quinta-feira, 13 de março de 2008

Política Externa Brasileira

Filipe,

eu sou, no fundo, um isolacionista.
Meu sentimento não se refere às pessoas comuns.
Acho que, na America Latina, a maioria das pessoas gosta do Brasil e dos brasileiros.
Mas faça uma roda de pessoas em certos países e vc verá como mudam as coisas. Vai ser um tal de Brasil imperialista... E os governos sabem disso e jogam com este sentimento conforme as conveniências.
Todos eles querem uma boquinha: passamos anos com deficit no comércio com a Argentina, financiamos a parte do Paraguai na construção de Itaipu, fomos enrabados pela Bolivia, boa parte manda contrabando pro Brasil (drogas, armas e pobres, no caso da Bolivia).
Aumentamos o comercio com estes países? É verdade. Mas eu regularia estas relações. Intimidade demais, não !
O mesmo critério serve pra qualquer relação bilateral: o interesse nacional deve ser atendido e SÓ ! Isto significa que devemos ter um comércio exterior que financie o bem-estar dos brasileiros, TODOS.
Alianças ideológicas são muito perigosas, à direito e à esquerda.
Eu sou pró-Israel, mas jamais colocaria o nome do Brasil num pacto com este país. Atenderia os interesses de Israel, não os nossos. Não gosto dos árabes: não tem cultura democrática e são lenientes com o fanatismo. Mas, se quiserem encher as burras com produtos brasileiros, ótimo, mas sem tapinhas nas costas.
O mesmo serve pra Europa, China, o que for.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Tocador de MP3 comemora 10 anos de vida

Oito músicas ! Eu disse oito músicas senhora ! É pegar ou largar !


Extraído do site de notícias G1:

Há dez anos surgia o primeiro tocador de MP3 do mundo, de acordo com o site 'The Register".

De fabricação coreana, o MPMan tinha memória flash de 32 MB (suficiente para cerca de oito músicas) e um pequeno visor LCD com informações básicas sobre a faixa em execução. Segundo o site, o aparelho revolucionário foi apresentado como protótipo na feira alemã de tecnologia Cebit em 1998. Em maio do mesmo ano ele começou a ser produzido em larga escala para o lançamento nos Estados Unidos e na Europa.

Com 16,5 cm de altura - equivalente a dois iPods colocados um sobre o outro - o MPMan era fabricado pela Saehan Information Systems e custava US$ 250, mas passou a ser vendido por US$ 200 no ano seguinte para concorrer com o Rio PMP300. O rival também tinha 32 MB de memória, mas contava com entradas para aumentar sua capacidade.

Apenas para lembrar, o atual modelo IPOD CLASSIC 160GB, da Apple, comporta até 40.000 músicas, 50.000 fotos e até 200 horas de vídeo - ou qualquer combinação destes itens, toca até 40 horas sem parar, possui conexão USB e pesa cerca de 160 gramas.

Evolução considerável para um período tão curto de tempo.

Alta de 5,4% no PIB de 2007

"Uma das principais lições transmitidas pelo crescimento da economia em 2007 é a de que está na hora de rever as teorias que condenam as políticas de renda como promotoras do crescimento, em razão dos generalizados desarranjos econômicos futuros de que, hipoteticamente, seriam portadoras potenciais. Os fortes aumentos reais do salário mínimo, a ampliação da abrangência dos programas de transferência condicionada de renda e a resistência a encolher os benefícios da previdência social pública estão na base dos resultados que agora se comemoram."

José Paulo Kupfer, hoje no seu blog.

El País, hoje.

vejam o que o jornal de esquerda El País diz sobre Correa.

Dados de computador apreendido das Farc sugerem a colaboração de Rafael Correa
Maite Rico Enviada especial a Bogotá

O Equador se transformou no santuário das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Depoimentos de ex-combatentes e o conteúdo dos computadores da guerrilha apreendidos na operação militar que acabou com a vida de seu número 2, Raúl Reyes, revelam detalhes inéditos sobre a colaboração do governo equatoriano com as Farc. Graças às redes de corrupção envolvidas com autoridades locais e militares, o grupo armado estabeleceu pelo menos oito acampamentos estáveis, de onde realiza tráfico de armas, transporte de drogas, trânsito de seqüestrados e doutrinamento das populações."Toda a zona de fronteira é segura no lado equatoriano", conta Miguel, um membro da segurança de Raúl Reyes que abandonou recentemente a luta armada e vive na clandestinidade perto de Bogotá. "Fazemos nossos acampamentos em sítios e nos abastecemos nas comunidades. Altos comandos militares nos apóiam com a logística, armamentos, barracas e uniformes. Na Frente 48 usamos uniformes equatorianos porque é mais fácil do que esperar que o Secretariado os mande da Colômbia".Os guerrilheiros se movimentam pelo norte do Equador em caminhonetes Toyota, como constatou um funcionário da Organização de Estados Americanos (OEA), que expressou em particular a surpresa que lhe causou encontrar em um refeitório na área de fronteira membros das Farc perfeitamente equipados.

Nesse território liberado, a guerrilha estabeleceu corredores para o transporte de cocaína, principal fonte de financiamento. "De Putumayo chegam as caminhonetes carregadas com pasta-base, que os agricultores preparam, e pelas estradas equatorianas seguem para oeste e entram de novo na Colômbia por Nariño, onde estão os laboratórios. Depois a droga volta a sair pelo Equador até a costa", explica Miguel, que conhece muito bem o terreno por ter sido um comando médio da Frente 48 durante mais de dez anos, e que agora entrou, como milhares de seus companheiros, em um programa de reinserção. Graças às "mensalidades" que recebem das Farc, as autoridades locais fazem vista grossa. "Os chefes de polícia avisam os fiscais para que nos deixem passar. Em El Carmelo, no cruzamento da fronteira, há uma base do exército equatoriano que controla a estrada. Também está comprada"."Detectamos 11 acampamentos em solo equatoriano", diz uma fonte da inteligência colombiana. "Oito grandes, com oficinas, arsenais, pistas de treinamento na área do rio San Miguel, e três menores perto do rio Putumayo". As oito bases permanentes (Rancherías, San José, El Arenal, La Isla, onde Raúl Reyes viveu dois anos, El Limón, La Escalera, Farfán e Puerto Mestanza) acompanham a fronteira norte do Equador de leste a oeste.Dessa retaguarda a Colômbia sofreu 39 ataques das Farc nos últimos quatro anos. Um deles causou a morte de 22 soldados na localidade de Teteyé. "Entregamos 16 relatórios à Comissão Binacional para Assuntos Fronteiriços, e mais oito à chancelaria equatoriana, sobre a presença das Farc em seu solo", diz um alto funcionário colombiano. "Eles negam ou simplesmente não respondem".Bogotá diz entender agora essa atitude. Essa mina que é o computador de Reyes revelou as relações políticas mantidas pelas Farc com o governo de Quito no mais alto nível. O número 2 da guerrilha fala sobre duas reuniões, em 18 de janeiro e 28 de fevereiro deste ano (véspera de sua morte), com emissários do presidente Rafael Correa. Um deles é seu ministro da Segurança, Gustavo Larrea. O presidente equatoriano propõe se reunir com os comandos da guerrilha em Quito, estabelecer "coordenações sobre a fronteira binacional", minimizar os efeitos do Plano Colômbia contra o narcotráfico com denúncias das fumigações, "trocar os comandos da força pública" hostis à guerrilha. Trata-se de neutralizar o presidente colombiano, Álvaro Uribe, representante "da Casa Branca, das multinacionais e das oligarquias".A indignação de Correa pelo ataque colombiano à base de Reyes se transformou em virulência quando essas duas mensagens eletrônicas foram reveladas na última terça-feira. Chamou Uribe de "mentiroso e insolente" e disse que associá-lo às Farc era "uma desfaçatez". Depois justificou a presença da guerrilha com o empenho de seu governo para conseguir a libertação dos seqüestrados.O problema, disse Correa, é que a Colômbia não cuida de suas fronteiras. "É muito cinismo", respondem em Bogotá. "O governo do Equador se nega a estabelecer mecanismos de cooperação. Com o Peru temos patrulhas conjuntas nos rios e ali não há problemas de acampamentos. Com o Equador quisemos fazer o mesmo e foi impossível". Para compensar, o ministro da Segurança Larrea, que tão boas relações fez com Raúl Reyes, acaba de propor a mobilização de capacetes-azuis da ONU entre os dois países.

Número um das Farc teria ajudado a campanha eleitoral de Correa

Dois documentos encontrados no computador de Raúl Reyes, o número 2 das Farc, sugerem que a guerrilha apoiou economicamente a campanha presidencial de Rafael Correa em 2006. "Em nota enviada ao Secretariado, explico sobre a ajuda dada à campanha de Rafael Correa, de acordo com sua instrução", diz Reyes ao chefe da guerrilha, Pedro Antonio Marín, o Tirofijo. "O coronel anunciou que voltará a me visitar na semana que vem com a finalidade de explicar a estratégia para o segundo turno."Os intercâmbios não terminam aí. Em outra mensagem eletrônica a que EL PAÍS teve acesso, datada de 12 de outubro de 2006, três dias antes do primeiro turno eleitoral, o setuagenário Tirofijo anuncia a Reyes que "o Secretariado está de acordo em proporcionar ajuda aos amigos do Equador". Ao todo US$ 100 mil. "Pode informar imediatamente aos amigos, antes que seja tarde, a quantia da ajuda".

Miguel, que foi membro da segurança de Reyes e hoje está em um programa de reinserção, confirma que a equipe de Correa buscou o apoio da guerrilha para sua campanha. Os primeiros contatos foram estabelecidos através de uma célula de presos das Farc na prisão de Quito. Os enviados de Correa (um major do exército, um agente de alfândega e um de seus mais estreitos colaboradores na campanha) "nos informaram que se apoiássemos a campanha de Rafael econômica e moralmente, se Correa chegasse à presidência, poderia haver alguns benefícios para as Farc, como por exemplo um diálogo sobre a segurança fronteiriça".Até aquela prisão também peregrinou o ex-presidente Lucio Gutiérrez. "Pediu nosso apoio para seu partido, a Sociedade Patriótica, nas legislativas. Como Correa, queria uma reunião com os dirigentes", lembra Miguel. Mas Gutiérrez tinha um problema em sua ficha: "As Farc estavam decepcionadas pela detenção de Simón Trinidad, um de nossos chefes, em Quito em 2005. Lucio disse que não teve responsabilidade. Mas não o ajudamos".

Correa ganhou as eleições no segundo turno, em 26 de novembro de 2006. A partir daí, segundo Miguel, as Farc designaram um novo interlocutor para levar adiante os contatos. Era um traficante de armas equatoriano chamado Patricio González, fornecedor da guerrilha durante 25 anos e homem de confiança de Tirofijo. González recebeu dois convites para assistir em nome das Farc à posse de Rafael Correa, em 15 de janeiro de 2007.

Elio Gaspari, hoje.

Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968

A vítima, que ficou sem a perna, recebe R$ 571; Diógenes, da turma da bomba, fica com R$ 1.627
D AQUI A OITO dias completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio Filho, de 22 anos, deixou seu carro numa garagem da avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era.)Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto comercial destruída. O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada.A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato de Edson Luís de Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5 provocou o surgimento da esquerda armada. Até onde é possível fazer afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente teria havido o AI-5.O caso de Lovecchio tem outra dimensão. Passados 40 anos, ele recebe da Viúva uma pensão especial de R$ 571 mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua vida, caminha com uma prótese, é corretor e imóveis e mora em Santos com a mãe e um filho.A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma aposentadoria de R$ 1.627 mensais, reconhecendo ainda uma dívida de R$ 400 mil de pagamentos atrasados.Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois quartéis, participou de quatro assaltos, três atentados a bomba e uma execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes, entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando saía de casa. Tudo isso antes do AI-5.Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano depois foi trocado pelo cônsul japonês, seqüestrado em São Paulo. Durante o tempo em que esteve preso, ele foi torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia iria enorme distância. O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba, Chile, China e Coréia do Norte. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o "Diógenes do PT". Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o jogo do bicho, deixou o partido em 2002.Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao cidadão que organizou a explosão que o mutilou. (Um projeto que re- vê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada petista Mariângela Duarte, está adormecido na Câmara.)Em 1968, antes do AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de Diógenes uma vítima e de Lovecchio um estorvo. Afinal, os terroristas também sonham.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Blu-ray x Hd DVD - a guerra continua ?



Extraído do site português "sapo":

Para os que pensavam que a luta entre formatos de DVD de alta definição tinha terminado com a vitória do Blu-ray, surge agora uma novidade, mais concretamente um novo formato, incompatível com o sistema defendido pela Sony, denominado HD VMD.

A britânica New Medium Enterprises, responsável pela criação do HD VMD, refere que o novo sistema oferece as mesmas capacidades do Blu-ray mas a um preço muito mais reduzido, o que o torna, à partida, "bem mais atractivo" para o mercado de consumo.

De acordo com o New York Times, o novo formato é mais económico por fazer uso de um raio de laser vermelho ao invés do azul, utilizado pelo Blu-ray e pelo seu antigo concorrente HD-DVD.

De qualquer forma, e apesar das diferenças - e semelhanças -, a New Medium Enterprises assegura que não quer competir com a Sony ou com o formato que esta protege. Os objectivos da empresa europeia passam antes pela oferta de alternativas aos consumidores que não têm poder de compra suficiente para adquirir leitores ou DVDs de alta definição, oferecendo-lhe um produto mais económico e com qualidade.

O primeiro leitor de HD VMD, que foi apresentado ao público pela primeira vez na CES, em Las Vegas, começará a ser vendido dentro de cinco semanas através da Amazon por um preço que deverá rondar os 175 dólares. Para já, o equipamento só estará disponível na loja online, já que não faz parte dos planos imediatos da empresa disponibilizá-lo em grandes superfícies comerciais como as lojas Wal-Mart ou outras semelhantes.

Por enquanto, ainda não são conhecidos quaisquer apoios de grandes estúdios ao formato, mas isso parece não incomodar a empresa que, neste momento, só tem 17 filmes disponíveis em HD VMD. Para já, o objectivo fundamental é ganhar apoios em mercados como a China, Índia, Espanha, Austrália, Europa Central, Rússia e Escandinávia.

No entender da New Medium Enterprises, o facto de o seu presidente ser Michael Jay Solomon pode ser um dos pontos que mais jogará a favor da companhia. Isto porque o responsável é um dos mais respeitados homens da história da distribuição de filmes em Hollywood e antigo presidente da Warner Brothers International Television.

domingo, 9 de março de 2008

O respeito à inviolabilidade territorial

"Ao sair da reunião (do Grupo do Rio), os participantes estavam eufóricos com o fim da crise, oficializado na declaração final do encontro, que formalizou o pedido de desculpas da Colômbia ao Equador e selou o compromisso por parte de Bogotá de que o fato não voltará a acontecer...O encerramento destoou completamente do clima que marcou a maior parte do dia...O mexicano Felipe Calderón evocou o princípio da inviolabilidade territorial; a presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que a ilegalidade se combate com mais legalidade."

A citação acima (os grifos em vermelho são do blog) está no artigo publicado ontem na Folha, do enviado a Santo Domingo Samy Adghirni. A íntegra pode ser lida aqui.

Outros textos sobre a origem da crise, das Farc e dos desdobramentos dessa semana que passou:
Luiz Felipe Alencastro, Estadão de hoje;
Wálter Fanganiello Maierovitch, na Carta Capital desta semana.

Q.W.E.R.T.Y.

Quando Christopher Sholes inventou e patenteou um padrão para teclados de máquinas de escrever, há 140 anos, baseou-se na idéia de afastar as letras mais usadas umas das outras. Assim, as hastes de metal das antigas máquinas não se enganchariam, evitando seu travamento, aumentando a produtividade do datilógrafo e a vida útil do aparelho.

A disposição das letras criadas por Sholes ficou conhecida como QWERTY, que nada mais é do que as seis primeras teclas da primeira linha alfabética.

Sholes vendeu a patente do teclado para uma empresa de máquinas de costura chamada E. Remington and Sons, que em 1873 começaria a vender a primeira máquina de escrever QWERTY.
Primeira máquina de escrever Remington, com teclado Qwerty

Como foi feito para "dificultar" a datilografia, o QWERTY não é o melhor layout em matéria de ergonomia. Sua lógica de disposição das letras exige uso da duas mãos e excessiva movimentação sobre as teclas, trazendo mais esforço ao usuário.

Apesar disso o teclado de Sholes continua padrão de mercado, ainda que o próprio desenvolvimento das máquinas passasse a evitar travamentos. E mais: com as máquinas elétricas as hastes foram trocadas por uma esfera com letras (typeball).

Das máquinas elétricas, o QWERTY passou para as teclas de computador. E aparelhos que unem celulares e computadores portáteis para serem chamados de "espertos" precisam de um tecladinho à la Sholes. Domínio quase absoluto.

Quase, pois já na década de 30 do século passado, um professor de Seatle chamado August Dvorak criou um modelo alternativo, baseado em estudos para reduzir a fatiga causada pelo QWERTY. O teclado Dvorak, como ficou conhecido, nunca pegou, mas vem ganhando adeptos recentemente. Há quem defenda retirar as letras do teclado, manualmente, e recolocá-las seguindo o modelo Dvorak, instalando um programa que permita ao computador adotar esse padrão.

Em 2006 um novo modelo, chamado de COLEMAK, apareceu como alternativa entre os dois padrões acima. O Colemak é mais similar ao QWERTY e também mais ergonômico.

Toda essa cultura inútil foi só para compartilhar uma conclusão: ser o padrão em um mercado não significa ter o melhor produto. Nem o mais barato. Nem o mais moderno.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Um silêncio nada inocente

Eu não quero entrar em polêmica viu, Filipe.
Na verdade, eu estou com nojo, enjoado.
A repulsa que eu sinto da diplomacia brasileira...
Por isso, vou deixar o Clóvis Rossi falar por mim.
Abraços a todos.

Feluc



Um silêncio nada inocente
Clóvis Rossi, FSP, hoje.

MADRI - Dizem que o presidente equatoriano, Rafael Correa, exige desculpas muito claras da Colômbia para voltar atrás em sua decisão de romper relações com o vizinho. É justo. Mas também é justo que Correa peça desculpas aos colombianos -mais que ao governo da Colômbia- por ter permitido o "passeio" de reféns das Farc pelo Equador, conforme depoimento de um dos seqüestrados recentemente libertado. Ou, posto de outra forma: o Exército colombiano invadir território do Equador é condenável, mas as Farc adotarem o mesmo comportamento é aceitável? Nesse conflito sul-americano que tem facetas bem macondianas, até pelos personagens envolvidos, um fato precisa ficar bem nítido e claro: luta armada contra um governo legítimo é intolerável. Apoiá-la é apoiar igualmente todas as violações aos direitos humanos praticados pelos delinqüentes das Farc, violações que ganharam a atenção da mídia a partir da libertação recente de alguns reféns, mas que são cometidas -eventualmente até piores- há muitíssimos anos contra muitíssimos reféns. O que chama especialmente a atenção nesses episódios é o silêncio, denso, das mulheres que se dizem de esquerda. Tiveram papel relevante, no Brasil, na luta pelo respeito aos direitos humanos. Como é que silenciam agora, quando há tantas barbaridades praticadas por um grupo que se diz de esquerda, mas é apenas criminoso? Tratamento desumano a prisioneiros, quando praticado por ditaduras de direita, é inaceitável, óbvio. Mas vale quando praticados por "companheiros de rota"? Ou essas mulheres, como o presidente Hugo Chávez, respeitam o "projeto político" das Farc, o que inclui respeitar torturas, seqüestros e assassinatos? Abu Ghraib não pode, mas "cárcere do povo" na selva, com idênticas torturas, pode?

McCain X Alguém

Ontem resisti ao sono enquanto pude para acompanhar os resultados das "primárias" americanas para escolha dos candidatos a suceder Bush jr. As confusas regras e a lenta apuração, porém, impediram saber resultados mais concretos até hoje cedo. No Texas o resultado final ainda está em aberto.

Pelo lado republicano, John McCain logo no início da noite confirmou o óbvio e se tornou o candidato oficial, ao ultrapassar os 1.191 delegados necessários com as vitórias nas prévias de Ohio, Texas, Rhode Island e Vermont.

Senador pelo Arizona e ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, McCain é o menos pior dos candidatos republicanos, sendo inclusive rechaçado pela ala ultra-conservadora da direita americana - aquela que acredita em adão e eva e que os dinossauros foram extintos a tiros de winchester por colonos puritanos.

McCain fez uma campanha impressionante, já que não era considerado favorito no fim do ano passado e, em alguns meses, acabou sendo escolhido com relativa facilidade. E vem bem nas pesquisas nacionais: tanto contra Hillary Clinton como contra Barack Obama, o resultado está em empate técnico, o que é muito para quem é o candidato da atual Administração.

Brincando, dá para dizer que McCain venceu a Taça Guanabara, já está na final do Carioca e vai esperar tranquilo o adversário. Enquanto isso, os democratas se engalfinham numa disputa cada vez mais suja.

Ontem, Hillary voltou a vencer depois de doze consecutivas derrotas em prévias. Obama ainda levou Vermont no início da noite, mas em seguida a ex-primeira dama conquistou Rhode Island.

Mais importante ainda foi a vitória em Ohio, por algo em torno de 54% x 44% dos votos. Isso garantirá à Clinton uns 15 delegados a mais, num universo de 141 em disputa no estado.

Analistas atribuem a vitória dela a um imbrólio envolvendo um assessor de Barack com a Embaixada no Canadá. Segundo consta, o assessor teria, por escrito, tranquilizado os canadenses dizendo que a postura do pré-candidato contra o NAFTA era só retórica de campanha. Os cidadãos de Ohio, estado industrial, não gostam do acordo de livre-comércio. Ironicamente, o NAFTA é obra do governo de Bill Clinton...

No Texas, talvez o estado com regras mais complicadas dentre as prévias democratas, Hillary venceu as primárias (votos nas urnas) por uma diferença de 3% dos votos. Mas ainda há o caucus (assembléias de eleitores) sendo apurado, onde tudo indica que Obama sairá vitorioso.

No fim das contas, a diferença entre os dois deve continuar em torno de 150 delegados a favor de Obama. Mas Hillary conquistou 3 dos 4 estados em disputa ontem, o que garante uma enorme vitória psicológica. Ela consegue, assim, reequilibrar um jogo que alguns já consideravam quase perdido.

O partido do burrico vai continuar empacado por alguns meses ainda, pelo jeito, sem decidir seu candidato.

terça-feira, 4 de março de 2008

O Jeito

"Time Amigo" - um epíteto ultrapassado

É mais um golo !! como diria o avô Fetter...



Caros amigos, não há dúvidas sobre a superioridade do time do Flamengo nesta final de 1987. O Inter tinha alguns bons jogadores, mas seus destaques principais eram Taffarel, Winck e Amarildo. Ou seja, não dava para segurar o último grande time montado na Gávea, com Zico, Bebeto, Renato Gaúcho, Zinho e outros.

Ainda assim, o time do Inter conseguiu arrancar um empate no primeiro jogo e só perdeu no segundo pelo placar mais simples, em um gol de Bebeto.

Caímos de pé, inquestionavelmente, até porque ao longo do campeonato os dois times se encontraram e o poderoso Flamengo foi superado pelo Inter em dois tentos a zero.

PORÉM, e sempre há um porém, sobretudo no futebol, essa estória de "time amigo" pertence a um passado distante.

De fato se formos considerar, por exemplo, os resultados de todos os encontros entre alvirrubros gaúchos e rubro-negros cariocas, desde que o campeonato brasileiro passou a ser de pontos corridos, a superioridade colorada é flagrante e indiscutível.

Vamos aos números:

2003

24/07/2003 - 20:30 - Flamengo-RJ 2x1 Internacional-RS

29/11/2003 - 18:00 - Internacional-RS 3x1 Flamengo-RJ

2004

16/05/2004 - 16:00 - Flamengo/RJ 1x2 Inter/RS

08/09/2004 - 21:50 - Inter/RS 0x0 Flamengo/RJ

2005

08/05/05 - 16:00 - Internacional/RS 1x0 Flamengo/RJ

08/09/05 - 20:30 - Flamengo/RJ 1x1 Internacional/RS

2006

30/04/06 - 16:00 - Internacional/RS 1x0 Flamengo/RJ

02/09/06 - 18:10 - Flamengo/RJ 1x2 Internacional/RS

2007

16/06/07 - 18:10 - Flamengo/RJ 2x2 Internacional/RS

08/09/07 - 16:00 - Internacional/RS 3x0 Flamengo/RJ

Ou seja, nos últimos 10 jogos, temos 6 vitórias do Inter, 3 empates e apenas uma vitória do Flamengo, lá no primeiro jogo da lista, no longínquo julho de 2003.

Não sei não, para mim quem tem um time "amigo" assim, não carece de inimigos.


segunda-feira, 3 de março de 2008

Hoje é Natal na Gávea

"Dia do nascimento do Messias, do Salvador do Flamengo".

Zico, 55 anos hoje

Craque. Ídolo. Mito. Referência maior de um time que venceu tudo que poderia ser vencido. Maior artilheiro da história do Flamengo. Maior artilheiro da história do Maracanã. Zico.

Se Pelé era uma máquina, quase sobre-humano, aliando ao seu talento uma extraordinária força física, Zico sofreu com o corpo franzino e lutou muito para se tornar um atleta de ponta. Passou por um longo e até então inédito programa de desenvolvimento físico, que o fez ganhar seis centímetros de altura e nove quilos, dos 17 aos 21 anos de idade.

Apenas depois disso Zico, em 1974, se firmaria como titular do Flamengo, numa idade em que hoje os jogadores já estão na Europa.

Uma vez li o Tostão escrevendo que todo craque brilha apenas em uma parte de sua carreira. Depois ainda se mantém em alto nível, mas jogador algum permanece no auge por muito tempo. Bem, se Zico demorou para se tornar um craque incontestável, brilhou intensamente por um longo período, sem dúvida alguma.

De 1974 a 1982 o "Galinho" manteve uma média de 49 gols por ano, apenas em jogos pelo Flamengo. Sem contar todas as assistências para gols do Nunes. De 1983 a 1985 jogou na pequena Udinese, na Itália, e ainda assim teve enorme destaque: marca 19 gols no Italiano de 1984, ficando apenas um atrás de Michel Platini, que havia feito seis jogos a mais.

No total foram 56 gols em 79 jogos na Itália, mesma média que teve como jogador do Flamengo: cerca de 0,70 gol por jogo. Para se ter uma idéia, Ronaldo, que é centroavante (enquanto Zico era meia), tem uma média de 0,71.

Em agosto de 1985, já de volta ao Rubro-Negro, Zico sofre uma entrada brutal de um zagueiro do Bangu em seu joelho esquerdo. Por conta da contusão, passou por três cirurgias, uma a cada ano, de 1985 a 1987. A última aconteceu no dia seguinte à conquista do Tetra-Campeonato Brasileiro, na antológica vitória sofre o simpático colorado gaúcho, aquele time amigo.

Apesar de ainda ter jogado mais duas temporadas, 1987 foi o último grande ano desse grande craque. Tanto que, aos 34 anos, levou a Bola de Prata da revista Placar. A décima de sua carreira, aliás - recebeu ainda outras 4 Bolas de Prata, 3 Bolas de Ouro e 2 Bolas de Prata de Artilheiro. É o recordista da história da premiação.

Hoje, dia de seu aniversário de 55 anos, nenhum torcedor do Flamengo ou fã de futebol pode deixar de lhe desejar parabéns.