JUSCELINUS:
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Laurindo Lalo Leal Filho
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Temática delicada que nos aproxima dos vizinhos argentinos quando propomos a mesma questão para os crimes cometidos pela repressão política praticada por agentes do Estado, em ambos os países, durante as ditaduras. Ela nos remete à necessidade que sentimos de que hajam punições e que elas sejam verdadeiros castigos.
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O pouco de cinema da TV aberta resume-se aos chamados “filmes de ação” e no cabo (ou nos canais pagos por satélite), onde a oferta cinematográfica é maior, são poucos os filmes de qualidade. Campeia a massificação ideológica perpetrada pela indústria cultural, como lembrou com precisão o professor Marco Aurélio Garcia em recente pronunciamento.
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Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).
o S.C.Ivoti recebeu uma notificação extrajudicial do Internacional de Porto Alegre dando conta que o clube da cidade não deveria mais usar o distintivo, que tem as mesmas características do S.C.Internacional, só que em azul e branco. Na notificação o vice-presidente de Serviços Jurídicos, Luis Dagoberto Paganella, alerta o clube de Ivoti de que a utilização de símbolo de desenho idêntico ao do Sport Club Internacional na cor azul não deveria mais ser utilizada. Isto porque, por força da lei e da intenção do Internacional em preservar sua marca, devidamente registrada e protegida perante o INPI, tornava impossível a coexistência das marcas da forma em que se encontram. Por este motivo, amparado na lei número 9.279/96, o Internacional entende que o Ivoti não possui autorização legal para uso do desenho do símbolo do S.C.Internacional, em cor azul, cometendo, portanto, crime previsto no art.189 da referida lei. Segundo o artigo 189, comete crime contra registro de marca quem: reproduz, sem autorização do titular, no todo ou em parte, marca registrada, ou imita-a de modo que possa induzir confusão. A notificação é datada de 8 de dezembro ando 10 dias para o S.C.Ivoti se manifestar.
A má notícia: Eu, você, o pessoal aqui do blog, boa parte da população mundial, além do tio que vende churros na saída da faculdade (conhecido invariavelmente como “O Tio do Churros”), perdemos o início do concerto mais longo da história humana, iniciado em 04 de setembro de 2001, na Igreja de St. Burchardi (São Burchardo), em Halberstadt, na antiga Alemanha Oriental.
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A boa Notícia é que a gente pode se programar para dar uma passadinha lá qualquer hora, pois o concerto continua acontecendo, e ainda vai demorar um longo tempo para ser encerrado.
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Explicando: Em 1985 o compositor avant-garde John Cage (1912-1992) compôs uma peça para piano, com 20 minutos de duração, e, em 1987 verteu-a para o órgão, culminando em uma partitura de oito páginas, denominada Organ2 ASLSP, sendo que a sigla, segundo o compositor, significava As slow as possible, ou seja, o mais lento possível.
Mas como interpretar a orientação para que a peça fosse tocada da forma mais lenta possível ? Aliás a pergunta é outra: quão lento é o mais lento possível ? Pense bem.
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O organista Gerd Zacher, que sugeriu a Cage a transposição para o órgão tocava a música em 29 minutos. Com o surgimento dos cd´s e um bom conhecimento da aplicação da regra de três, foi possível também ampliar a duração do concerto para 71 minutos, bastando aumentar proporcionalmente os intervalos entre as trocas de notas e acordes.
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Mas 71 minutos é o mais lento possível ? Para a organista Diane Luchesi não. Em fevereiro de 2009, na Towson University em Maryland, ela tocou a peça durante 14 horas e 56 minutos, sendo a maior performance da obra empreendida por um ser humano até o momento.
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Mas vamos lá: 14, 15... 100 horas ?!? Afinal, que intervalo de tempo pode ser considerado como o mais lento possível ?
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Para resolver essa questão, em 1997, um seminário em Trossingen, envolvendo músicos, filósofos e “cagemaníacos” analisou as múltiplas teorias sobre o que seria o mais lento possível. Que tal ficarmos nos 29 minutos da conhecida performance de Gerd Zacher? Disseram alguns. Que tal o tempo de um cd? Por que não o tempo de uma vida humana, ou seja, mais ou menos 66 anos ? Por que não o tempo de vida do instrumento?
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Mas um órgão de tubos, devidamente cuidado, não tem prazo de duração. Falaram até em eternidade. O concerto poderia durar infinitamente. E aí ?
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No fim das contas, decidiu-se que o concerto deveria durar 639 anos. A explicação é muito simples. Em 1361, Nicolas Faber construiu um órgão para a Igreja de São Burchardo que é considerado por alguns historiadores o primeiro órgão “moderno” da história, cuja distribuição de doze notas por oitava é utilizada até hoje. Daí, subtraiu-se o ano 2000 do ano 1361, para se chegar aos 639 anos. Simples assim.
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Quanto à Igrejinha, não existia mais, o órgão então nem se fala. Mas tudo bem, pois a peça musical começava com uma pausa, que na escala musical de 639 anos, duraria 17 meses. Foi o suficiente para o levantamento de fundos para a reconstrução do templo e de um órgão que ao menos tivesse os tubos das três primeiras notas, a saber, um sol sustenido, um si e um sol sustenido agudo.
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Como a empreitada foi orçada em cerca de 500 mil euros, coube a Michael Bentzle, diretor-gerente da John Cage Orgel Stiftung (ou Fundação Organística John Cage), nas suas palavras, encontrar uma seguradora “tão segura de si que espere durar 639 anos”, e um Banco “que realmente confie no futuro”.
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Além disso, criou-se uma forma de se obter donativos de particulares. Por mil euros, é possível “comprar” o patronato de um ano e uma placa de metal com o seu nome (ou de sua família) será afixada na Igreja. No site oficial do Projeto pode-se verificar que a idéia deu certo. Os anos 2000 a 2075 já foram comprados. Outros compradores preferiram adquirir anos mais adiantados no tempo, sabe-se lá o porquê. Deve ser o humor alemão!! Maren Taubert e Hans Taubert, por exemplo, compraram o ano de 2636. De qualquer forma, para os interessados ainda existem vários anos disponíveis, como a série que vai de 2146 a 2210, dentre outras.
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Dia 04/09/2001 (aniversário de nascimento do compositor) às 9h e 36 minutos (que lido ao contrário gera o número 639), foram ligados os foles de um pequeno dispositivo. Após um ano e meio vieram as três primeiras notas, acima citadas, e, desde então o Orgel soa ininterruptamente. As teclas são mantidas abaixadas por pequenos sacos de areia. Para a alegria dos moradores próximos à Igreja, as emissões sonoras são abafadas por um cubo de acrílico que fica ao redor do instrumento.
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Até fevereiro de 2009, sete mudanças de notas ocorreram. A próxima está prevista para Julho de 2010.
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2011 promete ser um ano frenético com nada mais, nada menos que duas mudanças de acordes, nos dias 05 de fevereiro e cinco de agosto. Entre outubro de 2013 e setembro de 2020, não ocorrerão mudanças de acordes, mas há previsões de alterações importantes, como um cacofônico fortíssimo daqui a uns duzentos anos.
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Intervalo ? Sim, há um half time previsto para o ano 2319, avise seus heptanetos.
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Entrementes a cidade tem virado ponto de peregrinação, para os amantes da música clássica moderna, em geral. Os Burgomestres têm ficado felizes com o aporte de cerca de dez mil pessoas por ano que vêm conhecer a Igreja, o órgão (que segundo consta terminou de ser construído neste ano), ouvir um pedacinho da monumental peça e dar uma movimentada na economia local.
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O concerto está previsto para terminar em 04 de setembro de 2640... coisa de doido ? Ouçamos as palavras de John Cage: “Se meu trabalho está sendo aceito, eu tenho de movê-lo para um ponto onde ele não seja”.
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Em tempo, segundo entrevista para a Deutsche Welle Brasil, Bentzle explica que o Projeto ASLSP também é um protesto contra o andamento vertiginoso da vida moderna. “É preciso ultrapassar o aqui e agora”, afirma. E acrescenta: “Tudo o que é de acordo com a razão está há muito tempo destruído”.
Fontes de Consulta:
http://www.john-cage.halberstadt.de/new/index.php?seite=dasprojekt&l=e
http://www.timesonline.co.uk/tol/sport/football/european_football/article785553.ece
http://www.lazermusica.com/blog/2009/02/17/organ-2-o-concerto-mais-longo-da-historia/
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,829354,00.html
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Cartoon subtraído do blog do Greg Mankiw
Seis!A CLIENTELA DO ENSINO SUPERIOR PAGO
MARIA HELENA MICHEL
O século XX foi testemunha de grandes transformações. No mundo dos negócios, o acirramento da globalização dos mercados, a evolução da telecomunicação e informática, o desenvolvimento tecnológico, mudaram a vida das empresas, trazendo o fantasma da concorrência. Neste cenário, ressurge a figura do “cliente”, como entidade soberana, capaz de definir quem fica e quem sai do mercado. Estudos e técnicas são avidamente desenvolvidos e consumidos para aperfeiçoar formas de satisfazer o cliente, ouvi-lo, fidelizá-lo, perceber suas necessidades, antecipá-las, agregar valor aos produtos, surpreendê-lo, conquistá-lo.
Não estão erradas as organizações e o futuro não aponta para realidade diferente. O cliente aprendeu a reconhecer e exigir qualidade nos produtos. Ele não quer apenas qualidade intrínseca; ele quer valor agregado, rapidez, atendimento personalizado, pagamento facilitado, promoções, troca, manutenção etc. Idêntica análise, porém, não pode ser feita quando se trata de instituições de ensino pago, particularmente, as de ensino superior. Grande parte da educação superior em todo o mundo é financiada por mensalidades escolares. No Brasil, cerca de dois terços da população universitária estão nas escolas privadas. Inúmeras vezes, professores da rede privada têm se queixado de ser “lembrados” pelos alunos que “eles” são seus clientes, porque sua mensalidade paga os salários dos professores.
O ambiente universitário, porém, merece melhor análise. O aluno, ao assinar um contrato com a instituição, assume uma relação de compromisso e de obrigações.
Isso pode gerar situações de tensão e pressões. Ocorre que, em geral, as “pressões” que os alunos exercem não visam à melhoria da qualidade do ensino, mas, ao atendimento das suas necessidades imediatas, mediocrizando, significativamente, a sua própria formação. Vejamos alguns exemplos: provas (adiar, fazer em grupos, com consulta, substituir por trabalhos), freqüência (faltar à aula, chegar tarde e/ou sair cedo e “ganhar” presença integral), atividades (atrasar entrega de trabalhos, flexibilizar exigências, prazos), entre muitos outros. Porém, urge perguntar: é o aluno o cliente de uma instituição de ensino pago? Cremos que uma resposta afirmativa a essa pergunta, embora tenha grande consenso na comunidade universitária, é fruto de uma análise superficial, equivocada e prejudicial para todos: aluno, professores, instituição.
Inicialmente, as instituições de ensino pago têm objetivos e produtos diferentes das organizações empresariais, chamadas utilitárias (comércio e indústria). Enquanto estas são centradas nos objetivos econômicos, calculistas, as universidades (organizações normativas) se baseiam no envolvimento moral, motivacional de seus membros, objetiva à formação das pessoas e tendem a construir seus próprios objetivos e valores.
Outra questão é a lógica na qual está inserida a satisfação do cliente: atendimento e bem-estar imediato. Ao adquirir um bem, o cliente tem o direito de ser atendido eficientemente, levar o melhor produto, pagar o menor preço, no menor tempo e sem burocracia. Ele não pode perder tempo, nem se desgastar com a compra. Aplicar esta lógica à sala de aula significa que o professor deverá satisfazer o aluno todos os dias: atender às suas reivindicações, seus desejos, resolver seus problemas. E mais: não poderá reprová-lo, se ele tiver pago a mensalidade em dia! Isso significa transferir para o aluno a decisão “do quê” aprender, “como” aprender, “quando”, e, mesmo, “se” ele quer aprender alguma coisa no curso. Talvez, ele fique mais satisfeito, porque as atividades curriculares não são sempre prazerosas. Nas mais das vezes, são pesadas, cansativas, requerem esforço, raciocínio, dedicação, tempo; e, não necessariamente, são do interesse imediato do aluno.
Mas, não se pode confundir “adquirir” conhecimento com “comprar” conhecimento. Vejamos a analogia com a situação de um doente que procura ajuda médica. A pessoa paga a consulta e recebe uma receita e orientações de procedimento. A receita e as orientações são, apenas, parte da solução. A cura dependerá da postura, das providências, da vontade e responsabilidade do paciente em seguir corretamente as instruções. Da mesma forma, a formação profissional do aluno é o resultado do “casamento” entre os recursos que a escola oferece (professores, atividades, equipamentos, conhecimento) e o esforço dele em se transformar (vontade, dedicação, motivação, trabalho).
Para se tornar um profissional disputado pelo mercado de trabalho, o aluno necessita adquirir um conjunto de competências, conhecimento, habilidades, capacidades, consciência e formação política, ética e cidadã. Ele não vai à escola adquirir um produto; o aluno “é” o produto. É “ele” quem precisa ter qualidade, instrução, formação e instrumentalização. As atividades, os professores, os equipamentos e o conhecimento são instrumentos de construção desse produto.
Formação acadêmica e profissional não são produtos tangíveis; não podem ser “vendidos” como cereais em prateleiras de supermercados. É tarefa nobre; processos longos, internalizados, numa relação professor/aluno, nem sempre leve e fácil. Não traz satisfação imediata, mas, é fundamental para o seu crescimento e formação. O objetivo da universidade é formar o melhor profissional para ocupar a melhor posição no mercado de trabalho. Seu ”cliente” não é, portanto, o aluno, é o “mercado de trabalho”. Este, sim, tem que ficar satisfeito com a sua aquisição. E não se pode perder de vista que o mercado está cada dia mais exigente. Por isso, há que se esclarecer o “aparente” paradoxo: deve a universidade oferecer satisfação imediata ou proporcionar formação integral aos seus alunos? Estes são clientes ou matéria-prima em transformação? Devemos nos aprofundar nessa discussão, envolvendo, inclusive, o aluno, pois, não se pode negar o risco real que há de um cliente insatisfeito se recusar a pagar pelo bem adquirido. Em tempos pouco remotos, as universidades selecionavam os alunos que queriam ter em seus quadros. Atualmente, o ensino universitário brasileiro vive preocupantes sinais de ociosidade de vagas e inadimplência. O aluno, hoje, escolhe em qual universidade vai estudar; e o mercado a universidade que vai formar seus profissionais. À medida que o mercado rejeitar um profissional, rejeitada será a Instituição de ensino que o formou, assim como, rejeitados serão os professores responsáveis pela formação desse profissional.
Fonte: Jornal Estado de Minas, de 13/11/2003.