quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dois fatos muito importantes

"Confirmando 87 - A conquista da Copa do Brasil pelo rubro-negro genérico do Recife comprova a tese há mais de 20 anos amplamente aceita pela inteligentsia esportiva brasileira: O Sport só consegue ser campeão brasileiro competindo com times da SEGUNDA DIVISÃO.

20 Anos Essa Noite - Hoje, 12 de junho, se completam 20 anos em que o bacalhau está na fila quando o assunto é decisão com o Mengão. O Vice amarga mais de 7000 dias chupando o dedo e, pelo jeito, vai continuar chupando pelos próximos 7000".

Do Urublog.

Financial Times, hoje.

Rixas entre a agricultura orgânica e industrializada não vão alimentar o mundo

John Gapper

Antigas disputas muitas vezes se acalmam por um tempo, mas basta um incidente para fazê-las se acender de novo. É o que ocorre com a discussão entre expoentes da agricultura orgânica e os que preferem a agricultura industrializada, de alta tecnologia.

A última provocação é a crise de alimentos global, que fez os preços de produtos como milho e arroz aumentarem acentuadamente: os consumidores dos países desenvolvidos sentiram a pressão nos supermercados e milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento enfrentam a fome.

O rápido aumento da demanda por alimentos é a principal causa da espiral de preços. Os biocombustíveis começaram a competir com a indústria alimentar por recursos como cana-de-açúcar e milho e, na China e na Ásia, está surgindo uma classe média emergente que quer carne de animais alimentados com cereais.

O consenso é que o mundo deve reforçar a produção agrícola para suprir a demanda maior. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na semana passada em uma reunião da organização em Roma um aumento de 50% na produção global de alimentos até 2030.

Aí termina o consenso. Esta semana a empresa de sementes americanas Monsanto, que se tornou a besta-fera dos ambientalistas europeus na década de 1990 ao promover as sementes geneticamente modificadas (GM), fez sugestões para superar a lacuna de produção. Ela quer que países como Brasil e México aumentem suas produções com métodos de alta intensidade.

A visão da Monsanto -e dos EUA- é que a agricultura no estilo americano deve se espalhar pela América Latina e a Ásia (mesmo que a África continue sendo um caso especial). Os agricultores desses lugares devem usar as sementes híbridas de alto rendimento compradas da Monsanto ou de concorrentes como a Syngenta, alimentá-las com fertilizantes e água, protegê-las com produtos químicos e extrair mais de suas terras.

A Monsanto prefere que os agricultores comprem sementes geneticamente modificadas mais caras, que resistem a insetos e exigem menos substâncias químicas. Mas até a abordagem européia -a proibição das sementes GM com adoção de outras práticas agrícolas de alta intensidade- já ajudaria, ela afirma.

"Nós somos uma parte da solução. As sementes são o ponto de partida", diz o escocês Hugh Grant, executivo-chefe da Monsanto, que está tentando reabilitar sua imagem global. Grant prometeu desenvolver sementes que duplicarão as produções de milho, soja e algodão até 2030 e exigem 30% menos água e outros insumos para crescer.

A Monsanto conquistou alguns amigos entre organizações não-governamentais, mas ainda tem muitos críticos. A Greenpeace e a Friends of the Earth dizem que "o velho paradigma da agricultura industrial, com alto uso de energia e tóxicos é um conceito do passado". Elas vêem mais esperança na agricultura de pequenos agricultores usando sementes tradicionais e menos água e substâncias químicas.

Embora pareça tentador -e adequado para a África ou lugares que não têm infra-estrutura para a agricultura high-tech-, não é a solução para a crise alimentar global. Para atingir a meta de Ki-moon, a sustentabilidade ecológica por si só é insuficiente. As produções globais devem continuar aumentando no século 21 com a mesma rapidez que apresentaram no século 20 nos EUA e na Europa.

A agricultura intensiva ou usando sementes híbridas comerciais, que devem ser replantadas todo ano, têm um longo histórico de aumentos de produção. A produção de algodão por hectare nos EUA aumentou cinco vezes desde a década de 1930, quando essas técnicas começaram. Os plantadores de milho americanos obtêm uma produção três vezes maior por hectare que os do México, Brasil e Índia.

"Não há dúvida de que essas tecnologias funcionam. Tecnicamente, são triunfos", diz José Falck-Zepeda, um bolsista pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares em Washington. Ele afirma que novas formas de sementes GM, incluindo algumas que toleram a seca ou água salobra, serão necessárias nos países em desenvolvimento afetados pela mudança climática.

Isso não significa que todos tenham de usar sementes GM; na verdade, os resultados das sementes GM nos EUA na última década foram desiguais. Os agricultores conseguiram reduzir a quantidade de trabalho e gerenciamento necessários para os cultivos, porque eles exigem menos aspersão, mas as sementes GM não aumentaram notadamente as produções.

Além disso, a agricultura industrial levou a abusos tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento. Os aqüíferos do centro-oeste dos EUA e da Califórnia estão sendo esgotados pela agricultura, que consome 70% da água do país. A terra agrícola nos países em desenvolvimento foi prejudicada pelo uso excessivo de fertilizantes e pesticidas e a irrigação inadequada.

A tecnologia por si só não basta. Os agricultores precisam investir mais em sementes e fertilizantes, o que muitas vezes exige acesso ao crédito. Se eles conseguem cultivar plantações maiores, precisam evitar riscos financeiros em mercados de futuros e vender para mercados de exportação. Muitos agricultores nos países em desenvolvimento preferem não produzir excedentes por causa dessas complicações.

Mas Grant está certo ao dizer que a Monsanto -ou a tradição que ela representa- faz parte da solução. Conduzida corretamente, a pesquisa biológica poderia ajudar a aumentar as produções enquanto reduziria a sede por produtos químicos e água. Isso poderia até ajudar a evitar a degradação da terra e o desperdício ambiental no mundo em desenvolvimento.

A história sugere que a tecnologia ajuda se for aplicada corretamente e não se esperar que ela faça todo o trabalho. Isto apresenta às ONGs e aos governos uma opção difícil: continuam resistindo à agricultura industrializada por causa de temores sobre danos ambientais ou incentivam os agricultores a tentar extrair os benefícios enquanto minimizam os efeitos colaterais?

A resposta é óbvia. Não é preciso parar de se preocupar e aprender a amar a Monsanto, mas as produções precisam aumentar para que as populações não passem fome. É necessário que as antigas disputas sejam esquecidas e os dois lados cooperem. As apostas em jogo são altas demais para não se fazer isso.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ele começou a se despedir

Em sua última visita à Europa no cargo, o presidente norte-americano George W. Bush participa de um encontro de cúpula da UE na Eslovênia antes de se encontrar com os chefes de governo dos principais países do bloco.

A pauta de assuntos a serem discutidos por George W. Bush em sua viagem de seis dias à Europa inclui quase todos os assuntos relevantes da política internacional no momento: conflitos no Oriente Médio, a questão energética, proteção do clima, crise de alimentos, comércio internacional, Afeganistão e, last but not least, o Irã. A viagem começa nesta terça-feira (10/06) em Brdo, na Eslovênia.

Depois da era do ex-chanceler Gerhard Schröder, em que as relações entre Washington e Berlim se mantiveram consideravelmente adormecidas, a atual chefe de governo, Angela Merkel, tratou nos últimos anos de chegar mais perto do presidente norte-americano. No entanto, com a devida cautela, já que uma proximidade excessiva poderia causar perda de popularidade dentro da Alemanha, como bem sabe a premiê.

O mesmo não se pode dizer do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que há pouco chamou Bush de "uma das maiores lideranças" da política internacional. Opinião nem de longe dividida por Martin Schulz, líder da bancada socialista no Parlamento Europeu.

"Com sua política internacional completamente errônea, o presidente dos EUA isolou seu país mais do que qualquer um de seus antecessores. Bush fracassou em quase todos os seus esforços de fazer dos EUA uma potência hegemônica. Acima de tudo, ele tomou, com a Guerra do Iraque, uma decisão desastrosa, desprezando os Direitos Humanos e baseando-se em documentos do serviço secreto que haviam sido falsificados. Essa decisão custou a vida de milhares de soldados e civis norte-americanos, britânicos e de outros países", afirmou Schulz à Deutsche Welle.

Fonte: Deustche Welle (Leia a íntegra AQUI)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Trovador Solitário


Fonte JB online:
Em 1982, o rock nacional ainda estava sendo descoberto em festinhas e shows esporádicos. Mas já havia, em Brasília, uma cena roqueira com ascensão, decadência, evoluções – e que, naquele momento, saltava da crueza para a profissionalização. Entre o Aborto Elétrico, sua primeira banda (1978-1982), e o Legião Urbana, grupo que o tornou conhecido em todo o país (1982-1996), Renato Russo esboçara carreira solo, durante a qual, acompanhado apenas de um violão, abria shows de amigos, repassando algumas canções de sua ex-banda e tocando músicas novas. Esse desconhecido período chega às lojas em julho, pelo selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes. No nome do disco, o pseudônimo que Renato usava na época: O trovador solitário. O material foi extraído de uma fita gravada por Renato em seu quarto, só com voz e violão, em algum dia de 1982.

A pedido da família de Russo, Fróes levantou, entre 2000 e 2001, todos os tapes que o cantor guardou em seu apartamento em Ipanema até morrer, em 1996 – tal pesquisa gerou projetos como o CD Renato Russo presente (2003) e os DVDs Renato Russo Celebração (2005) e Entrevistas MTV (2006). Mas a fita do Trovador Solitário só foi descoberta em Brasília pela irmã do cantor, Carmen Manfredini.

– Não havia cópia dessa fita nos guardados do Renato – conta Fróes, que já viu esse material circular em versão pirata entre fãs. – Ela tinha sido bastante copiada e ouvida entre os amigos do Renato, mas ainda era praticamente uma lenda. O som original era bom, mas a qualidade dessas cópias em CD, muito ruim.
Leia, se quiser, a íntegra da notícia AQUI

domingo, 8 de junho de 2008

Um vídeo no domingo

Ficou famoso o gol de pênalti de Cruyff onde ele faz uma "tabelinha" antes de marcar. Recentemente o Euller ("filho do vento") repetiu a idéia numa partida do América-MG, na 2ª divisão do campeonato mineiro, dando o passe ao invés de cobrar direto.

Outro que tentou imitar Cruyff foi o francês Pires. Tentou...

Rod Stewart Arrasa Em Apresentação No Rock In Rio

Apresentação de Stewart foi a melhor da noite:


http://www.mirror.co.uk/showbiz/3am/2008/06/03/exclusive-rod-stewart-gig-review-from-rock-in-rio-89520-20593406/



O corpo pode ter envelhecido, mas a voz continua a mesma.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Mulheres Lêem Mais do que Homens

O Instituto Pró-Livro contratou o IBOPE para fazer um levantamento dos hábitos de leitura dos brasileiros, os resultados (entre os quais o título desta postagem) foram publicados e podem ser acessados no seguinte link:


http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/default.asp

Da série: Grandes festivais do mundo, os quais você não vai.


Rock In Rio Lisboa:
Local - ééééé... Lisboa
Data - De 30 de maio a 06 de Junho
Principais atrações - Lenny Kravitz, Amy Winehouse, Bon Jovi, Alanis, Rod Stewart, Joss Stone, Metallica, Machine Head, Linkin Park, Kaiser Chiefs, Muse e Orishas.

42nd Montreux Jazz Festival
Local - Montreux, às margens do Lago Geneva.

Datas - 04 a 19 de julho de 2008
Principais atrações (lenços a postos): Al Jarreau, Alicia Keys, Billy Cobham, Buddy Guy, Chaka Khan, Chico César, CSS (não o imposto...), David Sanborn, Deep Purple, Erykah Baduh, Etta James, Gary Moore, Gilberto Gil, Gnarls Barkley, Hamilton de Holanda, Herbie Hancock, Interpol, Joan Baez, João Bosco, John Mayall, K. D. Lang, Lee Ritenour, Leonard Cohen, Madness, Marcus Miller, Mart'nalia, Mick Hucnall, Milton Nascimento, Nathan East, Nazareth, Paolo Nutini, Paul Simon, Quincy Jones, Return to Forever, Robert Cray, Saxon, The Kills, The Raconteurs, Tower of Power, Travis, e mais uma centena de músicos do mundo todo.


Agora marque aqui a opção correta. Por que você não vai assistir a nenhuma destas atrações em um futuro próximo ?

a) Porque eu moro em Brasília e não há uma grande preocupação na promoção de festivais de música;
b) Porque eu moro em qualquer cidade do Brasil e não há uma grande preocupação na promoção de festivais de música;
c) Porque eu ainda não ganhei na Mega-Sena;
d) Porque eu tenho muita, muita grana, mas não faço a menor idéia de quem são esses artistas aí citados, e prefiro ficar seguindo as Micaretas que acontecem Brasil afora, u-hú.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

The New York Times, hoje.

Friedman: a hora do pragmatismo radical diante do conflito israelense-palestino

Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Em Ramallah, na Cisjordânia

Quando eu fiz reportagens em Israel, em meados da década de 1980, o grande debate aqui dizia respeito a determinar se a construção de assentamentos judeus no território ocupado da Cisjordânia tinha ultrapassado um ponto de não retorno - um ponto a partir do qual fica praticamente impossível imaginar qualquer retirada séria. A questão era freqüentemente formulada da seguinte forma: "Faltam cinco minutos para a meia-noite, ou já é meia-noite e cinco?" Bem, tendo dirigido um pouco por esta parte da Cisjordânia, como sempre faço quando visito a região, o que mais percebi foi que não estamos apenas nos cinco minutos após a meia-noite. Na verdade, passaram-se cinco minutos e mais uma semana inteira após a meia-noite.

Hoje em dia a Cisjordânia é um emaranhando feio de muros altos, postos militares de revista israelenses, assentamentos judeus "legais" e "ilegais", vilas árabes, estradas judaicas que só os colonos israelenses podem usar, estradas e barreiras árabes. Esta realidade dura e pesada não será revertida por nenhum processo convencional de paz. "A solução baseada em dois Estados está desaparecendo", afirma Mansour Tahboub, editor do jornal da Cisjordânia "Al-Alyyam".

De fato, estamos agora em um ponto no qual a única coisa que poderia funcionar é aquilo que eu chamaria de "pragmatismo radical" - um pragmatismo que é tão radical e energético quanto o extremismo que ele espera neutralizar. Sem isso, temo eu, Israel continuará permanentemente grávido de um Estado palestino morto.

O motivo pelo qual necessitamos de uma mudança radical é óbvio: a rota tradicional na qual neste momento encontram-se israelenses e palestinos não conta com energia e autoridade suficientes para gerar uma solução.
Com o encorajamento do governo Bush, Israel e a Autoridade Palestina na Cisjordânia negociam um tratado de paz que se acredita que será arquivado até que os palestinos contem com capacidade suficiente para implementá-lo. Eu duvido seriamente que as partes envolvidas chegarão a um acordo, e ainda mais que elas contem com a energia para colocá-lo em prática.

A falta de energia israelense-palestina atual ocorre em três níveis:
primeiro no nível da esperança e da confiança. Desde a derrocada do acordo de Oslo, o romance desapareceu do processo de paz. Israelenses e palestinos lembram um homem e uma mulher que, após um namoro conturbado, finalmente casam-se e, um ano depois, começam a trair-se
mutuamente: os israelenses continuam construindo assentamentos nos territórios palestinos ocupados, e os palestinos continuam construindo ódio. Quando há traição e briga após um processo de paz, a confiança desaparece por muito tempo.

O déficit de confiança é exacerbado pelo fato de que, depois que Israel saiu da Faixa de Gaza, em 2005, os palestinos, em vez de construírem lá uma Cingapura, fizeram uma Somália, e concentraram-se não na fabricação de microchips, mas na confecção de foguetes para atingir Israel.

A segunda falta de energia deve-se ao fato de Israel, com o muro que erigiu em torno da Cisjordânia, ter isolado de forma tão efetiva os homens-bomba palestinos que a população israelense não tem neste momento nenhuma sensação de urgência, especialmente quando a economia encontra-se aquecida. Para os israelenses, a Cisjordânia por detrás do muro é um lugar tão distante quanto o Afeganistão.

"Atualmente não temos nem o romantismo do processo de paz que havia antes da desintegração do acordo de Oslo, nem um desastre visível batendo às portas da consciência de Israel", observa o colunista do "Haaretz", Ari Shavit.

A terceira carência de energia reside no fato de o sistema político, tanto em Israel quanto entre os palestinos, estar tão dividido internamente que nenhuma das duas partes é capaz de contar com a autoridade para tomar uma grande decisão.

Só os Estados Unidos são capazes de superar este impasse diplomático, ao oferecerem algum pragmatismo radical, e a lógica do processo seria a
seguinte: se o presidente palestino Mahmoud Abbas não assumir em breve o controle sobre pelo menos parte da Cisjordânia, ele não contará com a autoridade para assinar qualquer tratado de paz com Israel. Abbas ficará totalmente desacreditado.

Mas Israel não pode ceder território em nenhuma parte da Cisjordânia sem contar com a garantia de que há alguém de confiança no comando. Foguetes lançados da Faixa de Gaza atingem a remota cidade israelense de Sderot. Foguetes da Cisjordânia poderiam atingir - sendo lançados de mais perto - o aeroporto internacional de Israel. Esse é um risco intolerável. Israel precisa começar cedendo território em pelo menos parte da Cisjordânia, mas de uma forma que o Estado judeu não corra o risco de ter que interditar o seu aeroporto.

O pragmatismo radical diria que a única forma de equilibrar a necessidade palestina de ter soberania já e a necessidade de Israel retirar-se já, sem, no entanto, criar um vácuo de segurança, é trazer um terceiro participante - a Jordânia - para as negociações, a fim de ajudar os palestinos a controlar qualquer território da Cisjordânia que lhes seja devolvido. A Jordânia não quer governar os palestinos, mas ela, também, tem um interesse vital em não ver a Cisjordânia cair sob o controle do Hamas.

Sem uma nova abordagem radicalmente pragmática - uma abordagem que implique na retirada israelense da Cisjordânia e no controle e soberania reais da Autoridade Palestina, mas que também aborde a questão da desconfiança profunda ao trazer a Jordânia para a mesa de negociações como parceira dos palestinos -, qualquer tratado já nascerá morto.

Barack Hussein Obama, Jr

Às 22hs de ontem (horário de Brasília), o Senador Barack Obama alcançou mais da metade do número de delegados necessários para ser o candidado democrata à presidência dos EUA.

Foi nesse horário que, com a apuração das primárias de Dakota do Sul, Obama conseguiu os 4 delegados que ainda precisava para ultrapassar a barreira dos 2.118 exigidos (ao final da apuração, ele ficaria com 6 dos 15 delegados em disputa, tendo a Senadora Clinton obtido os outros 9, ganhando a primária).

Porém, o que realmente garantiu ao Senador alcançar a vitória, em tese, foi o anúncio do apoio de quase 60 superdelegados, durante todo o dia de ontem, conforme mostra bem esse gráfico do New York Times:

Como dito acima, Obama é, em tese, o vitorioso na corrida democrata. Ele ainda não é oficialmente o candidato (apesar que seria absurdo imaginar que não venha a sê-lo).

De qualquer forma, esse filho de um queniano muçulmano, nascido no Havaí, de apenas 46 anos, já fez história.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Obituário

Uma das histórias mais famosas do grande Mané Garrincha é aquela sobre um rádio comprado por ele, na Suécia, durante a Copa do Mundo de 1958. Como é notório, Garrincha repassou o rádio pela metade do preço que havia pago, por lhe terem feito acreditar que o aparelho só "falava" sueco e não teria serventia na volta ao Brasil.

Há um epílogo, menos conhecido, para essa história, que transcrevo aqui:

"No dia seguinte, pela manhã, contei o fato ao Dr. Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação da seleção), que me deu cento e oitenta coroas para comprar outro rádio para o Garrincha. Foi o que fiz. Fui novamente a Gotemburgo, na mesma loja, comprei outro rádio e o entreguei a Garrincha, dizendo: - Mané, este fala todas as línguas. - Até que enfim, doutor, mas por que o senhor já não me ajudou assim na primeira vez?"

A história está no livro "O Eterno Futebol", de Mário Trigo, o "Dr. Mário", como tantos o chamavam. Era ainda mais engraçada quando ouvida diretamente dele e ter escutado essa e tantas outras sobre o futebol e sobre a vida, por ele tão bem vivida, foi um enorme privilégio que tive.

Dr. Mário faleceu ontem, aos 96 anos.

Além de um sensacional piadista e contador de histórias, Dr. Mário era também um competentíssimo cirurgião-dentista, pioneiro na introdução da odontologia no meio esportivo, como forma de melhorar a preparação dos atletas.

Dr. Mário tratou os jogadores da seleção brasileira na preparação para a Copa do Mundo da Suécia e acabou acompanhando a delegação. Assim, foi bicampeão mundial de futebol, nas conquistas de 1958 e 1962.

O Primeiro Amor A Gente Nunca Esquece...

Cattuspress, urgente! Depois do encontro-relâmpago entre o companheiro Feluc e o famoso escritor Paulo Coelho, cujos detalhes foram mantidos confidenciais, conseguimos, com exclusividade, uma foto do companheiro Feluc com a sua primeira namorada, na fazenda do seu tio no Rio Grande do Sul.


Obs. Feluc é o que está de boné.

Sobre o artigo da Carta Capital

Não creio que os profissionais da Carta Capital sejam piores do que a média da imprensa brasileira que, convenhamos, é de uma aridez intelectual intolerável.
Também não acredito que editores de publicações "de direita", como O Globo e o Estadão, sejam menos movidos pela ideologia do que os da Carta.
No geral, portanto, as condições que regem a produção jornalística da Carta não são muito diferentes do resto.
Todavia, o resultado é tão ruim, que somos levados a crer que há um bando de mal-intencionados escrevendo artigos como este.
Trata-se de uma mistura de determinismo histórico barato com analfabetismo grave.
O artigo começa noticiando um fato: a reunião entre Hugo Chavez e um grupo de intelectuais em Brasília, na quinta-feira 22.
Ah, ele fez uma análise expressiva do processo político em marcha na América Latina.
Desenvolve o tema com uma anedota: o bilhete.
Até aí, nada demais.
Da anedota para a sociologia: como a esquerda tem se alastrado na América Latina como um processo histórico inexorável.
Conclui: "Não há exorcismo político capaz de dar jeito nisso. Há uma unidade nessa proliferação de “diabos” neste momento. (...) As circunstâncias sociais dramáticas do continente são o fermento do caldeirão do diabo. (...) Ressurgirá sempre, mais à frente, encarnado em homens e mulheres que reagirão, talvez de forma mais agressiva, ao precário contrato social edificado sobre a miséria de milhões de pessoas.
Gente, isto não é jornalismo.
É panfleto.
Já li bons panfletos.
Não é o caso.
Eu só quero reforçar a idéia de que o proselitismo político não é crime. Mas que seja feito para alfabetizados.
E que não se passe por jornalismo.

Carta Capital, esta semana

"O caldeirão dos demônios" - Maurício Dias*

Reunido com um grupo de intelectuais em Brasília, na quinta-feira 22, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez uma análise curta e expressiva do processo político em marcha no continente. Chávez usou o diabo como metáfora da principal mudança ocorrida nos últimos dez anos na América Latina. O ponto de inflexão foi marcado, para ele, pela primeira conferência de cúpula da América Latina, Europa e Caribe, realizada no Brasil. Chávez era presidente recém-eleito. O Brasil era governado por Fernando Henrique.

Estavam todos sentados ao redor de uma mesa “muito grande”, na lembrança de Chávez. O cubano Fidel Castro falou e o venezuelano usou a palavra logo depois. Os dois mostraram muita afinidade. Fidel, através do chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, mandou um bilhete que Chávez mantém guardado e freqüentemente cita. “Fidel”, contou o presidente venezuelano, “escribió de su puño y letra”:

“Chávez! Siento que ya no soy el único diablo”.

De lá para cá, o “diabo” multiplicou-se. Além de ter aparecido como militar (Chávez) na Venezuela, tomou forma de operário (Lula) no Brasil, encarnou em um índio (Evo) na Bolívia e, na Nicaraguá, surgiu como guerrilheiro (Ortega). A última aparição, no Paraguai, é mais surpreendente: tomou o corpo de um bispo (Lugo).

Não há exorcismo político capaz de dar jeito nisso. Há uma unidade nessa proliferação de “diabos” neste momento. O processo sucede uma fase longa, em que a sociedade parecia alijada do processo. O número imenso de excluídos parecia condenado à margem da história. Após as frustradas iniciativas de rebeliões armadas, floresceram os regimes militares e, posteriormente, governos civis, tímidos e frágeis, que davam continuidade a um cenário criado pelas ditaduras: a paz dos cemitérios.

Há quem acredite que tudo isso seja um grande retrocesso. Uma involução. Acreditam que, logo, logo, as coisas voltarão aos eixos. Mas parece difícil bloquear um processo enraizado nos graves problemas sociais do Brasil, da Venezuela, do Paraguai, da Nicarágua, da Bolívia e outros. As circunstâncias sociais dramáticas do continente são o fermento do caldeirão do diabo. Nessas circunstâncias, o processo pode até mesmo ser freado. Temporariamente. Ressurgirá sempre, mais à frente, encarnado em homens e mulheres que reagirão, talvez de forma mais agressiva, ao precário contrato social edificado sobre a miséria de milhões de pessoas.

*Maurício Dias é Diretor-Adjunto da Carta Capital