser um de grandes realizações, isso eu duvido, tanto faz do partido que ele venha. O próximo presidente vai ter que botar as contas em dia e talvez dar um empurrão na economia. Não vi nada ainda no programa do Obama que seja positivo no sentido de incentivar a economia (talvez aqui haja uma mensagem, o único Presidente americano que aplicou a rigor uma receita “republicana” para a economia foi Clinton, será que democratas e republicanos perceberam isso?). Aumentar o protecionismo, como defedem muitos democratas, vai prejudicar a nós brasileiros, que exportamos para os EUA. Além disso, quem falou que sou fã do sujeito? Há algum tempo mal sabia quem ele era.  Pense bem, quem falava de McCain e Obama há dois anos atrás? McCain eu ainda tinha uma noçãozinha, mas era quase “certo” que os democratas ficariam com a Hillary. Ninguém apostava em McCain também.

Eu sou contra o aborto também, então eu sou de extrema-direita? Viva a extrema-direita! Sou contra a legalização da maconha também (Milton Friedman, de “extrema-direita”, era a favor). Vamos liberar a maconha e proibir o cigarro, onde estamos (já fui fumante, largei há anos, quem sabe me antecipando à lei)? Sobre criacionismo acho bobagem, a única teoria que temos é a da Evolução (apesar de ter cientista que nega, mas, enfim, não é minha área).

Também seria interessante ver os americanos terem um sistema de saúde como o SUS, para eles verem o que é bom, mal posso esperar. Obviamente, depois de criado, é irreversível, tanto faz funcione bem ou mal, e por isso se eu fosse americano seria terminantemente contra.

Mas ter um Welfare State mais amplo ou menos amplo é questão de escolha: os americanos preferem um menos extenso e ter um desemprego menor e menos intervenção governamental. Os europeus parecem contentes em ter um Estado do Bem-Estar mais amplo com um desemprego historicamente mais alto no pós-guerra e mais intervenção governamental. Enfim, cada situação atende a um caráter específico de cada povo. Mas dizer que se pode ampliar o Estado do Bem-Estar e que isso não vai ter repercussão econômica e causar mais desemprego é ir contra os fatos.  

Então Palin ter sido simpatizante do Alaskan Independence Party é grave e Obama ter sido iniciado na atividade política por um membro do American Communist Party não é? Ok, se sua axiologia é essa, acho que estamos entendidos, caro Filipe

Ter petróleo não é bom, é ótimo, tanto faz se no Alaska ou em Tupi. Só se deve cuidar para evitar a "doença holandesa", perigo que hoje definitivamente os americanos não correm.  Quanto à poluição, isso deve ficar claro: matriz energética pode levar séculos para mudar, a humanidade levou milênios para passar do capim ao carvão. Daqui a cem anos ainda veremos veículos movidos à gasolina. Só que o Obama só fala bobagem, inventar novos impostos sobre o petróleo só vai piorar a situação e deixar de explorar o que se tem disponível,  não traz vantagem nenhuma. Desastres ecológicos sempre poderão ocorrer (uma hora eu te conto os desastres que o "planejamento" soviético provocou na Sibéria), só que os ambientalistas-democratas criaram uma situação onde não há mais saída. Desde o acidente em Three Mile Island não se constrói mais usina atômica nos EUA. Hidrelétricas eles dificilmente podem construir tantas mais para gerar como o Brasil ou a Noruega. Me dê a solução, então que não passe nas próximas décadas pelos combustíveis fósseis. Quem está na frente na energia eólica são os dinamarqueses. Obama propõe o quê, tirando os usuais aumentos de impostos? Não vejo proposta concreta factível.

Esse escândalo da Palin é café pequeno, eu queria algo mais picante tipo Mônica Lewinsky. Esses republicanos não têm nenhuma criatividade concordo contigo. Nem mesmo fazem como o John Edwards, que estava tendo um caso com uma mulher enquanto a dele ficava em casa com câncer.

Agora, se o Obama foi professor de Direito Constitucional durante anos a imagem que eu tenho dele piorou. Professor de Direito Constitucional, candidato à Presidência, que já visitou “57 estados americanos” e não sabe que o Canadá é parlamentarista, é um inepto, tanto faz onde estudou, Professor de Direito Constitucional que ouve o hino nacional com a mão na região do “baixo ventre” ao invés de colocá-la sobre o coração, como manda a lei, não pode alegar ignorância, e sim está mandando uma mensagem clara, de desprezo pelos símbolos nacionais, e em um sujeito desses eu nunca votaria.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Se fosse para escolher...

... sem dúvida eu ficaria com os dois acima.

Obama está longe de ser perfeito, é óbvio. Tem algumas atitudes dignas de "Pai Tomás" que irritam profundamente. Uma delas foi renegar o Pastor Jeremiah Wright. Mas seria ingênuo achar que um negro, nascido no Havaí (e portanto americano "legítimo", Felix) e filho de um muçulmano não faria concessões, em posições políticas e pessoais, para chegar onde chegou.

Há quase 50 anos, quando um católico foi pela primeira vez candidato a presidente nos EUA com chances de ganhar, isso era algo absurdo. Que bom que hoje o candidato pode ter reais condições de vitória sendo como é Obama.

Não disse que os republicanos são de extrema direita. Em um país literalmente bipartidário há diversas correntes dentro dos dois partidos. E, dentro do Republicano há, notoriamente, radicais conservadores. Palin é uma. Mike Huckabee, pré-candidato derrotado nas primárias, é outro. Já McCain eu acho bem moderado (como inclusive eu já disse aqui no blog).

Ter ou não experiência é um ponto altamente debatido nos EUA, na atual campanha. Era a grande crítica de McCain a Obama e por isso a escolha de Palin soou tão estranha. Afinal, os republicanos acusavam o candidato democrata de ser inexperiente mas optaram para vice na chapa presidencial por uma mulher que tem no currículo a prefeitura de Wasilla (a cidadezinha de 9 mil almas onde ela teria dado luz ao filho mais novo) e o governo do Alasca desde 2006.

Dando-se importância a isso ou não, Obama ostenta currículo mais vistoso. Formou-se em Harvard e não em Idaho, como Palin. Já era professor de Direito Constitucional há 12 anos quando foi eleito senador de Illinois, em 1996. Foi eleito senador federal em 2005 (e não há poucos meses, Felix).

Sobre o petróleo: quanto mais desimportante se considerar a questão do aquecimento e do uso de combustíveis fósseis, mais longo será esse "longo prazo" que sempre se aplica às matrizes alternativas de energia. Então, minha crítica ali era pela combinação petróleo-do-alasca-é-bom + aquecimento global-é-lenda.

A religião de um candidato (ou a falta dela) pode ser o motivo de derrotas em eleições, como bem sabe FHC (prefeitura de SP, 1985). Obama se reafirmar sempre como católico é uma necessidade dele, como animal político, portanto. Mas para mim também tanto faz como tanto fez a religião do sujeito, já que eu mesmo não tenho nenhuma.

Os elogiosos comentários sobre um "mentor intelectual" comunista, a "bolsa-família" e uma proposta de saúde pública universal não precisam de acréscimos.

Diga Não Ao Hussein

Tudo dito sobre Palin é aplicável a Obama, e com folga.

Obama é muçulmano ou o foi durante um período, mas esconde o fato por razões desconhecidas. Como ateu não-praticante, não tenho interesse na religião alheia, mas chama a minha atenção que alguém tente escamotear o fato por razões políticas.

Se Palin fez-se passar por mãe da criança para esconder a gravidez da filha o fato é grave (ei, essa família é prolífica, qual das filhas foi dessa vez, daqui a alguns anos a família vai ter uns trinta membros entre pais e filhos nesse ritmo). Mas tão ou mais grave é a acusação sobre Obama de ter usado certidão de nascimento falsa, para fazer registro eleitoral.

Obama esteve vinculado ao pastor fanático Jeremiah Wright durante décadas, mas quando as declarações do último começaram a ganhar espaço na mídia (“God Damn América/ America to blame for 9/11”, e similares) tentou minimizar o fato.

O partido Republicano é ultra-direitista? Está havendo aqui uma confusão de posições. Talvez porque no Brasil, o partido do governo está cheio de guerrilheiros fracassados (tais como José Dirceu , um agente treinado em Cuba), qualquer coisa que desvie ideologicamente do padrão-Guevara deve soar ultra-direitista.

Aliás, o candidato preferido de Fidel Castro é... Obama.

Explorar o petróleo do Alaska é uma necessidade para os americanos tendo em vista o preço atual. Além disso, o maior poluidor do mundo hoje é a China, que já ultrapassou os Estados Unidos há muito na emissão de poluentes. Qual é a alternativa que eles têm? Continuar importando petróleo, como Obama quer de países como a Venezuela e Irã, inimigos declarados dos americanos, ou seja, continuar financiando os próprios inimigos. Só a longo prazo nós veremos formas alternativas de energia tendo largo emprego na economia, por enquanto é se virar com os combustíveis fósseis.

Por pressão de ambientalistas e similares, os americanos deixaram de perfurar petróleo na costa da Flórida, onde tudo indica que existe petróleo, agora, são os cubanos e chineses que estão fazendo prospecção no local. Se depois deles encontrarem, a costa da Flórida for poluída pela exploração dos inimigos deles o que será feito? Eles escreverão aos Partidos Comunistas Cubano e Chinês usando impropérios? Quem ganhou com essa história toda?

Obama apóia a “fairness doctrine”. Explico: os democratas já tentaram aprovar projeto de lei obrigando as rádios a dividirem igualmente o tempo dado a republicanos e democratas. Por quê nas rádios e não na televisão? As rádios são o baluarte dos conservadores americanos. Já a televisão, ou seja, as grandes redes, apóia os democratas, e, naturalmente, nada teriam a ganhar com a obrigação de dividir o tempo na televisão. "Fairness"?

E mais uma vez, os democratas e Obama querem criar um sistema nacional de saúde com vinculação obrigatória dos trabalhadores. O modelo de saúde que eles querem aplicar é o do... Brasil, literalmente com o mesmo organograma (Conselho Estadual isso supervisionado por um Conselho Federal aquilo) Um economista americano (Thomas Dilorenzo) que estudou o organograma diz que só lembra de outro modelo parecido que foi o da Itália na Época de Mussolini (não deve ter visto o nosso). Isso tudo depois dos programas literalmente bilionários (mais de trezentos bilhões de dólares cada) de saúde criados e ampliados desde a década de sessenta, e que já estão se tornando inviáveis economicamente.

A cada dia Obama-Hussein faz novas promessas que sabe que não pode cumprir. A última foi de criar mais impostos para dar um cheque bônus de mil dólares para cada americano. Populismo do mais baixo nível. As únicas propostas de Obama até agora podem ser classificadas em aumentos de gastos e aumento de impostos. Nada recomendável para uma economia que já tem que suportar os gastos ordinários e mais os da Guerra do Iraque.

As gafes do Hussein seriam de fazer corar o Lula . Obama já afirmou ter visitado todos os 57 Estados da União americana. Será que ele está incluindo Panamá, Costa Rica e outros pobrecitos? Ou quando se referiu ao “Presidente” do Canadá ao invés de Primeiro-Ministro.

Sabe quem foi Frank Marshall Davis? Obama o cita no seu livro “Dreams of My Father” (não tenho livro, estou seguindo informações de terceiros) simplesmente como “Frank”, e foi uma das pessoas que o introduziram na vida política e que Obama não nega ter sido uma influência sobre ele mesmo (já outros dizes que ele foi o mentor intelectual de Obama). Davis era nada mais nada menos do que membro do American Communist Party e foi investigado tanto pela CIA e pelo FBI como agente de Moscou.

E por último, os obamistas acusam Palin de inexperiência? Ela foi prefeita e atualmente é governadora do Alaska. Qual é a experiência de Obama fora ter sido ongueiro a vida inteira e senador por alguns meses?

Se fôssemos julgar alguém pelo quesito experiência Lula jamais teria sido presidente aqui, para não mencionar o total despreparo (Lula foi ao menos “Mr Simpatia” no primário?) .

Assim, se formos somar tudo, candidatos democratas não são melhores que republicanos. E olha que nem pegamos ainda no Biden que é um prato cheio.

O único trunfo de Obama é sua inexperiência, mas não acredito que seja suficiente para enganar o eleitorado americano.

A vice do McCain

O nome da jovem senhora aí embaixo, no post anterior, é Sarah Palin, governador do Alasca. Recentemente indicada como vice na chapa republicana de John McCain, até agora o que se dizia dela era que tinha pouca experiência para o cargo (e que ganhar um concurso de Miss Simpatia foi seu ponto alto na vida universitária).

Hoje as manchetes sobre Palin eram todas em torno do anúncio da gravidez de sua filha adolescente. Algo que já teria certa gravidade política num lar tão conservador como o da governadora, mas com implicações apenas para demonstrar a enorme hipocrisia dos ultra-direitistas dos EUA. Afinal Palin prega que a única educação sexual aos jovens deve ser a abstinência.

Mas há comentários mais cabeludos sobre o caso. Dizem que o filho mais novo de Palin, nascido este ano, seria na verdade seu neto, o que implica dizer que ela escondeu uma outra gravidez de sua filha adolescente e registrou o garoto como seu.

Fotos de Palin semanas antes do alegado parto de seu filho a mostram sem qualquer sinal de gravidez, o que não aconteceu quando ela esperava seus outros filhos - a barriga era evidente. Não convenceu? Bem, há ainda a história de que a governadora, ao entrar em trabalho de parto, foi de Dallas para Seattle e de lá para o Alasca, em uma viagem de 13 horas. Ali, ao invés de dar a luz em Anchorage, optou por viajar de novo até a cidadezinha de Wasilla, de apenas 9 mil habitantes. É o que conta esse gráfico, de forma hilária.

Outra acusação contra a candidata a vice republicana é de que ela teria sido membro de um partido secessionista do Alasca no começo da década passada. Palin, segundo consta, enviou para a convenção desse partido, o AIP - Alaskan Independence Party - um vídeo elogioso no começo deste ano.

Ainda que se deixe tais polêmicas de lado, Palin continua sendo uma figura detestável, politicamente. É, obviamente, defensora da exploração de petróleo e gás (já que governa um dos grandes estados produtores nos EUA). Consequência disso é que Palin acha que o aquecimento global não tem relação alguma com a emissão de CO2 na atmosfera por parte da humanidade.

Como não podia deixar de ser, é contra o aborto (em qualquer hipótese, mesmo estupro), contra o casamento gay, contra a legalização da maconha e contra a restrição a porte de armas. Ela é a favor do ensino em escolas públicas do criacionismo e, como dito acima, da abstinência como única educação sexual.

Palin é simpática só de boca fechada.

Minha Candidata

Vocês não achavam que eu ia deixar passar em branco, achavam? Taí a candidata a vice que o McCain escolheu.

Todo mundo junto agora: já ganhou! Já ganhou! Já ganhou!

A Decadência do Ocidente - Episódio 278 - Desembargadora Federal Fundamenta Decisão Com Citação de Revista Em Quadrinhos

Por enquanto a citação é de Watchmen, quem sabe logo não veremos Turma da Mônica ou Pato Donald na fundamentação de acórdãos, afinal, existe o precedente daquele tribunal italiano intimando a Turma da Disney a prestar depoimento, lembram? ;)

http://g1.globo.com/Noticias/Quadrinhos/0,,MUL742199-9662,00-DESEMBARGADORA+CITA+HQ+WATCHMEN+EM+DECISAO+CONTRA+MILICIAS+NO+RIO.html

Além disso, os atos do processo penal não seriam obrigatoriamente no vernáculo?

Como encerrar bem uma carreira e começar outras

Atenção companheiro Filipe, este post ficará muito melhor se vossa senhoria preparar um post ou um comentário sobre algum jogador brasileiro que esteja passando por esta fase de final de carriera, logo a seguir. Abraço. Fetter.

Aos 39 anos de idade e na prática aposentado há três meses, Oliver Kahn encerra oficialmente os 21 anos de sua carreira num amistoso do Bayern com a seleção alemã em Munique.

O "titã" do gol alemão, Oliver Kahn, celebra num jogo entre Bayern de Munique e seleção alemã sua derradeira despedida em campo nesta terça-feira (02/09), no estádio Allianz Arena de Munique completamente lotado (69 mil espectadores).

(...)


Seu futuro continuará sendo o futebol, mas fora de campo. Já no dia 10 de setembro, ele estará analisando para a televisão alemã os lances do jogo entre Alemanha e Finlândia, pelas Eliminatórias da Copa 2010.

Além disso, Kahn atuará como garoto-propaganda na busca por novos talentos na China. Em longo prazo, Kahn está sendo cogitado para a sucessão do diretor esportivo do Bayern de Munique, Uli Hoeness.

Mesmo aposentado, sua agenda continua cheia. Nos próximos meses, o ex-goleiro pretende obter uma licença de treinador, segundo ele "não para ser técnico, mas como aperfeiçoamento profissional". Além disso, no âmbito do projeto de divulgação de seu livro, tem sido convidado por empresas para participar de seminários e proferir palestras.

Também as crianças da Baviera terão maior contato com o ídolo. Kahn participa de um programa de ajuda a crianças, criado na Finlândia, no qual elas aprendem a superar problemas e mudar seu comportamento.


Leiam a notícia completa AQUI

E aí Filipe, tens notícias do Rivaldo ??

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Vida Como Ela É

Ou melhor dizendo , o show como ele realmente é. Alguém pegou a gravação da Britney Spears ao vivo, tirou os playbacks e a correção de tom em tempo real e colocou na intenet. Francamente, fico até imaginando se o vídeo não é de alguma cantora ainda mais horrenda fazendo overdub sobre a gravação da britnéia. Aviso: se você pecou ultimamente não deixe de ver, você vai sofrer, e muito, e assim se redimir de todos os seus pecados.

http://rapidshare.com/files/141904638/Britn_ia_ao_vivo_e_sem_playback.flv.html

Vai cantar mal assim lá em casa (sim, é um convite). Vídeo também disponível no kaotic.com.

Revista golpista

Eu já tinha lido o artigo de opinião, na Folha.
Ele defende algum lado?
Nem sim nem não, muito pelo contrário...
Vamos aos fatos:
1. há uma degravação e as partes a reconhecem;
2. a revista afirma que a fonte é da Abin e a Abin não refutou;
3. O Presidente da República marcou uma reunião com todo mundo;
4. uma desembargadora do TRF já havia informado ao Gilmar sobre o grampo, citando, inclusive, conversa dele com seus assessores;
5. O José Dirceu já havia feito a mesma denúncia, que a Abin e a PF estão grampeando todo mundo;
6. Tarso Genro, o "Republicano", não apareceu na Tv dando uma de suas declarações ponderadas e cheias de sabedoria...
É, Filipe, você e o Nassif estão certos, não houve nada.
É tudo invenção deta revista golpista, a Veja.

"É a primeira vez que a revelação do conteúdo de uma escuta telefônica ilegal é boa para os dois grampeados"

Muito interessante o texto publicado hoje na Folha do jornalista Fernando de Barros, sobre o suposto grampo no STF, de onde tirei a frase que encabeça este post. Como o conteúdo do jornal na web é restrito a assinantes, vai aqui o link para o texto.

Também merece uma lida sobre o assunto no blog do Luis Nassif (nesse post e nesse outro), mas dá para resumir o que ele afirma nesse parágrafo: "A denúncia é da revista Veja. Não há um documento – até agora – comprovando a autoria do grampo, uma arquivo de áudio, um documento interno da ABIN. Toda a matéria se sustenta em duas supostas informações: a transcrição de uma conversa entre Demóstenes Torres e Gilmar Mendes; e a informação dada pelo repórter (sem o apoio de nenhuma evidência mais) de que o grampo foi feito pela ABIN".

Atualizando agora, 18h20: perfeito o comentário do Ricardo Boechat sobre o assunto, na Band News Fm. Clique para baixar o áudio.

Michael Jackson Faz 50 Anos

Muitos achavam que ele não passaria dos quarenta. Nos 50 anos de Jackson o Daily Mail fez uma pequena matéria sobre o astro.

A imagem gerada por computador mostra como Michael Jackson seria hoje se não tivesse feito todas aquelas cirurgias estéticas (estéticas?).

Joe Cocker - With a Little Help From My Friends


Em algum momento no futuro, Joe Cocker irá falecer. Não se sabe quando, mas com certeza um dia irá ocorrer. O cantor de voz roufenha, nascido em Sheffield em 1944 já passou dos sessenta, uma idade considerada avançada para os rockeiros dos anos 60 e 70. Por isso, daqui para frente tudo pode acontecer. Lembre-se por exemplo, que metade dos Beatles, metade do Who e quase todos os Ramones já se foram, antes de chegar a esta idade.

De qualquer forma o velho Joe não tem com que se preocupar. Teve uma carreira produtiva, seus discos continuarão vendendo em algum formato que não o falecido cd, e por um bom tempo muitas pessoas falarão a respeito dele.

Porém, como sói acontecer, seu necrológio será marcado pelo simplismo de sempre e, provavelmente, os jornalistas encarregados de escrever sobre o cantor hão de fazer menção a dois momentos marcantes em sua carreira: a apresentação em Woodstock, quando recriou a música With a Little Help... (dos Beatles) e quando salvou do mais completo oblívio o tema "You Can Leave Your Hat On" composta e pessimamente gravada originalmente pelo compositor Randy Newmann, mas que nas mãos de Cocker, auxiliado por um time de metais liderados por Clarence Clemons, aquele figura que tocava com o Bruce Springsteen, virou um monstro que embalou uma das mais belas cenas de strip-tease da história do cinema, no filme "Nove Semanas e Meia de Amor"; e uma das mais bizarras, na película "Ou Tudo Ou Nada", de 1997.

Alguns, mais conhecedores lembrarão das versões de "Could you be loved", "Unchain My Heart", as baladonas "You are so beautiful" e "Up Where We Belong", mas não deve passar muito disso.

Este blogueiro que vos escreve, ao contrário, passará dias a fio ouvindo o primeiro disco de estúdio de Cocker, o pouco lembrado (e geralmente pelos motivos errados), "With a Little Help From My Friends".

Sim, eu sei... você abriu o set list do álbum antes de seguir lendo este post, já se deparou com as duas músicas mais conhecidas do disco, a música que lhe empresta o nome e ainda a infame "Please Don't Let Me Be Misunderstood", massacrada anos depois pelo pessoal do Santa Esmeralda, e musiquinha fácil em festas de formatura após as 3 da manhã.

Mas esqueça essas músicas. Faça como eu, simplesmente não as ouça, não há necessidade. O disco possui outras pérolas esquecidas pelo tempo, mas que merecem mais de uma oitiva.

Tratam-se dos excelentes temas "Feelin´Alright", "Bye Bye Blackbird", "Change in Louise", "Marjorine" e "Sandpaper Cadillac", além da ótima versão da Dylanesca "I Shall Be Released", gravada também pelo pessoal da The Band.

Assim, se você não se contenta com as poucas informações que serão disponibilizadas, este disco é uma ótima introdução à discografia deste grande cantor.

Olha aí o que dá um juiz voluntarista e um procurador da república querendo nos salvar de nós mesmos...

A Abin gravou o ministro
Diálogo comprova que espiões do governo grampearam o presidente do Supremo Tribunal Federal. Autoridades federais e do Congresso também foram vigiadas
Policarpo Junior e Expedito Filho

Há três semanas, VEJA publicou reportagem revelando que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, foi espionado por agentes a serviço da Agência Brasileira de Inteligência. O diretor da Abin, Paulo Lacerda, foi ao Congresso e negou com veemência a possibilidade de seus comandados estarem envolvidos em atividades clandestinas. Sabe-se, agora, que os arapongas federais não só bisbilhotaram o gabinete do ministro como grampearam todos os seus telefones no STF. VEJA teve acesso a um conjunto de informações e documentos que não deixam dúvida sobre a ação criminosa da agência. O principal deles é um diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), gravado no fim da tarde do dia 15 de julho passado. A conversa, reproduzida na página anterior, não tem nenhuma relevância temática, mas é a prova cabal de que espiões do governo, ao invadir a privacidade de um magistrado da mais alta corte de Justiça do país e, por conseqüência, a de um senador da República, não só estão afrontando a lei como promovem um perigoso desafio à democracia.
O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo. O relato do araponga é estarrecedor. Segundo ele, a escuta clandestina feita contra o ministro Gilmar Mendes, longe de ser uma ação isolada, é quase uma rotina em Brasília. Os alvos, como são chamadas as vítimas de espionagem no jargão dos arapongas, quase sempre ocupam postos importantes. Somente neste ano, de acordo com o funcionário, apenas em seu setor de trabalho já passaram interceptações telefônicas de conversas do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e de mais dois ministros que despacham no Palácio do Planalto – Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais. No Congresso, a lista é ainda maior. Segundo o araponga, foram grampeados os telefones do presidente do Senado, Garibaldi Alves, do PMDB, e dos senadores Arthur Virgílio, Alvaro Dias e Tasso Jereissati, todos do PSDB, e também do petista Tião Viana. Esse último, conforme o araponga, foi alvo da interceptação mais recente, que teve o objetivo "de acompanhar como ele está articulando sua candidatura à presidência do Senado". No STF, além de Gilmar Mendes, o ministro Marco Aurélio Mello também teve os telefones grampeados.
As gravações ilegais feitas pela Abin servem de base para a elaboração de relatórios que têm o presidente da República como destinatário final. Isso não quer dizer que Lula necessariamente tenha conhecimento de que seus principais assessores estejam grampeados ou que avalize a operação. Os agentes produzem as informações a partir do que ouvem, mas sem identificar a origem. Por serem ilegais, depois de filtradas, as gravações são destruídas. A do ministro Gilmar Mendes foi preservada porque, ao contrário das demais, ela foi produzida durante uma parceria feita entre a Abin e a Polícia Federal na operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, no início de julho. Os investigadores desconfiavam de uma suposta influência do banqueiro no STF e decidiram vigiar o presidente da corte. Gilmar Mendes já havia sido informado de que alguns comentários que ele fez com assessores no interior do gabinete tinham chegado ao conhecimento de outras pessoas – uma evidência de que suas conversas estavam sendo ouvidas. Desconfiado, solicitou à segurança do tribunal que providenciasse uma varredura. Os técnicos constataram a presença de sinais característicos de escutas ambientais, provavelmente de aparelhos instalados do lado de fora da corte. Não era só isso. O presidente do STF também tinha os telefonemas de seu gabinete gravados ininterruptamente. A Abin recebia e analisava, por dia, mais de duas dezenas de ligações do ministro. Foi para provar o que dizia que o funcionário mostrou uma delas.
De acordo com os registros, o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. Na ocasião, Mendes não pôde atender porque estava a caminho do Palácio do Planalto para uma audiência com o presidente Lula. Três minutos depois, às 18h32, a secretária retornou a ligação para o gabinete do senador e a transferiu para o celular do ministro. A conversa foi rápida. O presidente do Supremo agradeceu a Torres pelo pronunciamento no qual havia criticado o pedido de impeachment protocolado contra ele no Congresso. Na semana anterior, Mendes havia mandado soltar o banqueiro Daniel Dantas, o que provocou, além do pedido de impeachment, uma barulhenta reação da polícia e do Ministério Público. As entidades enxergaram na decisão do ministro – polêmica, mas felizmente tomada sob inspiração das leis vigentes – uma tentativa de impedir a punição dos corruptos. A Polícia Federal e a Abin interpretaram a decisão como uma confirmação de que alguma coisa errada se passava no gabinete do ministro e decidiram intensificar as ações ilegais. A partir daí, o presidente do Supremo e seus assessores mais próximos passaram a ser ouvidos, grampeados e seguidos pelos arapongas.
O diálogo em poder da Abin foi apresentado ao ministro Gilmar Mendes e ao senador Demóstenes Torres. Ambos confirmaram o teor da conversa, a data em que ela aconteceu e reagiram com indignação. "Não há mais como descer na escala da degradação institucional. Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do Supremo Tribunal Federal é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno", disse o ministro, anunciando que vai pedir providências diretamente ao presidente Lula. "Não acredito que a ação da Abin ou da Polícia Federal seja oficial, com o conhecimento do governo, mas cabe ao presidente da República punir os responsáveis por essa agressão", acrescentou Mendes. O senador Demóstenes Torres também protestou: "Essa gravação mostra que há um monstro, um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes". O parlamentar informou que vai cobrar uma posição institucional do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, sobre o episódio, além de solicitar a convocação imediata da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso para analisar o caso. "O governo precisa mostrar que não tem nada a ver e nem é conivente com esse crime contra a democracia."
A atuação descontrolada dos arapongas oficiais está provocando crises dentro do próprio governo. Em conversas reservadas com assessores, Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula, que também foi vítima de espionagem clandestina, suspeita de uma conspiração em andamento para criar dificuldades ao governo. A teoria ganhou um reforço de um peso pesado do petismo. O ex-ministro José Dirceu, acostumado a freqüentar o noticiário como suspeito de alguma coisa, tem contado a amigos que é vítima de uma intensa perseguição de arapongas. A mais explícita, segundo ele, aconteceu em março passado. Um advogado, muito amigo do ex-ministro, recebeu a informação de que os telefones de Dirceu, de seus advogados e de alguns familiares estariam clandestinamente grampeados. Além disso, o escritório de Dirceu em São Paulo sofreria uma "entrada" – no jargão dos arapongas isso significa uma invasão clandestina disfarçada de roubo. O alerta, segundo o advogado, foi feito por um policial. Dias depois, o escritório do ex-ministro foi invadido. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia, eram ladrões diferenciados, pois não se interessaram em levar uma televisão de plasma, uma cafeteira italiana, celulares e objetos de valor. Furtaram apenas a CPU do computador. Os "ladrões" também não deixaram marcas nas portas nem impressões digitais. A polícia paulista informou que o crime provavelmente foi praticado por uma gangue de catadores de papel.
No fim de junho, José Dirceu avisou o presidente Lula que estava sendo vítima de operações ilegais e que suspeitava da ação conjunta da Polícia Federal e da Abin. Em público, o ministro não faz acusações diretas contra ninguém, mas, para o presidente, ele foi explícito: Dirceu acusa o atual diretor da Abin, Paulo Lacerda, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, de estarem por trás de um complô para prejudicá-lo, recorrendo a supostas ações ilegais contra ele, inclusive a invasão do escritório. "Mandei também avisar o presidente que estava sendo escutado ilegalmente", disse o ex-ministro a um interlocutor na semana passada. Dirceu considera Tarso Genro, que é do PT, mas de uma corrente interna diferente da sua, como desafeto político. O ministro da Justiça estaria usando o aparato policial contra Dirceu para tentar minar sua influência no partido. Paranóia? Talvez. O fato é que a ação clandestina dos arapongas, sejam eles da Abin ou ligados à Polícia Federal, está criando entre políticos, magistrados e autoridades em Brasília um clima que não se percebia desde os tempos do velho SNI, o serviço de inteligência criado no regime militar, que serviu, por mais de duas décadas, como instrumento de perseguição de adversários. Havia mais de um ano que o ministro Gilmar Mendes suspeitava que seus telefones estavam sendo grampeados. Parecia paranóia.



O diálogo




Gilmar Mendes – Oi, Demóstenes, tudo bem? Muito obrigado pelas suas declarações.
Demóstenes Torres – Que é isso, Gilmar. Esse pessoal está maluco. Impeachment? Isso é coisa para bandido, não para presidente do Supremo. Podem até discordar do julgado, mas impeachment...
Gilmar – Querem fazer tudo contra a lei, Demóstenes, só pelo gosto...
Demóstenes – A segunda decisão foi uma afronta à sua, só pra te constranger, mas, felizmente, não tem ninguém aqui que embarcou nessa "porra-louquice". Se houver mesmo esse pedido, não anda um milímetro. Não tem sentido.
Gilmar – Obrigado.
Demóstenes – Gilmar, obrigado pelo retorno, eu te liguei porque tem um caso aqui que vou precisar de você. É o seguinte: eu sou o relator da CPI da Pedofilia aqui no Senado e acabo de ser comunicado pelo pessoal do Ministério da Justiça que um juiz estadual de Roraima mandou uma decisão dele para o programa de proteção de vítimas ameaçadas para que uma pessoa protegida não seja ouvida pela CPI antes do juiz.
Gilmar – Como é que é?
Demóstenes – É isso mesmo! Dois promotores entraram com o pedido e o juiz estadual interferiu na agenda da CPI. Tem cabimento?
Gilmar – É grave.
Demóstenes – É uma vítima menor que foi molestada por um monte de autoridades de lá e parece que até por um deputado federal. É por isso que nós queremos ouvi-la, mas o juiz lá não tem qualquer noção de competência.
Gilmar – O que você quer fazer?
Demóstenes – Eu estou pensando em ligar para o procurador-geral de Justiça e ver se ele mostra para os promotores que eles não podem intervir em CPI federal, que aqui só pode chegar ordem do Supremo. Se eles resolverem lá, tudo bem. Se não, vou pedir ao advogado-geral da Casa para preparar alguma medida judicial para você restabelecer o direito.
Gilmar – Está demais, não é, Demóstenes?
Demóstenes – Burrice também devia ter limites, não é, Gilmar? Isso é caso até de Conselhão.
(risos)
Gilmar – Então está bom.
Demóstenes – Se eu não resolver até amanhã, eu te procuro com uma ação para você analisar. Está bom?
Gilmar – Está bom. Um abraço, e obrigado de novo.
Demóstenes – Um abração, Gilmar. Até logo.