O Instituto Pró-Livro contratou o IBOPE para fazer um levantamento dos hábitos de leitura dos brasileiros, os resultados (entre os quais o título desta postagem) foram publicados e podem ser acessados no seguinte link:
http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/default.asp
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Da série: Grandes festivais do mundo, os quais você não vai.

Rock In Rio Lisboa:
Local - ééééé... Lisboa
Data - De 30 de maio a 06 de Junho
Principais atrações - Lenny Kravitz, Amy Winehouse, Bon Jovi, Alanis, Rod Stewart, Joss Stone, Metallica, Machine Head, Linkin Park, Kaiser Chiefs, Muse e Orishas.
42nd Montreux Jazz Festival
Local - Montreux, às margens do Lago Geneva.
Local - ééééé... Lisboa
Data - De 30 de maio a 06 de Junho
Principais atrações - Lenny Kravitz, Amy Winehouse, Bon Jovi, Alanis, Rod Stewart, Joss Stone, Metallica, Machine Head, Linkin Park, Kaiser Chiefs, Muse e Orishas.
42nd Montreux Jazz FestivalLocal - Montreux, às margens do Lago Geneva.
Datas - 04 a 19 de julho de 2008
Principais atrações (lenços a postos): Al Jarreau, Alicia Keys, Billy Cobham, Buddy Guy, Chaka Khan, Chico César, CSS (não o imposto...), David Sanborn, Deep Purple, Erykah Baduh, Etta James, Gary Moore, Gilberto Gil, Gnarls Barkley, Hamilton de Holanda, Herbie Hancock, Interpol, Joan Baez, João Bosco, John Mayall, K. D. Lang, Lee Ritenour, Leonard Cohen, Madness, Marcus Miller, Mart'nalia, Mick Hucnall, Milton Nascimento, Nathan East, Nazareth, Paolo Nutini, Paul Simon, Quincy Jones, Return to Forever, Robert Cray, Saxon, The Kills, The Raconteurs, Tower of Power, Travis, e mais uma centena de músicos do mundo todo.
Agora marque aqui a opção correta. Por que você não vai assistir a nenhuma destas atrações em um futuro próximo ?
a) Porque eu moro em Brasília e não há uma grande preocupação na promoção de festivais de música;
b) Porque eu moro em qualquer cidade do Brasil e não há uma grande preocupação na promoção de festivais de música;
c) Porque eu ainda não ganhei na Mega-Sena;
d) Porque eu tenho muita, muita grana, mas não faço a menor idéia de quem são esses artistas aí citados, e prefiro ficar seguindo as Micaretas que acontecem Brasil afora, u-hú.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
The New York Times, hoje.
Friedman: a hora do pragmatismo radical diante do conflito israelense-palestino
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Em Ramallah, na Cisjordânia
Quando eu fiz reportagens em Israel, em meados da década de 1980, o grande debate aqui dizia respeito a determinar se a construção de assentamentos judeus no território ocupado da Cisjordânia tinha ultrapassado um ponto de não retorno - um ponto a partir do qual fica praticamente impossível imaginar qualquer retirada séria. A questão era freqüentemente formulada da seguinte forma: "Faltam cinco minutos para a meia-noite, ou já é meia-noite e cinco?" Bem, tendo dirigido um pouco por esta parte da Cisjordânia, como sempre faço quando visito a região, o que mais percebi foi que não estamos apenas nos cinco minutos após a meia-noite. Na verdade, passaram-se cinco minutos e mais uma semana inteira após a meia-noite.
Hoje em dia a Cisjordânia é um emaranhando feio de muros altos, postos militares de revista israelenses, assentamentos judeus "legais" e "ilegais", vilas árabes, estradas judaicas que só os colonos israelenses podem usar, estradas e barreiras árabes. Esta realidade dura e pesada não será revertida por nenhum processo convencional de paz. "A solução baseada em dois Estados está desaparecendo", afirma Mansour Tahboub, editor do jornal da Cisjordânia "Al-Alyyam".
De fato, estamos agora em um ponto no qual a única coisa que poderia funcionar é aquilo que eu chamaria de "pragmatismo radical" - um pragmatismo que é tão radical e energético quanto o extremismo que ele espera neutralizar. Sem isso, temo eu, Israel continuará permanentemente grávido de um Estado palestino morto.
O motivo pelo qual necessitamos de uma mudança radical é óbvio: a rota tradicional na qual neste momento encontram-se israelenses e palestinos não conta com energia e autoridade suficientes para gerar uma solução.
Com o encorajamento do governo Bush, Israel e a Autoridade Palestina na Cisjordânia negociam um tratado de paz que se acredita que será arquivado até que os palestinos contem com capacidade suficiente para implementá-lo. Eu duvido seriamente que as partes envolvidas chegarão a um acordo, e ainda mais que elas contem com a energia para colocá-lo em prática.
A falta de energia israelense-palestina atual ocorre em três níveis:
primeiro no nível da esperança e da confiança. Desde a derrocada do acordo de Oslo, o romance desapareceu do processo de paz. Israelenses e palestinos lembram um homem e uma mulher que, após um namoro conturbado, finalmente casam-se e, um ano depois, começam a trair-se
mutuamente: os israelenses continuam construindo assentamentos nos territórios palestinos ocupados, e os palestinos continuam construindo ódio. Quando há traição e briga após um processo de paz, a confiança desaparece por muito tempo.
O déficit de confiança é exacerbado pelo fato de que, depois que Israel saiu da Faixa de Gaza, em 2005, os palestinos, em vez de construírem lá uma Cingapura, fizeram uma Somália, e concentraram-se não na fabricação de microchips, mas na confecção de foguetes para atingir Israel.
A segunda falta de energia deve-se ao fato de Israel, com o muro que erigiu em torno da Cisjordânia, ter isolado de forma tão efetiva os homens-bomba palestinos que a população israelense não tem neste momento nenhuma sensação de urgência, especialmente quando a economia encontra-se aquecida. Para os israelenses, a Cisjordânia por detrás do muro é um lugar tão distante quanto o Afeganistão.
"Atualmente não temos nem o romantismo do processo de paz que havia antes da desintegração do acordo de Oslo, nem um desastre visível batendo às portas da consciência de Israel", observa o colunista do "Haaretz", Ari Shavit.
A terceira carência de energia reside no fato de o sistema político, tanto em Israel quanto entre os palestinos, estar tão dividido internamente que nenhuma das duas partes é capaz de contar com a autoridade para tomar uma grande decisão.
Só os Estados Unidos são capazes de superar este impasse diplomático, ao oferecerem algum pragmatismo radical, e a lógica do processo seria a
seguinte: se o presidente palestino Mahmoud Abbas não assumir em breve o controle sobre pelo menos parte da Cisjordânia, ele não contará com a autoridade para assinar qualquer tratado de paz com Israel. Abbas ficará totalmente desacreditado.
Mas Israel não pode ceder território em nenhuma parte da Cisjordânia sem contar com a garantia de que há alguém de confiança no comando. Foguetes lançados da Faixa de Gaza atingem a remota cidade israelense de Sderot. Foguetes da Cisjordânia poderiam atingir - sendo lançados de mais perto - o aeroporto internacional de Israel. Esse é um risco intolerável. Israel precisa começar cedendo território em pelo menos parte da Cisjordânia, mas de uma forma que o Estado judeu não corra o risco de ter que interditar o seu aeroporto.
O pragmatismo radical diria que a única forma de equilibrar a necessidade palestina de ter soberania já e a necessidade de Israel retirar-se já, sem, no entanto, criar um vácuo de segurança, é trazer um terceiro participante - a Jordânia - para as negociações, a fim de ajudar os palestinos a controlar qualquer território da Cisjordânia que lhes seja devolvido. A Jordânia não quer governar os palestinos, mas ela, também, tem um interesse vital em não ver a Cisjordânia cair sob o controle do Hamas.
Sem uma nova abordagem radicalmente pragmática - uma abordagem que implique na retirada israelense da Cisjordânia e no controle e soberania reais da Autoridade Palestina, mas que também aborde a questão da desconfiança profunda ao trazer a Jordânia para a mesa de negociações como parceira dos palestinos -, qualquer tratado já nascerá morto.
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Em Ramallah, na Cisjordânia
Quando eu fiz reportagens em Israel, em meados da década de 1980, o grande debate aqui dizia respeito a determinar se a construção de assentamentos judeus no território ocupado da Cisjordânia tinha ultrapassado um ponto de não retorno - um ponto a partir do qual fica praticamente impossível imaginar qualquer retirada séria. A questão era freqüentemente formulada da seguinte forma: "Faltam cinco minutos para a meia-noite, ou já é meia-noite e cinco?" Bem, tendo dirigido um pouco por esta parte da Cisjordânia, como sempre faço quando visito a região, o que mais percebi foi que não estamos apenas nos cinco minutos após a meia-noite. Na verdade, passaram-se cinco minutos e mais uma semana inteira após a meia-noite.
Hoje em dia a Cisjordânia é um emaranhando feio de muros altos, postos militares de revista israelenses, assentamentos judeus "legais" e "ilegais", vilas árabes, estradas judaicas que só os colonos israelenses podem usar, estradas e barreiras árabes. Esta realidade dura e pesada não será revertida por nenhum processo convencional de paz. "A solução baseada em dois Estados está desaparecendo", afirma Mansour Tahboub, editor do jornal da Cisjordânia "Al-Alyyam".
De fato, estamos agora em um ponto no qual a única coisa que poderia funcionar é aquilo que eu chamaria de "pragmatismo radical" - um pragmatismo que é tão radical e energético quanto o extremismo que ele espera neutralizar. Sem isso, temo eu, Israel continuará permanentemente grávido de um Estado palestino morto.
O motivo pelo qual necessitamos de uma mudança radical é óbvio: a rota tradicional na qual neste momento encontram-se israelenses e palestinos não conta com energia e autoridade suficientes para gerar uma solução.
Com o encorajamento do governo Bush, Israel e a Autoridade Palestina na Cisjordânia negociam um tratado de paz que se acredita que será arquivado até que os palestinos contem com capacidade suficiente para implementá-lo. Eu duvido seriamente que as partes envolvidas chegarão a um acordo, e ainda mais que elas contem com a energia para colocá-lo em prática.
A falta de energia israelense-palestina atual ocorre em três níveis:
primeiro no nível da esperança e da confiança. Desde a derrocada do acordo de Oslo, o romance desapareceu do processo de paz. Israelenses e palestinos lembram um homem e uma mulher que, após um namoro conturbado, finalmente casam-se e, um ano depois, começam a trair-se
mutuamente: os israelenses continuam construindo assentamentos nos territórios palestinos ocupados, e os palestinos continuam construindo ódio. Quando há traição e briga após um processo de paz, a confiança desaparece por muito tempo.
O déficit de confiança é exacerbado pelo fato de que, depois que Israel saiu da Faixa de Gaza, em 2005, os palestinos, em vez de construírem lá uma Cingapura, fizeram uma Somália, e concentraram-se não na fabricação de microchips, mas na confecção de foguetes para atingir Israel.
A segunda falta de energia deve-se ao fato de Israel, com o muro que erigiu em torno da Cisjordânia, ter isolado de forma tão efetiva os homens-bomba palestinos que a população israelense não tem neste momento nenhuma sensação de urgência, especialmente quando a economia encontra-se aquecida. Para os israelenses, a Cisjordânia por detrás do muro é um lugar tão distante quanto o Afeganistão.
"Atualmente não temos nem o romantismo do processo de paz que havia antes da desintegração do acordo de Oslo, nem um desastre visível batendo às portas da consciência de Israel", observa o colunista do "Haaretz", Ari Shavit.
A terceira carência de energia reside no fato de o sistema político, tanto em Israel quanto entre os palestinos, estar tão dividido internamente que nenhuma das duas partes é capaz de contar com a autoridade para tomar uma grande decisão.
Só os Estados Unidos são capazes de superar este impasse diplomático, ao oferecerem algum pragmatismo radical, e a lógica do processo seria a
seguinte: se o presidente palestino Mahmoud Abbas não assumir em breve o controle sobre pelo menos parte da Cisjordânia, ele não contará com a autoridade para assinar qualquer tratado de paz com Israel. Abbas ficará totalmente desacreditado.
Mas Israel não pode ceder território em nenhuma parte da Cisjordânia sem contar com a garantia de que há alguém de confiança no comando. Foguetes lançados da Faixa de Gaza atingem a remota cidade israelense de Sderot. Foguetes da Cisjordânia poderiam atingir - sendo lançados de mais perto - o aeroporto internacional de Israel. Esse é um risco intolerável. Israel precisa começar cedendo território em pelo menos parte da Cisjordânia, mas de uma forma que o Estado judeu não corra o risco de ter que interditar o seu aeroporto.
O pragmatismo radical diria que a única forma de equilibrar a necessidade palestina de ter soberania já e a necessidade de Israel retirar-se já, sem, no entanto, criar um vácuo de segurança, é trazer um terceiro participante - a Jordânia - para as negociações, a fim de ajudar os palestinos a controlar qualquer território da Cisjordânia que lhes seja devolvido. A Jordânia não quer governar os palestinos, mas ela, também, tem um interesse vital em não ver a Cisjordânia cair sob o controle do Hamas.
Sem uma nova abordagem radicalmente pragmática - uma abordagem que implique na retirada israelense da Cisjordânia e no controle e soberania reais da Autoridade Palestina, mas que também aborde a questão da desconfiança profunda ao trazer a Jordânia para a mesa de negociações como parceira dos palestinos -, qualquer tratado já nascerá morto.
Barack Hussein Obama, Jr
Foi nesse horário que, com a apuração das primárias de Dakota do Sul, Obama conseguiu os 4 delegados que ainda precisava para ultrapassar a barreira dos 2.118 exigidos (ao final da apuração, ele ficaria com 6 dos 15 delegados em disputa, tendo a Senadora Clinton obtido os outros 9, ganhando a primária).
Porém, o que realmente garantiu ao Senador alcançar a vitória, em tese, foi o anúncio do apoio de quase 60 superdelegados, durante todo o dia de ontem, conforme mostra bem esse gráfico do New York Times:
terça-feira, 3 de junho de 2008
Obituário
Uma das histórias mais famosas do grande Mané Garrincha é aquela sobre um rádio comprado por ele, na Suécia, durante a Copa do Mundo de 1958. Como é notório, Garrincha repassou o rádio pela metade do preço que havia pago, por lhe terem feito acreditar que o aparelho só "falava" sueco e não teria serventia na volta ao Brasil.
Há um epílogo, menos conhecido, para essa história, que transcrevo aqui:
"No dia seguinte, pela manhã, contei o fato ao Dr. Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação da seleção), que me deu cento e oitenta coroas para comprar outro rádio para o Garrincha. Foi o que fiz. Fui novamente a Gotemburgo, na mesma loja, comprei outro rádio e o entreguei a Garrincha, dizendo: - Mané, este fala todas as línguas. - Até que enfim, doutor, mas por que o senhor já não me ajudou assim na primeira vez?"
A história está no livro "O Eterno Futebol", de Mário Trigo, o "Dr. Mário", como tantos o chamavam. Era ainda mais engraçada quando ouvida diretamente dele e ter escutado essa e tantas outras sobre o futebol e sobre a vida, por ele tão bem vivida, foi um enorme privilégio que tive.
Dr. Mário faleceu ontem, aos 96 anos.
Além de um sensacional piadista e contador de histórias, Dr. Mário era também um competentíssimo cirurgião-dentista, pioneiro na introdução da odontologia no meio esportivo, como forma de melhorar a preparação dos atletas.
Dr. Mário tratou os jogadores da seleção brasileira na preparação para a Copa do Mundo da Suécia e acabou acompanhando a delegação. Assim, foi bicampeão mundial de futebol, nas conquistas de 1958 e 1962.
Há um epílogo, menos conhecido, para essa história, que transcrevo aqui:
"No dia seguinte, pela manhã, contei o fato ao Dr. Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação da seleção), que me deu cento e oitenta coroas para comprar outro rádio para o Garrincha. Foi o que fiz. Fui novamente a Gotemburgo, na mesma loja, comprei outro rádio e o entreguei a Garrincha, dizendo: - Mané, este fala todas as línguas. - Até que enfim, doutor, mas por que o senhor já não me ajudou assim na primeira vez?"
A história está no livro "O Eterno Futebol", de Mário Trigo, o "Dr. Mário", como tantos o chamavam. Era ainda mais engraçada quando ouvida diretamente dele e ter escutado essa e tantas outras sobre o futebol e sobre a vida, por ele tão bem vivida, foi um enorme privilégio que tive.
Dr. Mário faleceu ontem, aos 96 anos.
Além de um sensacional piadista e contador de histórias, Dr. Mário era também um competentíssimo cirurgião-dentista, pioneiro na introdução da odontologia no meio esportivo, como forma de melhorar a preparação dos atletas.
Dr. Mário tratou os jogadores da seleção brasileira na preparação para a Copa do Mundo da Suécia e acabou acompanhando a delegação. Assim, foi bicampeão mundial de futebol, nas conquistas de 1958 e 1962.
O Primeiro Amor A Gente Nunca Esquece...
Cattuspress, urgente! Depois do encontro-relâmpago entre o companheiro Feluc e o famoso escritor Paulo Coelho, cujos detalhes foram mantidos confidenciais, conseguimos, com exclusividade, uma foto do companheiro Feluc com a sua primeira namorada, na fazenda do seu tio no Rio Grande do Sul.

Obs. Feluc é o que está de boné.

Obs. Feluc é o que está de boné.
Sobre o artigo da Carta Capital
Não creio que os profissionais da Carta Capital sejam piores do que a média da imprensa brasileira que, convenhamos, é de uma aridez intelectual intolerável.
Também não acredito que editores de publicações "de direita", como O Globo e o Estadão, sejam menos movidos pela ideologia do que os da Carta.
No geral, portanto, as condições que regem a produção jornalística da Carta não são muito diferentes do resto.
Todavia, o resultado é tão ruim, que somos levados a crer que há um bando de mal-intencionados escrevendo artigos como este.
Trata-se de uma mistura de determinismo histórico barato com analfabetismo grave.
O artigo começa noticiando um fato: a reunião entre Hugo Chavez e um grupo de intelectuais em Brasília, na quinta-feira 22.
Ah, ele fez uma análise expressiva do processo político em marcha na América Latina.
Desenvolve o tema com uma anedota: o bilhete.
Até aí, nada demais.
Da anedota para a sociologia: como a esquerda tem se alastrado na América Latina como um processo histórico inexorável.
Conclui: "Não há exorcismo político capaz de dar jeito nisso. Há uma unidade nessa proliferação de “diabos” neste momento. (...) As circunstâncias sociais dramáticas do continente são o fermento do caldeirão do diabo. (...) Ressurgirá sempre, mais à frente, encarnado em homens e mulheres que reagirão, talvez de forma mais agressiva, ao precário contrato social edificado sobre a miséria de milhões de pessoas.
Gente, isto não é jornalismo.
É panfleto.
Já li bons panfletos.
Não é o caso.
Eu só quero reforçar a idéia de que o proselitismo político não é crime. Mas que seja feito para alfabetizados.
E que não se passe por jornalismo.
Carta Capital, esta semana
"O caldeirão dos demônios" - Maurício Dias*
Reunido com um grupo de intelectuais em Brasília, na quinta-feira 22, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez uma análise curta e expressiva do processo político em marcha no continente. Chávez usou o diabo como metáfora da principal mudança ocorrida nos últimos dez anos na América Latina. O ponto de inflexão foi marcado, para ele, pela primeira conferência de cúpula da América Latina, Europa e Caribe, realizada no Brasil. Chávez era presidente recém-eleito. O Brasil era governado por Fernando Henrique.
Estavam todos sentados ao redor de uma mesa “muito grande”, na lembrança de Chávez. O cubano Fidel Castro falou e o venezuelano usou a palavra logo depois. Os dois mostraram muita afinidade. Fidel, através do chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, mandou um bilhete que Chávez mantém guardado e freqüentemente cita. “Fidel”, contou o presidente venezuelano, “escribió de su puño y letra”:
“Chávez! Siento que ya no soy el único diablo”.
De lá para cá, o “diabo” multiplicou-se. Além de ter aparecido como militar (Chávez) na Venezuela, tomou forma de operário (Lula) no Brasil, encarnou em um índio (Evo) na Bolívia e, na Nicaraguá, surgiu como guerrilheiro (Ortega). A última aparição, no Paraguai, é mais surpreendente: tomou o corpo de um bispo (Lugo).
Não há exorcismo político capaz de dar jeito nisso. Há uma unidade nessa proliferação de “diabos” neste momento. O processo sucede uma fase longa, em que a sociedade parecia alijada do processo. O número imenso de excluídos parecia condenado à margem da história. Após as frustradas iniciativas de rebeliões armadas, floresceram os regimes militares e, posteriormente, governos civis, tímidos e frágeis, que davam continuidade a um cenário criado pelas ditaduras: a paz dos cemitérios.
Há quem acredite que tudo isso seja um grande retrocesso. Uma involução. Acreditam que, logo, logo, as coisas voltarão aos eixos. Mas parece difícil bloquear um processo enraizado nos graves problemas sociais do Brasil, da Venezuela, do Paraguai, da Nicarágua, da Bolívia e outros. As circunstâncias sociais dramáticas do continente são o fermento do caldeirão do diabo. Nessas circunstâncias, o processo pode até mesmo ser freado. Temporariamente. Ressurgirá sempre, mais à frente, encarnado em homens e mulheres que reagirão, talvez de forma mais agressiva, ao precário contrato social edificado sobre a miséria de milhões de pessoas.
*Maurício Dias é Diretor-Adjunto da Carta Capital
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Música com M maiúsculo - capítulo III
Nestes momentos lamentáveis da nossa recente história, em que jogos de futebol no Brasil são lembrados por causa do laser no olho do goleiro, da fumaça dos sinalizadores, do jogador que não pode comemorar gol porque apanha, da selvageria de confusões como a do jogo Botafogo e Náutico neste último final de semana, dentre outras sandices; uma letra simples e direta dos Novos Baianos.
"Reis da Bola" é o que poderia ser chamado de um rock-frevo da melhor qualidade, escrito por Galvão, Pepeu e Moraes Moreira, para o excelente disco de 1974.
"Reis da Bola" é o que poderia ser chamado de um rock-frevo da melhor qualidade, escrito por Galvão, Pepeu e Moraes Moreira, para o excelente disco de 1974.
REIS DA BOLA
Esses onze ai
Esse onze ai
Esses onze ai
Esse onze ai
Vem do jogo de rua
Da bola de meia
É anos e anos de futebol
Correndo na veia
Sabe o que é
Fazer que vai por aí como uma flecha passou
É o drible é Jair
É o drible é Jair
É aí é pulo, abraço e beijo é todo mundo louco
É água, é água, é água, é água de côco
É fé, raça, é crânio, é tudo mundo louco
E tudo isso porque somos da terra do Rei Pelé.
Esses onze ai
Esse onze ai
Esses onze ai
Esse onze ai
Vem do jogo de rua
Da bola de meia
É anos e anos de futebol
Correndo na veia
Sabe o que é
Fazer que vai por aí como uma flecha passou
É o drible é Jair
É o drible é Jair
É aí é pulo, abraço e beijo é todo mundo louco
É água, é água, é água, é água de côco
É fé, raça, é crânio, é tudo mundo louco
E tudo isso porque somos da terra do Rei Pelé.
sábado, 31 de maio de 2008
Angela das Farc Arrumou Emprego No Brasil (e quem paga o salário é você)
Vocês lembram de Francisco Antonio Cadena Collazos? Mais conhecido com Oliverio Medina, ele é o "embaixador" das Farc no Brasil, onde conseguiu o status de refugiado político pelo Comitê Nacional para Refugiados em 14 de julho de 2006, conseguindo assim evitar ser extraditado para a Colômbia, onde é procurado por vários crimes.
Collazos é casado com Angela Maria Slongo, a qual, provavelmente por não aguentar a separação do seu doce cônjuge, veio também para o Brasil, sendo agraciada com dois cargos públicos. A notícia está na revista Veja desta semana:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/040608/mainardi.shtml
Collazos é casado com Angela Maria Slongo, a qual, provavelmente por não aguentar a separação do seu doce cônjuge, veio também para o Brasil, sendo agraciada com dois cargos públicos. A notícia está na revista Veja desta semana:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/040608/mainardi.shtml
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Animal - "Wild Thing" - a pedidos
Clássico do compositor Chip Taylor (irmão de Jon Voight), imortalizado pelos The Troggs, e aqui interpretado por um de nossos bateristas favoritos.
terça-feira, 27 de maio de 2008
"Tetra Tri" faz aniversário
Há exatos sete anos o Flamengo conquistava o campeonato carioca pela terceira vez consecutiva - 1999, 2000 e 2001. Essa foi a quarta vez que o Mengão foi tricampeão* e, vale lembrar, nunca um time carioca foi tetra em toda história do campeonato do Rio**.
O que esse título carioca de 2001 teve de especial para merecer ser lembrado aqui? Bem, além de ser o quarto tricampeonato (ou tetra tri), foi também o terceiro vice-campeonato seguido do vasquinho, nosso querido freguês. Para deixar a conquista mais saborosa, o Mengão entrou em desvantagem e no jogo final precisava vencer por dois gols de diferença. E até os 43 minutos do segundo tempo o jogo estava 2 x 1. Aí? Bem, aí aconteceu aquele que é o segundo gol de falta mais bonito e mais importante da história do Mengão (o primeiro, sem dúvida, foi o gol do Zico na final da Libertadores).
O que esse título carioca de 2001 teve de especial para merecer ser lembrado aqui? Bem, além de ser o quarto tricampeonato (ou tetra tri), foi também o terceiro vice-campeonato seguido do vasquinho, nosso querido freguês. Para deixar a conquista mais saborosa, o Mengão entrou em desvantagem e no jogo final precisava vencer por dois gols de diferença. E até os 43 minutos do segundo tempo o jogo estava 2 x 1. Aí? Bem, aí aconteceu aquele que é o segundo gol de falta mais bonito e mais importante da história do Mengão (o primeiro, sem dúvida, foi o gol do Zico na final da Libertadores).
Confira o lance e o final da partida, na imparcial narração desse vídeo:
*Os outros Tricampeonatos foram em 1942/43/44, 1953/54/55 e 1978/79/79 especial
** O botafoguinho venceu quatro campeonatos, em 1932/33/34/35, mas os últimos três foram disputados em uma Liga amadora, paralela à Liga profissional onde estavam Flamengo, vasquinho e fluzinho.
"É um grande passo na direção certa"
Do Valor Econômico, hoje:
Crítico dos gastos públicos na área social, o prêmio Nobel de Economia de 2006, o americano Edmund Phelps, vê no programa Bolsa Família um acerto do governo Lula que pode melhorar o dinamismo da economia brasileira. "É um grande passo na direção certa", afirmou ontem, após participar da abertura do XX Fórum Nacional, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Na íntegra aqui
Crítico dos gastos públicos na área social, o prêmio Nobel de Economia de 2006, o americano Edmund Phelps, vê no programa Bolsa Família um acerto do governo Lula que pode melhorar o dinamismo da economia brasileira. "É um grande passo na direção certa", afirmou ontem, após participar da abertura do XX Fórum Nacional, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Na íntegra aqui
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