sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Na melhor tradição de Robert Cappa


Imagem de soldado dos EUA ganha prêmio da World Press Photo

AMSTERDÃ (Reuters) - A imagem de um soldado norte-americano exausto dentro de uma trincheira no Afeganistão, feita pelo britânico Tim Hetherington para a revista "Vanity Fair", ganhou na sexta-feira (8) um dos mais importantes prêmios internacionais do fotojornalismo, da entidade World Press Photo.

Os jurados consideraram que a foto mostra "a exaustão de um homem -- e a exaustão de uma nação". "Estamos conectados com isto. É uma foto de um homem no fim da linha", disse Gary Knight, presidente do júri.

No total, foram premiados 59 fotógrafos de 23 nacionalidades.
A agência Getty Images Inc. recebeu cinco prêmios, inclusive por imagens que mostram o assassinato da líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto.

John Moore registrou para a Getty Images uma cena enevoada que mostra o instante subsequente à explosão que matou Bhutto, com pessoas fugindo do local.

A fundação World Press Photo (www.worldpressphoto.org), com sede em Amsterdã, divulgou nota dizendo que houve em 2007 um recorde de participantes -- 5.019, provenientes de 125 países --, que inscreveram um total de 80.536 imagens.

50 anos hoje





Alguns sites de música informam que nesta data, há exatos 50 anos, Paul McCartney apresentou George Harrison a John Lennon, após um show dos Quarrymen, banda de escola de John.

Diz a lenda que George pegou sua guitarra e tocou uma música chamada "Raunchy", deixando John impressionado com a habilidade do jovem guitarrista (George tinha então 14 anos). Logo George foi convidado para juntar-se ao grupo, que ainda contava com o baterista Colin Hanton e com Bill Smith, que tocava um troço chamado "Tea Chest Bass", mais ou menos o mesmo arremedo de contrabaixo usado pelo pessoal do Liga-Tripa, feito com uma caixa de madeira, uma corda, e um cabo de vassoura.

Após três anos e uma série de mudanças de formação, lá por Agosto de 1960, Pete Best era o baterista, Paul assumia o baixo deixado por Stu Stucliffe, o grupo já se chamava "The Silver Beetles", o manager Brian Epstein conhecia o arranjador George Martin e o resto da história todo mundo conhece.

Mas, por incrível que pareça, alguns músicos sessentões que passaram pelos Quarrymen ainda continuam tocando juntos, obviamente na esteira da curiosidade histórica que sua existência deve despertar, e, também, provavelmente, pelo fato de algumas músicas da conhecida série de discos "Anthology" contarem com suas participações, o que desperta a atenção dos Beatlemaníacos de plantão, que não são poucos.

O grupo tem site próprio (http://www.originalquarrymen.co.uk) e se apresenta por aí, pela Europa e Estados Unidos, geralmente tocando em convenções e eventos ligados aos Beatles.

Jérôme Kerviel: o Zé Ninguém que afundou o banco Société Générale

El Pais, hoje.
J. M. Martí Font.
tradução: UOL

A única fotografia recente que temos de Jérôme Kerviel, o operador financeiro que causou um prejuízo de 4,9 bilhões de euros ao banco Société Générale (SG), não lhe faz justiça. O olhar fugidio, as feições borradas e a simples camisa branca sem graça não têm nada a ver com o personagem descrito por seus colegas, que faziam piada sobre sua elegância ao vestir-se e por sua semelhança com o ator Tom Cruise. E nem se trata de uma foto "roubada", mas sim da foto que conta do anuário interno do SG; um detalhe que sua advogada, Elisabeth Meyer, encarregou-se de enfatizar. "Sujaram a imagem dele, de sua família, desonraram-no com fotos inaceitáveis", disse ela.

Há uma outra foto, em que ele aparece muito mais jovem, talvez tirada quando ele começou a trabalhar em Paris em 2000, que mostra um Kerviel sorridente, vestido de gala em um terno escuro, provavelmente durante uma recepção. Nela, ele tem o rosto redondo e um olhar direto, vivo, sedutor. É a distância que existe entre a confiança inocente no futuro de um aprendiz e a angústia introvertida do profissional perdido no labirinto de um jogo impossível de ganhar.

Nascido há 31 anos em Pont l'Abbé, um pitoresco vilarejo de não mais que 8 mil habitantes em Finisterre, na Bretanha, o filho caçula do casamento entre Charles, um ferreiro que dava aulas de formação profissional, e Marie Jo, uma cabeleireira que dirigia o salão de beleza local, foi um garoto feliz, segundo os moradores da cidade. Ela era muito unido a seu irmão mais velho, Olivier, que também trabalhava em um banco e também foi demitido recentemente do BNP Paribas por fraude.

Bom aluno, todos o definem como uma pessoa equilibrada, inteligente, mas não superdotado; simpático, mas não exuberante. Praticava judô e jogava futebol, mas ninguém se lembra de suas façanhas esportivas. Philippe Orhant, seu professor de judô, lembra que ele chegou apenas até a faixa verde, ao que parece por causa de problemas nos joelhos.

Sua biografia, até uma semana atrás, descrevia uma vida transparente. Depois de se terminar o segundo grau, entrou na Universidade de Quimper, não muito distante de onde morava, e optou por estudar Economia. Atraído pelas finanças, provavelmente seguindo os passos de seu irmão mais velho, conseguiu uma bolsa do BNP Paribas para fazer mestrado em finanças na Universidade Lumière de Lyon; um título acadêmico criado pelos principais bancos franceses para formar operadores de bolsa de valores de nível médio. "Os profissionais mais brilhantes ou mais ambiciosos não estão aqui", reconhece a diretora do departamento de engenharia financeira, Valérie Buthion.

Seus professores não guardam nenhuma lembrança especial de Kerviel. "Era um aluno como os demais, não tinha nada de especial", disse um deles. "Se ele era um gênio da informática", acrescentou referindo-se aos adjetivos usados pelo presidente da SG, Daniel Bouton, quando tornou a fraude pública, "nunca nos demos conta aqui". Ele conseguiu como nota final um "muito bom" e, em 2000, um mês antes de se formar, já tinha um emprego garantido no SG.

Ele entrou no banco pela porta dos fundos, cuidando apenas de operações rotineiras. Até 2005 ainda não havia conseguido entrar para o grupo Delta One, especializado em mercado de futuros, mas tampouco se destacava. Mudou-se para a cidade de Neully-sur-Seine, a alguns passos da estação de metrô que leva ao centro financeiro de La Défense, onde estão os escritórios centrais do Société Générale. Um endereço de prestígio, Neuilly, próxima à capital francesa, abriga alguns dos cidadãos mais ricos da França e é o lugar que serviu de trampolim político a Nicolas Sarkozy, onde foi prefeito quando tinha apenas 28 anos.

O pequeno apartamento de 50 metros quadrados pelo qual ele pagava cerca de 1.500 euros por mês se localiza em um prédio no estilo segundo-império, característico de Paris. Perto da entrada há uma loja de descontos com um nome intrigante: La Descente aux Affaires (a queda dos negócios). A elegância das linhas da fachada contrasta com o estado um tanto decadente do interior. O surrado carpete verde que cobre o corredor está manchado. O jovem interiorano que tentava vencer no implacável mundo dos operadores da Bolsa de Paris não podia se permitir ao mesmo tempo viver em uma casa confortável e num endereço de prestígio.

Da sua janela podia ver, todas as manhãs, os grandes arranha-céus de La Défense. À noite, depois de uma jornada de trabalho intensa de dez horas, chegava em casa muito cansado. Seus vizinhos praticamente não o conhecem. "Nunca o vemos, ele está sempre trabalhando", disse uma senhora em um casaco de pele.

Ele começou ganhando não mais que 35 mil euros brutos por ano. Atualmente estava na faixa dos 50 mil, uma quantia relativamente modesta para um operador que já estava há oito anos na empresa. Este ano ele esperava conseguir um prêmio especial de nada menos que 600 mil euros, ainda que o banco só admitisse pagar a metade. Era nessa negociação em que ele estava envolvido antes de se tornar famoso, convencido que merecia a recompensa nem tanto pelo dinheiro em si, mas como um reconhecimento de sua capacidade e valor profissional, e pelo tanto que ele havia feito o banco ganhar até então.

Ele trabalhava no sexto andar de um dos edifícios do SG. Havia conseguido chegar ao coração do banco, o chamado Delta One, a mais prestigiosa das seis salas de mercados do SG, especializada em "derivativos de ações", uma atividade bastante complexa na qual o banco é líder mundial indiscutível. Nos últimos tempos, nunca trabalhava menos do que dez horas por dia, era o último a sair e freqüentemente ficava trabalhando noite adentro. Não tirava férias fazia oito meses e só havia faltado ao trabalho quatro dias. Seus colegas eram proibidos de assumir as suas operações.

Mas ele não era um operador habilitado para assumir riscos e dar conta deles, fazia o que se conhece no meio financeiro como "arbitragem". Seu trabalho em frente às quatro telas de computador que ocupavam sua mesa e às duas linhas telefônicas permanentemente grampeadas consistia em equilibrar o valor dos títulos cotados em diferentes bolsas de valores e se aproveitar das pequenas variações nos preços das ações. Basicamente comprar e vender simultaneamente, de forma que uma operação cubra a outra. Sem maiores riscos, sem saldos negativos.

Foi aí que Kerviel encontrou seu filão. Passava ordens de compra para os mercados europeus, preferencialmente Frankfurt e Londres, mas não as cobria com ordens de venda para equilibrar a operação, em vez disso realizava transações fictícias utilizando vários endereços de e-mail, senhas, e truques que havia aprendido em seus anos de controlador. Ao final de cada jornada, o balanço de suas operações se diluía com as dos demais operadores, e assim o banco não se dava conta dos grandes riscos que havia corrido; afinal de contas, para o SG só interessava o saldo final das transações.

Dessa forma, arriscando acima do permitido, ele havia conseguido lucro suficiente para exigir o bônus de 600 mil euros. E tudo ia bem até que cometeu um erro; não cobriu uma operação, despertou suspeitas e a balbuciante explicação que deu disparou o alarme. Os diretores da SG descobriram com horror na sexta-feira, 18 de janeiro, que Kerviel havia comprometido até 45 bilhões de euros nos mercados financeiros e, de acordo com o Banco da França, mantiveram em segredo para poder se desfazer do fardo assim que os mercados abriram na segunda-feira.

O resto é história. A Bolsa caiu, o SG perdeu 4,5 bilhões e outros 2 bilhões a mais por causa da crise das hipotecas. Também é possível que a decisão do Federal Reserve, o banco central dos EUA, de baixar sua taxa de juros tenha sua origem na crise criada por Kerviel.

Na quarta-feira, 23, o diretor Daniel Bouton levou a público a catástrofe. Segurando a cabeça com as mãos, abatido, definiu o discreto operador como um "dissimulador formidável" e um "gênio da informática", transformando-o numa espécie de inimigo público número um e buscando as explicações mais grosseiras.

Disseram que ele "tinha problemas pessoais"; a morte de seu pai, de câncer, há dois anos o havia afetado muito. E sua noiva o havia deixado recentemente.

Mas não parecia ser o caso. Jérôme havia fugido e os jornalistas estavam atrás do seu rastro. Em Pont L'Abbé encontraram uma tia, Sylviane Kerviel, que se transformou em porta-voz da família, e disse que a mãe de Jérôme havia viajado imediatamente a Paris para dar seu apoio ao filho. "Porque ele não estava muito bem", explicou. "Mas ele não fez nenhum mal, era um rapaz reservado, sério. Não ficou com nenhum centavo, tenho certeza disso", acrescentou. "Muitos de nós acreditamos que o banco quer que ele vista um capuz maior do que sua cabeça."

Outros, como a vizinha Yvette Lepine, acreditam que sim, que Jérôme foi afetado pela coincidência da morte de seu pai e da ruptura com a noiva, que o deixou sem dar explicações quando tudo parecia estar pronto para o casamento. "Eles iam comprar uma casa juntos, mas tudo foi por água abaixo; as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo, e acho que foi quando tudo começou a se complicar na cabeça dele". O que é certo é que seus amigos estavam preocupados com o que o stress estava causando ao jovem Kerviel. "Sempre que podia ele vinha aqui descansar um pouco do estresse parisiense", disse um primo, "mas mesmo quando estava aqui falava o tempo todo do banco e sempre parecia cansado, de tão a sério que levava seu trabalho". Sua mãe, dizem, o aconselhava a deixar o banco e encontrar uma profissão mais tranqüila. Agora se sabe que ele mandou currículos para várias instituições financeiras de Londres.

Qual será a diferença entre um viciado em jogo desesperado que tenta cobrir seus prejuízos apostando mais e mais, e um operador como Jérôme Kerviel? A pressão. Um apostador é levado pela espiral de seu vício, já um corretor é pressionado pelo ambiente de trabalho, pela competência de seus colegas e pela necessidade de reconhecimento por parte de seus superiores. Agora se sabe que nos últimos três anos outros tantos operadores do SG se suicidaram. O último, depois de realizar uma operação falida de 9 milhões de euros e ser repreendido, se atirou ao vazio.

Marcio Rezende de Freitas que se cuide

Do Ig Esportes:

"O árbitro Prakong Sukguamala foi espancado por um time inteiro depois de expulsar três jogadores do Kuiburi FC, da Tailândia, em uma partida decisiva, que mandaria um dos competidores para a segunda divisão do campeonato local.

Enfurecidos com as expulsões e com a goleada de 4 a 1 sofrida para o Kasem Bundit, os atletas do Kuiburi partiram pra cima de Sukguamala em um escritório do estádio de Ayutthaya, cidade ao norte de Bangkok.

Prakong recebeu socos, pontapés e ainda chocou-se com um espelho na confusão, que só terminou quando os policiais interviram disparando suas armas.

No hospital, onde precisou de 50 pontos, Sukguamala ainda garantiu ter conduzido a partida de forma honesta e pediu que a Federação Tailandesa de Futebol puna a equipe dos jogadores agressores. O técnico do Kuiburi, por outro lado, acusou o árbitro de ter sido corrupto, mas afirmou que pediu aos jogadores para que se acalmassem"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Uma Nova Geração de "Mártires" (Bota "Nova" Nisso Aí), Está Chegando

Vocês se espantaram com o uso de mulheres débeis mentais em atentados? Agora vejam o que a rapeizi está preparando


http://www.corriere.com/viewstory.php?storyid=71412


Não bastasse isso, o líder da Igreja Anglicana, provavelmente de férias da cúria e da razão, propõe a aplicação da lei muçulmana na Inglaterra, o que criaria em pouco tempo um enclave muçulmano dentro da ilha e, a longo prazo, quiçá um novo país:

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid121157,0.htm

MUNDIAL DE FUTSAL EM BRASÍLIA

A FIFA confirmou a realização do Mundial 2008 de Futsal nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília entre os dias 30 de setembro a 19 de outubro.
Preparem-se ! Vamos vencer os espenhóis !
No pasarán !

Martin Wolf: Por que é tão difícil controlar o setor financeiro?

Financial Times, 06/02/2008.
tradução:UOL


Quando virá a próxima crise financeira? Não sabemos. Mas de uma coisa podemos estar certos: a menos que aprendamos com esta crise, uma outra fará com que a economia mundial fique novamente em estado precário em um futuro não muito distante.

O "Financial Times" publicou várias contribuições no que se refere a lições aprendidas com a crise: Charles Goodhart, da Escola de Economia de Londres, e Avinash Persaud, da Intelligence Capital ofereceram "uma proposta sobre como evitar o próximo crash" (31 de janeiro); Francisco González, da BBVA, discutiu "O que os bancos podem aprender com a crise de crédito" (4 de fevereiro); e Daniel Heller, do Swiss National Bank, defendeu três rotas para a reforma dos bônus bancários (4 de fevereiro). O cerne do argumento de Heller é similar à minha própria contribuição ("Os reguladores deveriam intervir no pagamento dos banqueiros", 15 de janeiro), mas sem a coerção regulatória.

A grande questão é, de fato, saber se as lições precisam estar embutidas na regulação. Oponentes otimistas da regulação argumentam que os bancos aprenderam a sua lição, e comportar-se-ão de forma mais responsável no futuro. Os oponentes pessimistas temem que os legisladores possam criar uma lei Sarbanes-Oxley ajustada para a conjuntura. Eles dizem que essa lei, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2002, depois de escândalos como o da Enron, já foi suficientemente ruim. E agora os bancos poderiam passar por um sofrimento pior.

"Continuem sonhando", é a minha resposta aos otimistas. Aos pessimistas, eu respondo: sim, o perigo do excesso de regulação é real, mas também é arriscado não fazer nada.

Dois pontos se destacam em relação ao sistema financeiro nas três últimas décadas: a sua capacidade de gerar crises e o descompasso entre risco público e recompensa privada.

É verdade, no que diz respeito ao primeiro ponto, que nenhuma das crises financeiras desse período danificou seriamente a economia mundial, embora algumas tenham devastado economias individuais. Mas tal devastação é provavelmente apenas uma questão de tempo. O que estaria acontecendo agora se a inflação estivesse fora de controle ou se acabasse o apoio estrangeiro oficial ao dólar americano? Uma profunda e prolongada recessão seria provável, com devastadoras conseqüências econômicas e políticas.

É também verdade, quanto ao segundo ponto, que o setor bancário é o recebedor de maciços subsídios públicos explícitos e implícitos: ele está em grande parte garantido contra riscos de liqüidez; grande parte das suas dívidas parecem ser ativos contingentes relativos ao Estado; e os bancos centrais criam uma curva de rendimento positivo todas as vezes em que os bancos são descapitalizados, oferecendo desta maneira uma transferência direta para qualquer instituição capaz de tomar empréstimos a baixas taxas de juros e de emprestar a taxas altas.

Além disso, as instituições bancários sofrem de enormes problemas de agência - entre clientes e instituições, acionistas e gerência, e gerência e outras equipes. Tudo isso é também exacerbado pela dificuldade de monitorar a qualidade das transações até bastante tempo após o acontecimento.

Consideremos, por exemplo, o processo que trouxe empréstimos subprime para investidores em veículos de investimento especial (SIVs). Entre os últimos indivíduos nesta cadeia que tomaram empréstimos e os risk-takers (investidores que se expõem a riscos de mercado) havia os processadores de pedidos de empréstimos, criadores e promotores de passivos securitizados, agências de rating, equipes de venda, gerentes de bancos e de SIVs e gerentes de fundos de pensão e de outros fundos. Considerando-se o número de agentes e a quantidade de assimetrias de informação, é de se admirar que tão pouca coisa tenha saído errado.

Mas correram-se de fato grandes riscos. O próprio Estados Unidos dá a impressão de ser quase um gigantesco fundo de hedge. Os lucros das companhias financeiras dispararam de 5% dos lucros corporativos totais, após a dedução de impostos, em 1982, para 41% em 2007, ainda que a fatia do valor corporativo acrescentado tenha subido apenas de 8% para 16%. As margens de lucros bancários eram altas, até recentemente. Agora, finalmente, os rendimentos por ações e avaliações entraram em colapso.

Mas será que algo de efetivo pode ser feito para conter o risco implícito nisto? Para responder a isso, é preciso fazer uma distinção entre controles "micro-cautelosos" sobre as instituições e os "controles macro-cautelosos" sobre todo o sistema.

No primeiro, o consenso dos reguladores parece ser de que precisamos de ajustes para o sistema existente. Isso poderia incluir: maior atenção para com o gerenciamento de liqüidez, juntamente com um foco nas exigências de capital do acordo Basel II; mais testes de estresse dos modelos de "valores em risco; maior transparência através dos negócios, e maior independência das agências de rating em relação aos emissores.

Eu argumentaria, no entanto, que nada disso fará uma diferença suficiente. Os reguladores também precisam prestar atenção nos incentivos - especialmente na estrutura de pagamentos - dentro do negócio. Eu diria, além disso, que os reguladores precisariam adotar uma abordagem mais dura do que muitos deles fizeram no ciclo passado.

No entanto, a principal questão diz respeito à regulação macro-cautelosa. Conforme observou William White, do Bank for International Settlement, os bancos quase sempre entram em apuros em conjunto*. O mais recente ciclo de empréstimos frenéticos, seguidos por pânico e convulsão, é um exemplo paradigmático.

Uma resposta seria a elevação das exigências de capital de forma anti-cíclica, em resposta ao crescimento do crédito, conforme sugeriram os professores Goodhart e Persaud. Eles também sugerem uma relação máxima variável entre empréstimo e valor. White acrescenta que há necessidade de uma política monetária mais rigorosa.

Todas essas são idéias sensatas. Mas, conforme White também observa, a intensidade das pressões contra a "retirada das bebidas no momento em que a festa está ficando animada", para usar a famosa frase do ex-presidente do Fed, William McChesney, é formidável. Além da inércia burocrática, tal ação está sujeita tanto à incerteza inevitável quanto aos riscos das tendências atuais quanto à resistência por parte de interesses privados. Além do mais, os reguladores correm o risco constante de perder de vista a floresta sistêmica devido às árvores institucionais. Eu acrescentaria a isso tudo o simples fato de que a liberdade da política monetária dos Estados Unidos é contida pelas políticas monetária e cambiais de outros países, especialmente a China.

No fim das contas, resta para nós um dilema. Por um lado, temos um setor bancário que tem uma capacidade demonstrada de gerar grandes crises devido aos incentivos para assumir riscos subestimados. Por outro lado, carecemos da vontade e até mesmo da capacidade para regulá-lo.

Mas não contamos com nenhuma alternativa óbvia, e portanto temos que tentar fazer tal coisa. Um setor financeiro que gera grandes recompensas para quem faz parte dos seus círculos de influência e crises repetidas para centenas de milhões de expectadores inocentes é, diria eu, politicamente inaceitável no longo prazo. Aqueles que desejam que a globalização liderada pelo mercado prospere reconhecerão que este é o calcanhar de Aquiles desta globalização. Medidas efetivas devem ser tomadas agora, antes que surja uma crise global ainda maior.

* Making Macroprudential Concerns Operational, 2004, www.bis.org

O INIGUALÁVEL KEVIN O´CONNEL



O Brasil ficou mais uma vez fora da disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. Se esta informação, largamente noticiada pela imprensa brasileira, deixou alguns tristes e/ou até revoltados, isto é porque vocês não conhecem a história de Kevin O´Connel.

Kevin é um especialista em efeitos sonoros e sonorização de filmes em geral. Sua estréia em Hollywood deu-se em 1980, quando participou da equipe que, simplesmente, fez “Star Wars V”, aqui conhecido como “O Império Contra-Ataca”, cá entre nós, disparado o melhor filme da série.

De lá para cá, Kevin já trabalhou na sonorização de cerca de 160 filmes, dentre os quais uma série de “blockbusters”, como Poltergeist, Gremlins, Rambo, Top Gun, Black Rain, Godzilla, Armageddon, Pearl Harbor, Homem Aranha (1, 2 e 3), Homens de Preto, O Código Da Vinci, A Paixão de Cristo... a lista é interminável.

Já computada sua indicação este ano por Transformers, Kevin soma incríveis 20 nominações para Oscar de Melhor Som, atualmente chamado de “Best Achievement in Sound”, sendo que por duas vezes, nos anos de 1996 e 1998, foi indicado por dois filmes.

A lista completa de indicações recebidas é a seguinte: Terms of Endearment (ou “Laços de Ternura” de 1983), Dune (1984), Silverado (1985), Top Gun (1986), Black Rain (1989), Days of Thunder (1990), A Few Good Men (“Homens de Honra”, 1992), Crimson Tide (“Maré Vermelha”,1995), Twister (1996), The Rock (1996), Con Air (1997), The Mask of Zorro (1998), Armageddon (1998), The Patriot (2000), Pearl Harbor (2001), Spider-Man (2002), Spider-Man 2 (2004), Memoirs of a Geisha (2005), Apocalypto (2006) e Transformers (2007).

Todavia, acontece que o nosso amigo Kevin JAMAIS recebeu um Oscarzinho sequer, sendo popularmente conhecido como o "Biggest Loser" da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood. Desde que o prêmio foi criado, há oitenta anos, ninguém foi indicado tantas vezes sem vencer.

Para piorar, em 2007, logo após a sua 19ª derrota, Kevin não teve nem tempo de participar dos concorridos festejos que ocorrem após a Cerimônia do Oscar, pois teve de correr para o Hospital a fim de acompanhar sua mãe, que estava internada, e que faleceu exatamente naquela noite.

Resignado, este respeitadíssimo profissional da sétima arte se diz muito satisfeito, pois, dos 300 ou 400 filmes feitos nos Estados Unidos todos os anos, apenas cinco, na sua categoria, recebem o comunicado de que foram indicados para o Oscar. Em uma entrevista em 2006, após a 18ª indicação, ele se considerou um “afortunado”.

Não temos para quem “torcer” este ano? Não tem problema! Sugiro darmos uma força para o inigualável Kevin O´Connel.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Nelson Ascher, anteontem, na Folha.

QUANDO VIERAM atrás das lâmpadas incandescentes, não protestei porque já me habituara a ler à luz de outras; quando baniram os bifes, não disse nada porque podia comer pizzas; quando eliminaram os transgênicos, tampouco reclamei, pois meu salário bastava para comprar alimentos orgânicos; quando proscreveram os vôos internacionais, dei de ombros, pois já conhecia Paris, Londres, Veneza; quando tornaram proibitivo o uso de automóveis, obrigando todos a se aglomerarem em ônibus e metrôs, calei-me porque trabalhava em casa; quando plastificaram as genitálias alheias para limitar a produção de bebês, ri da história porque não me dizia respeito; quando criminalizaram a sátira, os comentários politicamente incorretos, a obesidade, o fumo etc., aí, obviamente, já era tarde demais para abrir o bico.

Poucas décadas atrás, todas as proibições mencionadas teriam parecido ridículas, quando não absurdas. Dependendo de onde a vítima viva, hoje a maioria delas se tornou real demais. E muitas estão sendo impostas aos cidadãos não por meio de mecanismos democráticos, como a discussão e o voto, mas através de lobbies endinheirados que pressionam governos para que estes imponham à sociedade as manias desta ou daquela minoria obsessiva.

O lobby mais poderoso e articulado é, sem dúvida, o dos verdes ou ecologistas. Esse pessoal não apenas meteu na cabeça que, devido a algumas variações de frações de graus nos últimos cem anos, o planeta está prestes a se derreter, como se convenceram também de que nós, ou seja, os seres humanos, é que somos a causa do suposto desastre. Gente como Al Gore, os militantes do Greenpeace e os burocratas transnacionais da ONU selecionam a dedo, entre inúmeras hipóteses contraditórias, as poucas que lhes confirmam os preconceitos, obtêm apoio de alguns cientistas que acreditam nelas, conseguem o silêncio de muitos outros e, valendo-se de modelos computacionais às vezes duvidosos, muitas vezes discutíveis e discutidos, transformam em verdade absoluta o que mal passa, no momento, de uma especulação entre tantas, declarando, precipitada e acientificamente, que se trata de consenso indiscutível. Para completar, demonizam ou isolam quem quer que levante a menor objeção.

Mas, como não faltam mais aqueles que estão devidamente habituados a/e vacinados contra seu terrorismo conceitual (e, não raro, seu terrorismo propriamente dito), o fato é que, se submetidas aos processos decisórios normais de uma democracia, as medidas que eles reivindicam para combater tais males imaginários jamais seriam referendadas pelo grosso do eleitorado. Aí entram milionários como George Soros, companhias preocupadas com o efeito da propaganda negativa, firmas interessadas em vender produtos ecologicamente corretos, economias estagnadas que vêem nessa medida uma maneira de prejudicar as que andam a pleno vapor, países, ou antes, governos e elites do Terceiro Mundo aos quais se promete certa vantagem financeira em troca de apoio e assim por diante.

Um exemplo ajuda: pouco antes de deixar a presidência dos EUA para se tornar uma presença requisitada em Davos e lobbista internacional, Bill Clinton assinou o Protocolo de Kyoto. Por que é que só o fez então? Porque sabia que o documento não tinha a menor chance de passar pelo Senado. Embora seu gesto fosse, como tal, inútil, este aumentava sua popularidade entre o jet-set internacional em detrimento, é claro, da imagem de seu país. E isso apesar de sabermos que Kyoto era praticamente inútil, que as nações mais vocalmente empenhadas em seu sucesso têm sido as que mais longe ficaram das metas propostas.

A preocupação exacerbada com o clima e o meio ambiente, coisas cujo funcionamento se conhece pouco e mal, já resultaria em problemas imediatos, pois, para a parcela miserável da humanidade, dificulta cada vez mais a superação de seu estado. O que a faz ainda pior é o fato de que seja usada para encobrir ou eclipsar as questões verdadeiramente urgentes, os perigos autênticos que nos rondam: fanatismo religioso e conflitos interétnicos, terrorismo e banditismo internacionais, contrabando de armas e narcotráfico, migrações descontroladas, ditaduras genocidas em vias de adquirir armamentos nucleares. Nada disso, porém, desviará a atenção de milhares ou milhões de militantes que, como os adeptos de qualquer seita, são movidos por dois desejos prazerosos, a saber, o de policiar a vida alheia e o de punir o sucesso de sociedades inteiras que não comungam de sua fé apocalíptica.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Sem saudade da pilha e do walkman

Esses tempos que vivemos...

Estava aqui, terminando de arrumar as malas para viajar e resolvi colocar algumas músicas no cartão de memória do celular, para escutar no avião.

Fazendo isso me lembrei do tempo que viajava quando era adolescente e, sempre de última hora, ia preparar uma fitinha cassete para também ouvir no caminho. Gastava as últimas horas antes de ir para o aeroporto (ou rodoviária) definindo as músicas, fazendo contas para não faltar ou sobrar espaço em cada lado da fita e depois tinha que esperar mais uma hora para gravação terminar.

Hoje, marquei umas 80, 90 músicas com o mouse, arrastei para o ícone do cartão de memória e dei um clique. Não demorou 5 minutos. E, ainda melhor, nem vou precisar levar o walkman e a caixa de fitas, como eu fazia quando era adolescente.

E ainda tinha que "rebobinar" usando uma caneta, para economizar pilha...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Por favor, não matem o queijo francês

O produto sofre as indignidades da industrialização, que sacrifica o sabor pela produção automatizada

31/01/2008, The Herald Tribune (tradução: UOL)
Michael Johnson, em Bordeaux, França.

Quando cheguei à Europa vindo do centro-oeste americano, vários anos atrás, fiquei maravilhado -como muitos recém-chegados antes de mim- pela famosa cozinha francesa. Mas foi o queijo que realmente explodiu minhas papilas gustativas.

Os franceses gostam de dizer que têm um queijo diferente para cada dia do ano, e também gostam de citar a frase desesperada de Charles de Gaulle: "Como pode alguém governar um país que tem 246 tipos diferentes de queijo?" Ele talvez tenha errado por cem queijos, aproximadamente, mas a tese é boa. A variedade tem seus problemas, mas de qualquer modo o mundo fica melhor assim.

De Gaulle, o campeão da França e de suas tradições, ficaria duplamente desesperado hoje ao saber que grupos do agronegócio estão comprando e pasteurizando os produtos de pequenas queijarias francesas.


Franceses oferecem queijo Roquefort diante de uma lanchonete do McDonald's em Paris

Já houve cerca de 20 variedades de camembert na Normandia, cada qual com seu próprio sabor identificável. Hoje a maioria das marcas de camembert pertence a grandes empresas alimentícias, e os processos modernos exigem pasteurização, tornando os produtos livres das bactérias que basicamente diferenciam um tipo de queijo do outro.

Seria fácil demais culpar a globalização e a busca pelo mínimo denominador comum no mercado mundial, mas seja como for os queijos insossos dominam a França hoje. A vida de prateleira prolongada é exigida pelos supermercados, e os mercados de exportação preferem queijos sem bactérias vivas. Essas variedades desnaturadas são muitas vezes embaladas em pacotes tradicionais de palha ou recipientes de madeira com rótulos que implicam o uso de métodos manuais. Os queijeiros com mais imaginação sugerem que os seus são despejados nas formas por camponeses de bigode segurando grandes colheres. Puro folclore.

O queijo francês está sofrendo as indignidades da industrialização, sacrificando a variedade e o sabor pela produção automatizada de baixo custo e alto volume. Um queijo com uma marca viável pode ser produzido em volume cem vezes maior com a robótica moderna, um bom software e muito leite pasteurizado.

Os puristas temem que em uma geração grande parte da população francesa não tenha mais lembrança de qual deveria ser o sabor de um queijo.

Um programa especial recente de três horas na televisão francesa questionou a sabedoria de se mexer nas grandes tradições queijeiras do país. Um exemplo citado foi a nova técnica de produzir queijo de cabra o ano todo, e não apenas na primavera, para maximizar as receitas. A técnica exige a inserção de esponjas de hormônio nos traseiros das cabras para acelerar seu ciclo de produção de leite.

Ironicamente, os EUA disseminaram uma viva cultura de apreciação do queijo que parece muito com o que a França já foi. Trocando de lugar com os franceses tradicionais, os queijeiros artesanais americanos se tornaram os queridinhos das casas de alimentos dos EUA. Em agosto passado, na competição anual da Sociedade Americana do Queijo, realizada em Vermont, 900 queijos americanos foram inscritos, comparados com apenas 200 alguns anos atrás.

Tom Johnson, proprietário e gerente da premiada Bingham Hill Cheese Co. em Fort Collins, Colorado, me disse que os queijos de leite cru agradam aos conhecedores por causa de seus "perfis de sabor muito mais complexos". Não há dúvida de que "a pasteurização atenua o sabor", ele disse. Johnson está decepcionado com as tendências de pasteurização na França. "O mundo sempre viu a França como o bastião do sabor e do aroma", ele disse.

Os pessimistas temem que a química acabe destruindo a indústria francesa. Já é possível produzir uma pasta de leite neutra e acrescentar sabores químicos de qualquer tipo para aproximá-lo do artigo real. Os viticultores franceses abrigam os mesmos temores sobre seus processos vinícolas naturais aperfeiçoados há séculos através das gerações.

Outro dia eu parei na minha queijaria local para ver se havia um olhar de desespero no rosto da proprietária. Eu reconheci os vapores no ar, mas reprimi meu reflexo de náusea. Três SUVs pretas gigantescas estavam estacionadas lá fora. Os preços aqui estavam bem acima das ofertas insossas de um supermercado próximo. A gerente estava ansiosa? Sua loja estava cheia de "bobos" ("bourgeois bohêmes" em francês, ou "yuppies" em inglês) disputando suas marcas favoritas. Eu me aproximei dela e disse que tinha ouvido falar que seu negócio estava condenado. "De modo nenhum", ela retrucou com voz aguda. "Pelo menos por enquanto."

A loja, pequena e original, agüentará muito bem enquanto os "bobos" estiverem dispostos a gastar mais por um pouco de tempero em sua vida, ela disse, com um pouquinho de satisfação, eu achei.

"Memories of Green" - Vangelis

Ótimo clipe com imagens do filme "Blade Runner", ao som da belíssima "Memories of Green". Falaram de Vangelis e resolvi prestar essa singela homenagem ao seu trabalho na trilha sonora da ficção-noir dirigida por Ridley Scott.

Em dezembro passado "Blade Runner" ganhou uma especialíssima edição tripla, remasterizada e com novas imagens, em comemoração aos 25 anos de seu lançamento original.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Não é só a LEGO que faz aniversário



Neste ano também comemoram-se os cinqüenta anos dos Schtroumpfs (AKA Smurfs), criados pelo Belga Peyo.

A que ponto chegaram os Congressos de Vendas



Visite o site www.ovendedorpitbull.com.br


Recebi isto hoje por email. Dizem que ainda virão por aí o "Rambo das Vendas", o "Meu nome não e Johnny das vendas", e para o meio do ano o "Homem de Ferro em Vendas".

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Nordeste independente" - canção-manifesto (1984) do repentista pernambucano Ivanildo Vila Nova

Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividido a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria senador
O cassado de roça era suplente
Cantador de viola o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca” era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
O arroz, o agave do luar
A cebola, o petróleo, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente