terça-feira, 24 de junho de 2008

Mais um grande festival


... e não vai passar na tv, nem no pay-per-view e tampouco no "pray-per-view".
GLASTONBURY 2008 - 27, 28 e 29 de Junho.
Eis algumas atrações: Kings of Leon, The Fratellis, The Gossip, KT Tunstall, Jay-Z, Amy Winehouse (se conseguir caminhar...), Manu Chao, The Raconteurs, James Blunt, Crowded House, The Verve, Leonard Cohen, Goldfrapp, Neil Diamond, John Mayer, Massacre, Gilbert O’Sullivan, Panic at the Disco, We are Scientists, Ben Folds, The Rascals, Massive Attack, Groove Armada, The Zutons, Black Mountain, The Hoodoo Gurus, The Kills, The Futureheads, Band of Horses, Spiritualized, Jimmy Cliff, Fun Lovin’ Criminals, Lupe Fiasco, Alabama, Buddy Guy, Joan Armatrading, Solomon Burke, Billy Cobham, Sinead O’Connor, Andy Fairweather Low & The Low Riders, Joan Baez, Suzanne Vega, Pete Doherty (outro que pode chegar carregado), John Cale, CSS, My Mourning Jacket, The Men They Couldn't Hang, Ron Sexsmith (sim, nosso velho conhecido o "sexosilva") , The Proclaimeres ...
... E EU NÃO MENCIONEI NEM A METADE DOS SHOWS !!!! suspiro...
maiores informações ??? http://www.glastonburyfestivals.co.uk/

Até que enfim (Folha, hoje)

Conselho de promotores do RS pede fim do MST

Texto que pede "dissolução" do movimento serve de base para 8 ações contra sem-terra"Não há como dissolver o que não existe do ponto de vista legal", diz advogado do movimento sobre o fato de o MST não ter um CNPJ EDUARDO SCOLESEDA SUCURSAL DE BRASÍLIA O Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul aprovou relatório que pede a "dissolução" do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e já serviu de base para oito ações judiciais contra sem-terra, que incluem proibição de marchas e autorização de despejos e deslocamento de acampamentos."Voto no sentido de designar uma equipe de promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade", afirma o promotor Gilberto Thums, em relatório obtido pela Folha e aprovado por unanimidade pelo conselho no final de 2007.
Os promotores, além de mirar na intervenção de escolas ligadas ao movimento, buscam agora um mecanismo jurídico para apresentar à Justiça o pedido de dissolução do MST. As ações atuais têm o apoio também do governo gaúcho, segundo os sem-terra."Nós conseguimos, com a ajuda da Polícia Militar, identificar todos [os militantes do MST]", disse o promotor Thums, que completou: "Quem invadir, quem depredar, quem praticar atos de vandalismo e de sabotagem vai ser preso, pois já estará identificado como integrante desse movimento. Vamos mover processo criminal contra eles".Para o MST, trata-se da ofensiva jurídica mais dura de sua história. Como contra-ataque, o movimento promete denunciar a ação dos promotores em organismos internacionais, como ONU (Organização das Nações Unidas) e OEA (Organização dos Estados Americanos).
Criado em 1984, o MST não existe juridicamente, portanto não é simples a tarefa de extingui-lo. Numa estratégia de blindagem, justamente contra ações como a do Ministério Público, não há um CNPJ para ser anulado nem presidente para ser preso ou processado.Para o MST, em termos de "repressão" à sua atuação, a iniciativa dos promotores só fica atrás do massacre de Eldorado do Carajás, quando, em abril de 1996, 19 sem-terra morreram em ação de desobstrução de rodovia pela PM paraense."Não há como dissolver o que não existe do ponto de vista legal. Numa hipótese doida, o que eles [promotores] poderiam fazer é [pedir à Justiça] a decisão de proibir todos de se reunirem como MST. A única possibilidade seria essa", disse Juvelino Stronzake, advogado do movimento."Se retiramos o massacre de Eldorado do Carajás, esse é o fato mais marcante da história do movimento. É significativo por ser instância do Estado tentando limitar a organização popular. Só tivemos situações como essa, de proibir marchas, na ditadura", completou.
A idéia do Ministério Público do Rio Grande do Sul é chegar ao ponto de proibir qualquer órgão do Estado de negociar contratos e convênios, com o movimento. "Cabe ao Ministério Público agir agora. Quebra a espinha dorsal do MST", diz um dos trechos do relatório.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Texto de João Ubaldo Ribeiro

Pode ser que ele esteja maluco

Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.

Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.

Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.

Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.

Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.

Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.

Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.

domingo, 22 de junho de 2008

Cuba Em Festa - Parte II - Raul Castro Libera Operações De Mudança De Sexo

Esta é uma notícia para marxistas de mentalidade aberta:


http://www.corriere.it/esteri/08_giugno_06/cuba_castro_autorizza_operazioni_cambio_sesso_ba373a36-3408-11dd-9532-00144f02aabc.shtml



O que Lênin pensaria das recentes mudanças ocorridas na Ilha, seria receptivo aos novos ventos ou defenderia a ortodoxia revolucionária? Será que Roberta um dia tomará o lugar de Stálin, Fidel e Tchê no imaginário marxista? Uma coisa é certa: não se fazem mais revolucionários como antigamente...





"Hay que endurecer... la Revolución!"

sábado, 21 de junho de 2008

Do Blog "Bola nas Costas"


Os 80 anos de uma boa idéia


Fonte: Deutsche Welle Brasil

No dia 20 de junho de 1908, a dona de casa alemã Melitta Bentz entregou o pedido de registro de patente do porta-filtro e o respectivo coador de café descartável. Até então, só se conhecia o coador de pano.

Melitta Bentz entrou para a história como inventora do revolucionário método de fazer café usando um coador descartável. Em pouco tempo, a empresa que recebeu seu nome conquistou fama internacional.

O café tornou-se conhecido na Europa no século 17. Para prepará-lo, despejava-se água quente (cozida durante cinco minutos) sobre pó de café, colocado num recipiente com furos. Na virada dos séculos 19 para 20, usavam-se filtros de cerâmica ou de metal, mas estes freqüentemente tinham furos muito grandes ou muito pequenos. Também havia os coadores de pano, mas estes eram considerados anti-higiênicos.

Aborrecida com a borra no fundo da xícara e o sabor amargo do café, Melitta Bentz começou a experimentar em casa. Aos 34 anos de idade, munida de martelo e pregos, fez pequenos furos no fundo de uma lata, sobre os quais colocou um pedaço de mata-borrão do caderno de seu filho.

Ainda insatisfeita com o resultado final, ela e o marido, Hugo Bentz (1873–1946), continuaram experimentando com outros tipos de papel, para que o líquido escorresse mais rápido. Além disso, aperfeiçoaram o recipiente que sustentava o filtro.

O resultado a agradou tanto que, em 20 de junho de 1908, ela apresentou o pedido de patente em Berlim. O registro de proteção foi oficializado em 8 de julho de 1908, na patente de número 347895.

Alguns meses depois, no dia 15 de dezembro, foi registrada a firma M. Bentz, em Dresden, com sede no próprio apartamento da família. A produção dos primeiros filtros ainda foi manual, mas logo seria terceirizada. Hugo Bentz deixou o emprego numa loja e dedicou-se à empresa da família.

Leia a íntegra da notícia AQUI

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Crise do Estado do Bem-Estar - Parte 295 - Oregon Nega Tratamento Contra Doença e Oferece Suicídio Assistido Como Alternativa (é isso mesmo)

Quem é o Secretário de Saúde do Oregon? Seria o Temporão em acúmulo de cargos públicos?



http://www.worldnetdaily.com/?pageId=67565

Na repescagem

Nos últimos 15 anos a seleção brasileira de futebol conseguiu proezas incríveis, como perder para Honduras em uma copa américa, perder para a Nigéria na "morte súbita", depois de estar vencendo por 3x1, nas olimpíadas/96, perder três finais pro México em competições oficiais...a lista é enorme.

Por isso, é de se louvar a capacidade do Dunga de conseguir um feito como o obtido neste mês: 3 jogos sem marcar gols, a primeira derrota na história para a Venezuela e a pior classificação do Brasil numa eliminatória de copa do mundo.

Ao final de outra rodada dupla das longas eliminatórias sul-americanas, o time da CBF e do Dunga está em 5º lugar, o que lhe garantiria tão somente o direito de disputar a repescagem contra uma seleção da América Central. Por sorte ainda temos 2/3 da disputa pela frente e, com mais sorte ainda, vamos trocar de técnico antes dos jogos contra Chile (fora) e Bolívia (em casa), em setembro.

Comparando com o desempenho nas duas últimas eliminatórias, é lógico que estamos piores que nunca:

Eliminatórias 2002, após 6 jogos:
11 pontos, saldo 3, 2º lugar

Eliminatórias 2006, após 6 jogos:
12 pontos, saldo 4, 1º lugar

Eliminatórias 2010, após 6 jogos:
9 pontos, saldo 4, 5º lugar

terça-feira, 17 de junho de 2008

Sobre o Khmer vermelho e sobre como a ONU custa caro.

Em Phnom Penh, Camboja, cinco ex-líderes do Khmer Vermelho, hoje idosos, estão presos e aguardando julgamento.
O regime comunista do Khmer Vermelho, que provocou a morte de 1,7 milhão de pessoas há três décadas atrás, era mais um daqueles exemplos de revolução que pretendiam criar o "homem novo", aquele modelo de ser humano à prova do egoísmo das sociedades capitalistas.
Para implantar este modelo criaram um estado brutal que exterminou seu próprio povo. Quase um quarto da população cambojana morreu de 1975 a 1979, vítima de execuções, torturas, fome ou excesso de trabalho nas brigadas de trabalho de massas criadas pelo Khmer Vermelho.

Não estou sugerindo que os nossos heróis da liberdade, que assaltaram bancos, seqüestraram diplomatas e criaram bons pretextos para a barbárie linha-dura tomar o poder, chegariam a tanto.
A gente sabe que, neste país, a esculhambação deforma tudo: do serviço rápido do MacDonald's à sanha revolucionária dos comunistas.
O atraso, verdadeira especialidade nacional, faz com que nada, absolutamente nada, funcione.
Por isso, não creio que os nossos comunistas sejam genocidas.
Mas que os f.d.p. gostam de uma ditadura, ah, gostam.

Voltando ao assunto, mais uma informação deliciosa.
O tal do tribunal que vai julgar esta gente é da ONU (de exceção!).
Quase dois anos dos três anos de mandato do tribunal já se passaram desde que ele foi criado em agosto de 2006.
Isto, após quase uma década de complicadas negociações entre a ONU e o governo do Camboja.
Quase um ano se passou desde que o primeiro dos cinco réus foi acusado no caso.
A maioria dos analistas acredita que mais dinheiro será obtido junto a doadores internacionais para ampliar o mandato do tribunal, que teve início com um orçamento de US$ 53 milhões.
Ou seja, os gênios do direito internacional não conseguiram julgar 5 pessoas com US$ 53 milhões!
Sabem por que?
Direitos humanos são uma coisa muito cara..., as comunidades tem que participar (eles inventaram uma excrecência em que as vítimas tem um papel diferente no processo...)...

Na verdade, esse pessoal da ONU e o Khmer Vermelho se merecem.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Texto bacana

Brasil, o país do presente?

Jaime Pinsky Historiador e editor, doutor e livre docente pela USP, professor titular aposentado da Unicamp, autor de O Brasil tem futuro?, entre outros livros

Um colega historiador costuma dizer que o diálogo entre economistas e historiadores é sempre muito tranqüilo, sem choques, uma vez que trabalham com objetos diferentes. Enquanto nós, dizia ele, nos contentamos em profetizar sobre o passado — e, às vezes, acertamos —, os economistas especulam sobre o futuro — e invariavelmente erram. Quem imaginaria, há poucos anos, que o dólar despencaria dessa forma em relação ao real e que nossos bancos de varejo seriam mais seguros (e já nem estou falando de lucratividade) do que o Citi ou o UBS? Lembro-me da informação que corria solta há alguns anos: a dívida externa do Brasil era “impagável”; ao que se sabe, ela virou pó. Isso tudo para não falar do pânico gerado em 2002, especialmente na área financeira, pela então provável eleição de Lula; hoje, ninguém ousa levantar uma palavra contra ele, principalmente num círculo de banqueiros. Assim, diz o bom senso que exercícios de futurologia só têm sentido se feitos para o longo prazo: pelo menos não estaremos vivos para colher os louros... do fracasso. Como amante de riscos, contudo, ousarei um pouco mais do que o bom senso recomenda. Começo discordando daqueles que querem pintar nossa esperança de cores ingênuas e ufanistas, baseando-se na retomada da nossa suposta vocação para exportar produtos como pau-brasil, açúcar, café, suco de laranja, minério e, dentro de alguns anos, dizem, petróleo. Isso bastaria, dizem, para darmos o grande salto e transformar esta terra na primeira potência tropical. Penso em grandes produtores de petróleo como a Nigéria, a Arábia Saudita, o Irã, a Venezuela e, mesmo com lentes de aumento, não consigo visualizar nenhuma potência de Primeiro Mundo entre eles; por outro lado, sabemos do alto índice de desenvolvimento do Japão, ilha inóspita incrustada no Pacífico, e do crescimento vertiginoso em países ainda há pouco insuspeitados como a Coréia, politicamente dividida e sem grandes presentes da natureza. Lembro-me, então, recorrendo à História, de que, no início do século 16, Portugal parecia ser uma potência inalcançável: estrategicamente localizada, possuía uma frota moderna, dinheiro para contratar excelentes homens do mar italianos, uma burguesia comercial em ponto de bala e até um sistema financeiro bastante desenvolvido para a época, além de terras na África, Índia e América. O uso da inquisição, a serviço do rei e da nobreza, para esmagar os mercadores (como ensina Antonio José Saraiva em Inquisição e cristãos novos), a corrupção na venda dos direitos de comando das embarcações e a burocratização e centralização administrativas — que tolhiam a iniciativa dos empreendedores mais corajosos — conseguiram impedir o desenvolvimento das forças produtivas e condenar o país a uma pasmaceira que o acompanhou por séculos. De fato, há uma conjunção de fatores econômicos favoráveis a que o Brasil chegue a uma mudança histórica, e todos nós torcemos para que isso aconteça. Mas parece claro, que eles não são suficientes para já nos sentirmos como membros de um eventual G-9. Para isso, ainda falta muito. É verdade que tentamos encontrar as razões que impedem nosso país de deslanchar e o mantêm pobre e desigual, distante do ideal que para ele traçamos. E ficamos sem entender como é que um povo que consideramos tão esperto e cordial, vivendo numa terra que achamos tão generosa, não chegou ainda ao tão ansiado primeiro mundo. Muitos de nós nos sentimos verdadeiros cidadãos do primeiro mundo quando viajamos para Miami ou Nova York, mesmo que seja só para usar a máscara do Mickey ou ver um desses musicais que só caipiras americanos ainda assistem. Demonstrar nossa suposta cidadania universal é muito importante, pois mostra que estamos descolados do Brasil terceiro-mundista, que optamos pelo progresso e pela globalização, que nada temos a ver com “aquela gente”, sejam elas os vizinhos miseráveis ou as 75 mil prostitutas brasileiras que trabalham na Europa atualmente. Assim, por meio de uma ginástica mental bastante complexa, situamo-nos no primeiro mundo como pessoa física, embora a entidade nacional e o solo em que pisamos ainda estejam patinando no terceiro. Isso nos exime da responsabilidade sobre os desmandos dos governantes, a inoperância da polícia, os sistemas previdenciários (temos planos privados de aposentadoria), de saúde (temos planos privados também aqui) e da educação (pagamos boas escolas privadas para nossos filhos) e o transporte coletivo (temos carro, por vezes até motorista particular). Somos esquizofrênicos sociais, divididos em nossa auto-imagem generosa e primeiro-mundista e nossa prática egoísta e autoritária. Enquanto nosso espelho nos mostra bons e cordiais, nosso comportamento nos revela preconceituosos e agressivos. Não assumimos a responsabilidade de nossas ações e atribuímos aos outros a culpa pelo nosso fracasso. Se não tivéssemos sido objeto do saque colonial… Se fossem os holandeses e não os portugueses... Se o clima fosse mais frio, nossas avós fariam conservas, o que aumentaria o valor agregado de nossos produtos agrícolas, já que exportaríamos doce de graviola e goiaba, não a fruta a granel... Se, se, se. A verdade é que não assumimos ainda as responsabilidades decorrentes a quem pertence a uma sociedade complexa, baseada em contratos sociais que só funcionam se forem cumpridos por todos, o que inclui, é claro, responsabilidade social, produto escasso por estas bandas. O fato de o Estado ter precedido a nação no Brasil talvez seja o motivo principal de haver um divórcio tão profundo entre governo e sociedade. Mas esse pode ser apenas um álibi. Volto, pois, à história. Fomos o último país ocidental a eliminar a instituição da escravidão. Muita tinta foi gasta para entender o motivo disso ter ocorrido (interesses do latifúndio, pressão dos comerciantes de escravos, etc.), mas agora se sabe que a escravidão não acabou antes porque grande parte da população brasileira — e não só os grandes proprietários rurais — não queria. E ela não queria que isso acontecesse porque a escravidão era confortável, as pessoas estavam acostumadas com o escravo de ganho, o auxiliar doméstico, a escrava sexual. Esse processo pode voltar a acontecer? Não seria muito confortável para muita gente continuar a viver num país de terceiro mundo, desde que seja no topo da escala social? Nesse caso o petróleo abundante nos deixaria mais perto de nos tornarmos uma Suécia, ou uma Arábia Saudita? Meu ponto é que conjuntura favorável sem vontade política não muda a história. Queremos, de fato, educação, saúde, justiça e segurança para todos? Afinal, apesar de alguns transtornos, nós nos defendemos com escolas particulares, com planos de saúde privados, com bons advogados e com grades, muros, segurança privada e carros blindados. A violência, a falta de justiça, de saúde e de educação formal atinge, profundamente, o povo, e muito menos a nós. Se quiséssemos encontrar soluções, já o teríamos feito. Ou não? Será que a escolarização pública a que são submetidos nossos jovens é igual àquela que atingia a classe média há poucas décadas? Minha geração no Estadão, o Colégio do Estado, em Sorocaba (como o Pedro II, no Rio, o Roosevelt, em São Paulo), educou prefeitos, juízes, promotores, muitos professores universitários, jornalistas, poetas. Ainda estudantes, no interior de São Paulo, fundamos e escrevemos em dois jornais, União & Cultura e Luta Estudantil. Com raras exceções, os jovens que terminam o ensino médio de hoje, na escola pública, mal conseguem preencher uma ficha de visitantes na entrada do prédio em que trabalham como porteiros. Que ensino é esse? Ou o ensino é exatamente para formar esse tipo de força de trabalho? A minha pergunta é: nós queremos, de fato, mudar? Se quiséssemos mudar a educação, não faríamos a distribuição de livros, supostamente bons, para serem utilizados por mestres, seguramente mal preparados? Mas, como me respondeu um ministro da Educação, para quem coloquei a questão, “dar livros para todas as crianças dá mais resultado eleitoral, capilaridade, do que requalificar professores”. Assim se mantém a tradicional e incurável tradição clientelista, que não se desmonta, suba quem subir ao governo. O Brasil tem futuro? Tem, sim, e é o futuro que decidirmos dar a ele. Sem determinismos geográficos ou econômicos. Sonhar grande é bom, mas insuficiente. Há que construir esse sonho, pedra a pedra. Mais difícil do que extrair petróleo e gás do fundo do mar será construir uma nação mais justa, sem o populismo, que tem servido para escamotear as desigualdades por meio de esmolas concedidas pelo poder. Cabe a nós decidir se queremos nos lançar nessa empreitada.

domingo, 15 de junho de 2008

Um vídeo no domingo


"The Shawshank Redemption", chamado no Brasil de "Um Sonho de Liberdade", é um dos meus filmes preferidos.

Baseado num conto de Stephen King, conta a história de Andrew Dufresne (Tim Robbins), um banqueiro condenado por matar a esposa e mandado para a prisão Shawshank. O filme mostra a vida de Dufresne na prisão e sua amizade, moldada ao longo de décadas, com Ellis "Red" Redding (Morgan Freeman).

Indicado a 7 Oscars em 1995, não levou nenhum. Azar da Academia, que perdeu a chance de reconhecer essa bela ode à amizade como o grande filme que é.

Abaixo, os dois minutos finais de "The Shawshank Redemption".

Seja o personagem principal

Em uma pequena loja de Berlim, na Alemanha, é possível encomendar livros nos quais o cliente é o personagem principal.

Fonte: BBC Brasil

"O que você gostaria mais? Uma história de amor, de detetives, de ficção científica ou de aventura? E que tipo de personagem você gostaria de ser? Um cavalheiro, uma rainha ou um astronauta? Quem sabe uma bruxa ou um vilão?", pergunta Michael Wäser a seus clientes.

Wäser e sua equipe de escritores escrevem histórias feitas sob medida de acordo com os desejos dos clientes: o cenário, a época, o estilo, o tema, o número e a personalidade dos personagens, tudo pode ser sugerido ou determinado pela pessoa que faz a encomenda.

Para ajudar os clientes a escolher, Wäser mostra um catálogo. Nele, estão narrações já prontas em todos os gêneros imagináveis, nas quais apenas o nome do cliente como protagonista é mudado.

Esses livros custam US$ 25. Já os escritos completamente sob medida custam US$ 260.

Presente

A maioria dos clientes da Loja de Histórias encomenda os livros para dar de presente.

Mulheres e homens pedem romances nos quais aparecem com seus companheiros em expedições remotas, resolvem juntos complicados enigmas policiais ou lutam pelo amor um do outro em cenários medievais.

"Também já fizemos histórias para grupos de velhos amigos que queriam dar a um deles uma aventura conjunta", diz Wäser.

Os clientes também podem escolher a capa, o tipo de papel e o tipo de letra usados. No futuro, poderão também encomendar ilustrações originais.

A Loja de Histórias também escreve livros para empresas, como uma clínica médica ou um hotel.

"Para hotéis, escrevemos histórias que acontecem no local, onde todo o pessoal desfila como protagonista em salas de conferência, bares, quartos e restaurantes do lugar", conta Wäser.

A loja também oferece relatos falados. São histórias narradas por locutores profissionais com efeitos sonoros e que são entregues ao comprador em um CD como se fosse uma radionovela por cerca de US$ 570.

A idéia de Michael Wäser virou um sucesso. A loja emprega dez escritores e se transformou em uma pequena fábrica de fantasias.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Música com M maiúsculo - Capítulo IV

Aproveitando a chegada da sexta-feira, e lembrando sempre que estamos em tempos de misturas absolutamente intragáveis, como Matruz com Leite, Limão com Mel, Chicletes, Bananas e outras menos conhecidas...trago uma letra de 1977 do bom e velho Chico Buarque.

Feijoada Completa não pode ser bem considerada uma letra... é sim uma verdadeira ode a este prato absolutamente identificado com a nossa Cultura e nossas raízes históricas. A letra é fruto da inteligência de um artista que, ao contrário dos acima citados, batalhou com êxito pela perenidade de sua obra.

Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dois fatos muito importantes

"Confirmando 87 - A conquista da Copa do Brasil pelo rubro-negro genérico do Recife comprova a tese há mais de 20 anos amplamente aceita pela inteligentsia esportiva brasileira: O Sport só consegue ser campeão brasileiro competindo com times da SEGUNDA DIVISÃO.

20 Anos Essa Noite - Hoje, 12 de junho, se completam 20 anos em que o bacalhau está na fila quando o assunto é decisão com o Mengão. O Vice amarga mais de 7000 dias chupando o dedo e, pelo jeito, vai continuar chupando pelos próximos 7000".

Do Urublog.

Financial Times, hoje.

Rixas entre a agricultura orgânica e industrializada não vão alimentar o mundo

John Gapper

Antigas disputas muitas vezes se acalmam por um tempo, mas basta um incidente para fazê-las se acender de novo. É o que ocorre com a discussão entre expoentes da agricultura orgânica e os que preferem a agricultura industrializada, de alta tecnologia.

A última provocação é a crise de alimentos global, que fez os preços de produtos como milho e arroz aumentarem acentuadamente: os consumidores dos países desenvolvidos sentiram a pressão nos supermercados e milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento enfrentam a fome.

O rápido aumento da demanda por alimentos é a principal causa da espiral de preços. Os biocombustíveis começaram a competir com a indústria alimentar por recursos como cana-de-açúcar e milho e, na China e na Ásia, está surgindo uma classe média emergente que quer carne de animais alimentados com cereais.

O consenso é que o mundo deve reforçar a produção agrícola para suprir a demanda maior. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na semana passada em uma reunião da organização em Roma um aumento de 50% na produção global de alimentos até 2030.

Aí termina o consenso. Esta semana a empresa de sementes americanas Monsanto, que se tornou a besta-fera dos ambientalistas europeus na década de 1990 ao promover as sementes geneticamente modificadas (GM), fez sugestões para superar a lacuna de produção. Ela quer que países como Brasil e México aumentem suas produções com métodos de alta intensidade.

A visão da Monsanto -e dos EUA- é que a agricultura no estilo americano deve se espalhar pela América Latina e a Ásia (mesmo que a África continue sendo um caso especial). Os agricultores desses lugares devem usar as sementes híbridas de alto rendimento compradas da Monsanto ou de concorrentes como a Syngenta, alimentá-las com fertilizantes e água, protegê-las com produtos químicos e extrair mais de suas terras.

A Monsanto prefere que os agricultores comprem sementes geneticamente modificadas mais caras, que resistem a insetos e exigem menos substâncias químicas. Mas até a abordagem européia -a proibição das sementes GM com adoção de outras práticas agrícolas de alta intensidade- já ajudaria, ela afirma.

"Nós somos uma parte da solução. As sementes são o ponto de partida", diz o escocês Hugh Grant, executivo-chefe da Monsanto, que está tentando reabilitar sua imagem global. Grant prometeu desenvolver sementes que duplicarão as produções de milho, soja e algodão até 2030 e exigem 30% menos água e outros insumos para crescer.

A Monsanto conquistou alguns amigos entre organizações não-governamentais, mas ainda tem muitos críticos. A Greenpeace e a Friends of the Earth dizem que "o velho paradigma da agricultura industrial, com alto uso de energia e tóxicos é um conceito do passado". Elas vêem mais esperança na agricultura de pequenos agricultores usando sementes tradicionais e menos água e substâncias químicas.

Embora pareça tentador -e adequado para a África ou lugares que não têm infra-estrutura para a agricultura high-tech-, não é a solução para a crise alimentar global. Para atingir a meta de Ki-moon, a sustentabilidade ecológica por si só é insuficiente. As produções globais devem continuar aumentando no século 21 com a mesma rapidez que apresentaram no século 20 nos EUA e na Europa.

A agricultura intensiva ou usando sementes híbridas comerciais, que devem ser replantadas todo ano, têm um longo histórico de aumentos de produção. A produção de algodão por hectare nos EUA aumentou cinco vezes desde a década de 1930, quando essas técnicas começaram. Os plantadores de milho americanos obtêm uma produção três vezes maior por hectare que os do México, Brasil e Índia.

"Não há dúvida de que essas tecnologias funcionam. Tecnicamente, são triunfos", diz José Falck-Zepeda, um bolsista pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares em Washington. Ele afirma que novas formas de sementes GM, incluindo algumas que toleram a seca ou água salobra, serão necessárias nos países em desenvolvimento afetados pela mudança climática.

Isso não significa que todos tenham de usar sementes GM; na verdade, os resultados das sementes GM nos EUA na última década foram desiguais. Os agricultores conseguiram reduzir a quantidade de trabalho e gerenciamento necessários para os cultivos, porque eles exigem menos aspersão, mas as sementes GM não aumentaram notadamente as produções.

Além disso, a agricultura industrial levou a abusos tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento. Os aqüíferos do centro-oeste dos EUA e da Califórnia estão sendo esgotados pela agricultura, que consome 70% da água do país. A terra agrícola nos países em desenvolvimento foi prejudicada pelo uso excessivo de fertilizantes e pesticidas e a irrigação inadequada.

A tecnologia por si só não basta. Os agricultores precisam investir mais em sementes e fertilizantes, o que muitas vezes exige acesso ao crédito. Se eles conseguem cultivar plantações maiores, precisam evitar riscos financeiros em mercados de futuros e vender para mercados de exportação. Muitos agricultores nos países em desenvolvimento preferem não produzir excedentes por causa dessas complicações.

Mas Grant está certo ao dizer que a Monsanto -ou a tradição que ela representa- faz parte da solução. Conduzida corretamente, a pesquisa biológica poderia ajudar a aumentar as produções enquanto reduziria a sede por produtos químicos e água. Isso poderia até ajudar a evitar a degradação da terra e o desperdício ambiental no mundo em desenvolvimento.

A história sugere que a tecnologia ajuda se for aplicada corretamente e não se esperar que ela faça todo o trabalho. Isto apresenta às ONGs e aos governos uma opção difícil: continuam resistindo à agricultura industrializada por causa de temores sobre danos ambientais ou incentivam os agricultores a tentar extrair os benefícios enquanto minimizam os efeitos colaterais?

A resposta é óbvia. Não é preciso parar de se preocupar e aprender a amar a Monsanto, mas as produções precisam aumentar para que as populações não passem fome. É necessário que as antigas disputas sejam esquecidas e os dois lados cooperem. As apostas em jogo são altas demais para não se fazer isso.