segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Melhores de 2007



Melhores de 2007

The Best of 2007

quei migliori di 2007

le meilleur de 2007

das beste von 2007

het beste van 2007

самое лучшее 2007

el mejor de 2007

το καλύτερο αυτός του 2007

2007 年の最もよい物

最佳部分2007 年


Ok amigos, chegou a hora das famigeradas listas de melhores do ano. Mas quero deixar bem claro uma coisa: esta lista não contempla a minha opinião sobre as melhores músicas lançadas ou gravadas em 2007.

Isso fica para o companheiro Filipe que tem a incrível habilidade de escutar uma compilação das gravações da Billie Holiday gravada durante sua festa de debutante enquanto, concomitantemente, descobre o novo single de uma banda de post-alt-country da Dinamarca, com previsão de lançamento para fevereiro de 2008, cujos masters vazaram ontem à noite.

Quase nada da minha lista foi feito em 2007. Essa é tão somente uma lista das melhores coisas que eu descobri ou redescobri neste ano e que acabaram ficando mais de uma semana no player. E não está nem em ordem de importância. Fui catando de memória mesmo e rastreando as pastas que estão no computador.

Lá vai então este (talvez inédito) Top 66:

1 - Pure Imagination – Bob James

2 - Kothbiro – Ayub Ogada

3 - Baro – Habib Koite

4 - Raio de Sol – Recordando o Vale das Maçãs

5 - Morricolemen – Akineton Retard

6 - Jura de Pombo – Alaíde Costa

7 - Theme de Yo Yo – Art Ensemble of Chicago

8 - If I Only Have The Words – Billy Joel

9 - Lay Down Your Weary Tune – Bob Dylan

10 - 7:42 – Cluster

11 - Alala – Cansei de Ser Sexy

12 - That Was The Day – Daniel Wylie

13 - Think Twice – Donald Byrd

14- Round and Round – Edgar Winter

15 – Free Ride – Edgar Winter

16 – We All Had a Real Good Time – Edgar Winter

17 - Fotheringay - Fairport Convention

18 - Crosstown Traffic – Gil Evans

19 - W S Walcott The Medicine Show – The Band

20 - Little Green – Joni Mitchell

21 - Soldier of The Heart – Judee Sill

22 - Udu Wudu – Magma

23 - Mekanik Destruktiw Kommandoh - Magma

24 - Blood and Thunder – Mastodon

25 - Our Velocity – Maximo Park

26 - Girls Who Play Guitars – Maximo Park

27 - Too Many Cooks – Mick Jagger

28 - Saudade dos Aviões da Panair – Milton Nascimento

29 - You Have Killed Me – Morrissey

30 - You Need Love – Muddy Waters

31 - Way Back Into Love – Hugh Grant & Haley Bennet

32 - Look What You’ve Done – Jet

33 - I Hear a New World – Joe Meek

34 - Ereção – Orquestra Imperial

35 - Jenny Do Not Be Hasty – Paolo Nutini

36 - Gipsy Storie – Phoenix

37 - Fearless – Pink Floyd

38 - A Long Long Day – Paul Simon

39 - My Ashes – Porcupine Tree

40 - Precious – Pretenders

41 - Birmingham – Randy Newmann

42 - Nirvana For Mice – Henry Cow

43 - Sea Song – Robert Wyatt

44 - Stay Tuned – Robert Wyatt

45 - A Beautiful Peace – Robert Wyatt

46 - Conversa de Botequim – Dolores Duran

47 - Tell Mama – Etta James

48 - The Way She Looks at You – Sharon Tandy

49 - Teeth – Soft Machine

50 - Sunshine of your love – Spanky Wilson

51 - This Town ain’t be enough – Sparks

52 - Ace of Wands – Steve Hackett

53 - Zoom – Super Furry Animals

54 - Speed of sound – Coldplay

55 – The Hardest Part - Coldplay

56 - Jessica – The Almann Brothers

57 - Jesus Was a Crossmaker – Hollies

58 - Reckless – Tilly and The Wall

59 - I Always Knew – Tilly and The Wall

60 - Roupa X – Tokyo

61 - Espelhos Quebrados – Radio de Outono

62 - The Lions and The Cucumber – Vampire’s Sound Corporation

63 - Little Billy – The Who

64 - The Dirty Jobs – The Who

65 - Helicopter – XTC

66 - For The Greater Good of God – Iron Maiden


Em Dezembro morreu todo mundo

Dezembro deste ano que se encerra ficará na memória como o mês em que morreram importantes artistas ligados estilos musicais totalmente díspares, senão vejam:








Dia 07 de dezembro foi-se o compositor alemão de vanguarda (famoso, dentre outras coisas, por seu concerto para 04 helicópteros e quarteto de cordas !!!) - Karlheinz Stockhausen








Dia 12, um dos pioneiros da mistura de rock, blues e soul - mais lembrado, porém e infelizmente, por ser um dos inspiradores da Lei Maria da Penha - Ike Turner;



Dia 17, os fãs do soft-rock e da rádio Antena 1 ficaram um pouco mais melancólicos do que o normal. Foi anunciada a morte de Dan Fogelberg, autor do mega-sucesso dos anos 70 "Longer".







Finalmente, no dia 23, morreu um dos mais velozes e precisos pianistas de jazz, Oscar Peterson. Tinha 82 anos e deixou uma vasta obra que merece ser conhecida por inteiro (aliás um dos itens da minha lista de resoluções do ano que se avizinha.).

domingo, 30 de dezembro de 2007

Guitarras & Violões

Isto aqui é uma guitarra:








Fender American Stratocaster




Já isto aqui é A guitarra:









Gibson Les Paul 1960 Reissue



Isto aqui é um violão:








Takamine 24 Fret Classical




Já esta aqui é O violão:
































Anna Falchi




Por último, nem um violão nem uma guitarra, e sim uma caixa de lata encordoada, muito apreciada à beira do Mississípi e em Pires do Rio:








Dobro

Felix deseja um Feliz 2008 a todos os Companheiros-Blogueiros ! :)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sugestão de presentes para o final de ano nº 3.968



Você está participando de uma daquelas brincadeiras do tipo "Inimigo Oculto" ? ou então você tem uma sobrinha cuja idade gravita entre os oito e os doze anos ? Batata ! Não deixe passar o "novo" cd desta que, segundo o site da Som Livre, é "uma das novas musas do pop nacional", Kelly Key.

Seu "novo" álbum - "Kelly Key 100%" - contém doze (!!!) regravações de seus "grandes" sucessos, três faixas inéditas e está disponível no site das Lojas Americanas em uma "Jewel Box" (seja lá o que isso for...) pelo preço de R$ 11,90. Melhor do que a Livraria Cultura que oferece o mesmo produtor por R$ 14,90 (um absurdo).

Dentre as regravações estão - "Pegue e Puxe" e "O Analista" (do disco "Por que não" de 2006); "Barbie Girl" e "Papinho" (do disco "Kelly Key" de 2005); "Adoleta", "Por Causa de Você" e "Chic Chic" (do disco "Do Meu Jeito" de 2003); além das indefectíveis (...pelo menos para os propósitos acima citados...) “Cachorrinho” e “Baba” do premiado disco de estréia de 2001.


Ainda segundo a gravadora, a série 100% foi criada para oferecer ao público compilações de gêneros musicais populares. O repertório reúne sempre os maiores sucessos da carreira de cada artista, com preços acessíveis e já lançou CD e DVD das bandas Calypso e Saia Rodada, e CDs do cantor Belo e do grupo Revelação.

Agora, se você quiser comprar um dos grandes lançamentos deste ano...


"Comicopera", de Robert Wyatt, criador da mítica banda Soft Machine, prepare-se para enfrentar dois problemas: Primeiro o preço - você não encontra o cd no Brasil por menos de cinquenta reais; e segundo, mesmo imbuído das melhores intenções, seu inimigo oculto e/ou sua sobrinha vão virar a cara para você por um bom tempo.

Bom, com isso, creio ter sido o primeiro blogueiro do mundo a falar de Kelly Key e Robert Wyatt no mesmo post.

Coisas que somente este blog oferece ao seu seleto público.

Feliz 2008 para todos.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Minha Sugestão

Estimulado pela recepção entusiástica dos demais companheiros-blogueiros à minha enquete (vide "Pesquisa Entre Os Companheiros Blogueios" abaixo), resolvi tomar a iniciativa de fazer a minha própria sugestão.

www.marxists.org

Nesse sítio os companheiros encontrarão uma pletora de textos escritos por marxistas de várias etapas do movimento socialista, desde Marx e Engels até autores da 4a Internacional como Mandel e ainda leva frankfurtianos diversos de troco. Imperdível.











Karl Marx
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Pesquisa Entre os Companheiros Blogueiros

Companheiros, conheço vários bons sítios do que se costuma chamar de "direita" no Brasil (cato.org, mises.org, victorhanson.com, etc.) mas estou com dificuldades em localizar bons sítios da esquerda no Brasil e no exterior. Mandem sugestões que o Felix agradece (não vale o vermelho.org.br, eles mentem mais do que a direita, depois eu conto)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Estaríamos Vendo O Surgimento de Um Clinton Da Direita?













Sarkozy e Carla Bruni


Depois de ver Aécio Neves "confraternizando" com Ana Paula Arósio eu achava que não ia me surpreender com mais nada. Mas parece que Sarkozy (também conhecido nos bairros muçulmanos de Paris como "Sarkô") está querendo tirar o lugar de "galanteador-mor" que antes pertencia a Bill Clinton. Verdade que tio Bill é macho: com a mesma virilidade ele encara gordas e magras, feias e bonitas, Demi Moore e Lewinsky. Mas Sarkô (permitam-me a intimidade) parece ser um pouco mais seletivo nas suas companhias femininas. A última a ser vista ao lado do nosso herói foi a Carla Bruni. A ascensão política aparentemente operou uma mudança notável em Sarkozy: antes ele era considerado baixo e feio, e agora é um "Ladies' Man".

Ou será que a verdade está com o velho e astuto Kissinger e o poder é mesmo o maior dos afrodisíacos?


















Direitista que se preza está sempre pensando em algum golpe. Como o cenário político francês está meio modorrento e sem imaginação, Sarkô aplica o velho golpe da mão boba na velejadora Maud Fontenoy.

Enfim Um Jornal Publica Uma Boa Notícia

Ministro Tarso Genro desmaia durante cerimônia na Bolívia


http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac96995,0.htm

Polêmica: Com Quase Sessenta Anos, E Ainda Tem Gente Querendo Engravidá-la!


















Causou comoção a notícia postada pelo companheiro Fetter sobre a mulher de identidade mantida em sigilo que teria virado mãe na Alemanha. Além do aspecto inédito de assistir a uma mulher tornar-se mãe em idade tão madura, o fato gerou uma discussão sobre maternidade em idade avançada, o que levou a um médico, o Presidente da Assoiciação Alemã de Medicina Reprodutiva, a declarar o fato um "abuso do progresso da medicina", frase que considero bastante drástica, tendo em vista as circunstâncias do caso. Acredito também, que, antes de apreciar as afirmações do Ulrich Hilland, devemos ter em mente uma série de fatos:

Primeiro, as pessoas estão casando cada vez mais tarde. Em tempos de antanho casava-se muito cedo e não era para menos: na Idade Média uma pessoa vivia em média 25 anos. Se as pessoas não casassem logo na adolescência a humanidade simplesmente deixaria de se reproduzir.

Felizmente, o progressso material e o da Medicina possibilitaram que as pessoas vivessem cada vez mais. Na Alemanha, hoje, a expectativa de vida da mulher é de 82 anos

http://www.indexmundi.com/germany/life_expectancy_at_birth.html

Se a mulher em questão tem 64 anos, a menina que acaba de nascer alcançará 18 anos quando a mãe estiver com 82 anos, ou seja, ela está nascendo com expectativas normais e plausíveis de que atinja a maioridade estando viva pelo menos a mãe (já que os homens sempre vivem menos).

O caso da mulher alemã então é só um exemplo extremo do fenômeno mais amplo a que estamos assistindo cotidianamente e que foi citado acima: as pessoas estão casando mais tarde. Como todos vivem mais, não há mais a urgência de casar que havia antigamente. Também a mulher hoje é um ser independente, que não necessita mais de homem para viver (e asssim que inventarem um "macaco hidráulico autómático" para trocar pneu do carro aí o homem já não terá mais nenhuma utilidade).

Vejo mais uma vantagem em tornar-se mãe mais tarde: aos 64 anos a mulher ou já está aposentada ou de alguma outra maneira já se realizou profissionalmente, e por isso vai poder dar à criança a atenção que lhe era impossível prover no tempo em que estava usando todo o seu dia útil para ascender profissionalmente.

Segundo: imaginemos que uma mulher com doença fatal queira engravidar. Ela pode organizar o problema acertando, digamos, com os pais dela, que eles assumirão os cuidados da criança depois que ela, mãe, venha a falecer. O caso teria conotação algo dramática, concordo. Mas estaríamos nós no direito de dizer moralmente à essa mãe que ela estaria errada por querer ter um filho sabendo que vai morrer? O mais importante é que a criança tenha assistência, e isso quase sempre pode ser arranjado. Se a mãe engravidasse involuntariamente o que nós diríamos a ela? Que abortasse a criança? Para casos que tais sempre se poderia apelar à adoção.

Deixe agora eu explicar o foto da Verona. O companheiro Fetter postou a sua (dele) notícia adornada por uma foto que provavelmente é uma daquelas alentejanas de mais de noventa anos. Existe uma piada que explicita bem as características estéticas da mulher alentejana (ler a piada imaginando um "sotaque português" nos falantes):

Filho : Ò mãe, por quê tu vais ao salão de beleza toda semana?
Mãe :Ò meu filho! Vou ao salão de beleza toda semana para ficar bonita!
Filho: Ò mãe, então por quê é que não ficas?

Por isso a foto. Peço aos companheiros (acho que todos são casados) que façam um exercício mental: imaginem, eu digo pensem hipoteticamente, que fossem solteiros. Algum de vós atreverse-ia a "causar a gravidez" (para colocar de maneira polida e educada) da senhora provecta que está quase nos sessentinha, da foto acima?

Por fim, peço ao companheiro Fetter que indique a página do jornal de onde tirou a declaração do Dr. Ulrich. Fiz pesquisa na internéti a não a encontrei. :(

domingo, 16 de dezembro de 2007

Polêmica: 64 anos e grávida


Extraído do site da BBC Brasil:


O anúncio do nascimento de um bebê de uma mulher de 64 anos está causando grande polêmica na Alemanha.


A mulher, que é a mais velha a ser mãe no país, engravidou após se submeter a uma inseminação artificial no exterior, já que o tratamento é proibido por lei na Alemanha. Ela utilizou o sêmen do marido e o óvulo de outra mulher.


A mulher teve sua identidade mantida em sigilo e, de acordo com os médicos, a criança passa bem e a gravidez foi normal.


A gravidez da sexagenária acendeu as discussões na Alemanha sobre o direito de as mulheres engravidarem em idade tão avançada.


Para o presidente da Associação Alemã de Medicina Reprodutiva, Ulrich Hilland, a gravidez é um “abuso do progresso da medicina”.


“Eu não acho que os pais poderão cumprir com seu dever de cuidar da criança até que ela amadureça”, disse o médico.


A polêmica também chegou à imprensa. Um artigo publicado pelo jornal Süddeutsche Zeitung nesta quarta-feira questionou o fato de pais tão velhos poderem criar os filhos de maneira adequada.


O jornal Die Welt também defendeu, em um artigo, que “crianças tenham o direito de ter pais que possam criá-los e protegê-los.”


A mulher, de origem turca, mora na cidade alemã de Aschaffenburg, no sul do país. Há anos ela e o marido tentavam ter filhos, sem sucesso.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A Gibson Les Paul 1958 Every Day Keeps the Doctor Away!

















































Vovó Felix? Vovó Fetter? Na verdade as três fotos são de Jimmy Page, um dos hérois da guitarra no Rock and Roll. As duas primeiras são mais recentes e a última é do final da década de 70, vocês podem comparar e observar o quanto ele mudou.

Ao companheiro Fetter: uma pesquisa na intenéti mostrou que os medleys de Whola Lotta Love variam muito de concerto para concerto, mas é muito provável que a música em questão seja "Boogie Chillun" (ou "Chillen") de John L. Hooker. Vai ser necessário investigar mais.

Para vocês não terem perdido tempo à toa só com baboseira, aqui vai um video para vocês. É o final do noticiário da BBC do dia do show, e a câmera corta para o estádio. Eles tocam "Black Dog". Não mostra a música toda mas a qualidade do vídeo é boa.

http://w14.easy-share.com/12181741.html

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O Zeppelin Ainda Voa... E Continua Pesado














Primeiro show da banda em trinta anos é um sucesso total:


Yahoo
Led Zeppelin Rocks at London Reunion
http://news.yahoo.com/s/nm/20071211/music_nm/zeppelin_reunion_dc

CNN
Led Zeppelin Can Still Rock
http://www.cnn.com/2007/SHOWBIZ/Music/12/10/led.zep.ap/index.html

NYT
Led Zeppelin Finds its Old Power
http://www.nytimes.com/2007/12/10/arts/music/11zeppelin.html?_r=1&oref=slogin

Daily Telegraph
Led Zeppelin: Then it Got Better Still
http://www.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml;jse
ssionid=CR1ADFGPZKNFDQFIQMFSFGGAVCBQ0IV0?xml=/arts/2007/12/11/bmzep111.xml



Frankfurter Allgemeine
Die Legende Lebt: Led Zeppelin in London
http://www.faz.net/s/RubE219BC35AB30426197C224F193F54B1B/Doc~ECBA1E4A06D034AC99EFE18401A6DD1E5~ATpl~Ecommon~Scontent.htl
m

Le Figaro
Vraiment Impressionnant!
http://www.lefigaro.fr/culture/2007/12/11/03004-20071211ARTFIG00422-vraiment-impressionnant-.php

Aftonbladet
Led Zeppelins Supersuccé
http://www.aftonbladet.se/nojesliv/musik/live/article1439940.ab

Alguns dos noticiosos trazem também vídeos (o do Daily Telegraph por exemplo). Parece que o Page parou de pintar o cabelo e ele está quase irreconhecível de óculos escuros e cabelo branco, he he.

Aí companheiro Fetter, se você queria que eles subissem no palco com dignidade parece que deu e ainda sobrou um pouco :)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

E De Gaulle Dizia Que o BRASIL Não Era um País Sério....

Corte Italiana intima Pato Donald e Mickey Mouse a comparecerem em juízo para testemunhar em processo:


http://www.foxnews.com/story/0,2933,314972,00.html

El Deguello

Reza a lenda que esse era o grito de guerra dos soldados mexicanos, quando estavam prestes a entrar em combate e não estavam dispostos a fazer prisioneiros.

Agora, foi criada uma versão moderna por parte dos "Ponchos Rojos" aliados de Evil Morales na Bolívia.

http://www.youtube.com/watch?v=tPWV5KQv9VE&feature=related

Aviso logo que o vídeo não deve, repito, não deve ser visto por ninguém com sensibilidade um pouco mais apurada (e mais especificamente para o companheiro Feluc: não visite o blog do Reinaldo Azevedo esta semana porque este vídeo está postado lá também). Antes que me perguntem eu direi que sim, eu vi o vídeo (não todo) para conferir se era verdade ou só boato.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Venezuela e Brasil

Olha, Filipe, creio ser muito complicado discutir sobre o que está por detrás das ações, ainda mais de estadistas.
De todo modo, vou dar uma interpretação, tão legítima quanto a sua.
Creio que Chavez estava certo da vitória.
E, por isso, se preocupou mais com eventual reação da oposição. Por isso afirmou aceitar a derrota, quando a boca de urna dava como certa a sua vitória.
Quando o povo foi pro quartinho escuro votar, a história foi outra.
Aí já era tarde e ele ficou sem alternativa. Reconheceu a derrota e deixou claro que a aceita "por enquanto". Isto significa que ele não vai desistir.

Quero deixar claro que não acho que uma emenda de reeleição torne um sistema ditatorial. Isto vale pro Lula e pro Chavez.

A democracia é produto de uma série de mecanismos que viabilizam o governo conforme a vontade do povo, mediada pelas instâncias políticas.
Esta mediação, implementada pelos partidos e pelo parlamento, é feita de modo que valores perpétuos não sejam sacrificados ao sabor das circunstâncias. Daí a necessidade de proteção das minorias (CPI's, quóruns e votações qualificadas, cláusulas de eternidade, etc.), liberdade irrestrita de imprensa, Judiciário independente, etc. A democracia representativa (de massas) está em crise? Não creio. Ela tem problemas? Evidentemente. Problemas de crescimento. Precisamos melhorar o sistema de financiamento de campanhas, a distribuição de verbas públicas nos meios de comunicação, institucionalizar o sistema de concessões de empresas de comunicações e outras coisinhas... Mas o caminho é este.

A Venezuela não é uma democracia porque ela não tem musculatura institucional. Acho que o Chavez não é o único culpado. Assim como o Morales não é na Bolívia. A Venezuela, como a Bolívia, não tem Judiciário independente, a imprensa está acuada, a oposição sequer participa dos pleitos, não existe a cultura dos governantes darem satisfações sobre os atos do governo...E isso aconte por causa da esquerda e da direita. São um bando de protótipos de ditadorzinhos. Ninguém aceita perder. É como a CBF na época do Otávio pinto Guimarães...eheheh.

A verdade é que reclamamos do Brasil, e com razão, mas estamos anos-luz ddos outros países da América Latina, salvo o Chile.

São apenas números, mas...

Datafolha, em pesquisa de dezembro de 1999 de avaliação do Governo:

Bom/Ótimo - 16%
Regular - 36%
Ruim/Péssimo - 46%
Não sabe - 3%

Datafolha, em pesquisa de dezembro de 2007 de avaliação do Governo:

Bom/Ótimo - 50%
Regular - 35%
Ruim/Péssimo - 14%
Não sabe - 1%

O "ditador" que perde eleição

Chávez é um personagem caricato, do tipo que é fácil tripudiar e ridicularizar. Assim como também é George W. Bush.

Sua biografia pré-presidência em pouco ou nada o qualificam como um exemplo de governante e estadista. Após se eleger, igualmente optou por bravatas e decisões que, facilmente, lhe deram a fama de "caudilho" ou de proto-ditador.

Mas eu gostaria de ter tido a opção, como os venezuelanos ontem tiveram, de votar contra a emenda da reeleição, mais ou menos uma década atrás, em um referendo - esse instrumento do populismo, que De Gaulle tanto gostava e usou.

O que Chávez propôs nessa última reforma da Constituição da Venezuela é abominável por estar mudando as regras no meio do mandato - basicamente o que FHC, Fujimori e Uribe também fizeram, para ficar apenas na América Latina. Possibilidade de mandatos de presidente sucessivos? Não gosto da idéia também, mas não esqueçamos que Roosevelt se elegeu quatro vezes presidente dos EUA.

Chávez ontem perdeu. Perdeu por uma margem de menos de 125 mil votos (em um universo de cerca de 9 milhões de eleitores). Perdeu e reconheceu a derrota de imediato. Eses mérito não dá para lhe negar.

Chávez, Bush, FHC, Fujimori, Uribe, De Gaulle. Às vezes a diferença está apenas na conveniência.

Flamengo presta solidariedade ao Corinthians

O Rubro-Negro deixou de lado a rivalidade e transmitiu todo o apoio aos corintianos. A seguir, a nota:

"Chagas abertas, Sagrado Coração todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame hoje e sempre. Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal."

No esporte um dia vencemos e no outro perdemos. O Corinthians será sempre um grande clube, não importa se o momento é favorável ou não. O Clube de Regatas do Flamengo gostaria, neste momento de tristeza, expressar sua admiração e solidariedade à sua diretoria e sua imensa torcida. É na hora da dificuldade que conhecemos os amigos
.

domingo, 2 de dezembro de 2007

A Mercedes e os ônibus

Extraído do blog do Juca Kfouri:

Era uma vez uma Mercedes-Benz. Ela era linda, em cinza metálico, com as melhores peças do mercado.

Causava inveja em muita gente.

Foi vendida para uns paulistas metidos à besta por um cara que falava inglês, de nacionalidade indefinida, e que garantiu ser o melhor carro de todos.

Botou gasolina, rodas de liga leve, bancos de couro, fez realmente um lindo carro.
A tal Mercedes foi disputar uma corrida.

Contra vários ônibus.

Como todos sabemos, um carro esporte sempre vai levar vantagem contra ônibus.

Um carro esporte da Mercedes, mais ainda.

Um carro esporte todo reformado, nos trinques, e com a marca da Mercedes? Sem chance para os outros.

No entanto, a corrida era longa, era preciso resistência.

Quem liderava era um ônibus vermelho.

Humilde, vindo do Sul, dirigido por um visionário, co-pilotado por um cara meio turrão e com uma equipe média, mas ajustadinha.

Era levada adiante com muita fé, coração e garra da sua torcida, que nunca deixava de acreditar.
Até que em um momento, reuniram todas as equipes numa salinha e disseram: "É o seguinte, competidores. Duas das baterias em que a Mercedes perdeu não valeram. Ela vai ter que correr de novo."

Muitos chiaram, a torcida protestou, a corrida foi colocada sob suspeita.

O ônibus vermelho perdeu a liderança para a Mercedes por causa das duas baterias.

A disputa seguia acirrada, quando em uma determinada bateria, o ônibus vermelho emparelhou com a Mercedes.

Quando iria fazer a ultrapassagem, a direção da prova deu a bandeira amarela e proibiu a manobra. É claro, o piloto do ônibus vermelho reclamou.

E o dono da Mercedes respondeu, com enorme prepotência: "Infelizmente, tem gente que pode ter uma Mercedes, enquanto outros precisam andar de ônibus pela vida toda"

Dois anos depois daquela corrida, está sendo disputada outra.

O tal do ônibus vermelho carrega na frente uma coroa, pois ganhou outras corridas pela América e pelo Mundo.

Segue faceiro seu rumo, sem muito compromisso, quando olha para o lado e vê, na grama, um carro bem conhecido.É a Mercedes.

Não tem mais gasolina; o combustível era adulterado.

Não tem mais as rodas de liga-leve, que eram roubadas.

Não tem mais os bancos de couro, que se desmancharam, pois eram falsificados.

Nem a pintura metálica tem mais. Está acabada, arruinada, em um canto da pista.

Não consegue sequer completar a prova.

Está prestes a sair da corrida.

Ainda dá tempo para bater o carro azul, mas ninguém acredita que ela consiga sair da areia. O ônibus vermelho pode ser a última chance.

O dono do Mercedes, sujo, esfarrapado e acabado, pede em lágrimas para o comandante do ônibus, com um gancho de reboque na mão:"Me ajuda?"

O piloto do ônibus apenas sorri.

O mundo, meus amigos, dá muitas voltas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Seria Um Caso de Aplicação da Lei Maria da Penha?

A entrevista é em inglês, nada mais direi a não ser assistam e tirem suas próprias conclusões.


http://www.youtube.com/watch?v=8RsysfGN0Iw

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A Era do Álbum

"1001 discos para ouvir antes de morrer" foi lançado em 2005 nos EUA e agora ganha edição nacional


Comprei tem uns dias o livro acima, um calhamaço de mais de 900 páginas, abrangendo as últimas 5 décadas da música ocidental em disco. O período escolhido não é por acaso, já que foi em meados da década de 50 que o álbum long-play, o popular LP de vinil, se torna o formato principal do mercado fonográfico - como comentado aqui no blog, inclusive.

A ordem escolhida é estritamente cronológica e o livro é dividido por décadas, cada uma antecedida de uma página com bela imagem de um aparelho de som típico do período - da vitrola ao iPod. Mesmo sem o livro definir quais seriam os melhores dentre os 1001 incluídos. vários discos têm mais destaque, com resenhas de uma página, com a capa, pequena ficha técnica e nome das músicas.

O livro tem viés assumidamente roqueiro, mas conta com o essencial de jazz, soul, world music e até MPB. Não só as coisas de sempre, como Mutantes e Bossa Nova, mas também Baden Powell, Clube da Esquina e Jorge Ben.

Não há brasileiros entre os 90 críticos que participam do trabalho, grande parte deles de língua inglesa - da Austrália ao Canadá, passando pela África do Sul. Algo meio despropositado, pois há um razoável número de discos brasileiros. A Islândia, por exemplo, tem dois artistas no livro (Sigur Ros e Bjork) e um crítico local resenhando.

Defeito mais grave foi a opção de incluir discos muito recentes (há dois discos de 2007 nessa edição brasileira). Sou da linha que acredita ser necessário um distanciamento histórico antes de chamar alguma obra de "essencial". Não só para o disco, no caso, se mostrar realmente valoroso com o correr dos anos. Muitas vezes um artista ou um álbum só se torna importante quando reavaliado tempos depois. Por exemplo, se lançado na década de 70 o livro dificilmente incluiria Nick Drake, como incluiu. Drake foi um cantor de pouco ou nenhum sucesso enquanto vivo e só reconhecido nos anos 90, bem depois de sua morte. Foi o sucesso post mortem que o garantiu no "1001 discos".

Nada disso, porém, atrapalha a diversão que é folhear e ler as resenhas, relembrar álbuns, conhecer alguns outros. É daqueles livros para ler na ordem, de Frank Sinatra em 1955 a Arcade Fire em 2007, ou então para abrir alatoriamente em qualquer página, de qualquer década.

Se você - como eu - concorda com a ordem de preferência dos estilos musicais, dificilmente vai reclamar de algum disco ausente do livro. Mas sem dúvida é fácil duvidar da sanidade de algumas inclusões. No fundo o livro nada mais é que uma grande lista de melhores e, como toda lista, tem que gerar alguma polêmica para ter graça.

Eu comprei o meu pela internet, por um bom preço para uma obra desse tamanho - cerca de 50 reais. Vale a pena.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Kevin Dubrow (1955-2007)

Em 1985, próximo ao meu aniversário, eu descobri que podia pedir presentes, ao invés de esperar "surpresas" nem sempre agradáveis. Mais que isso, descobri que seu eu pedisse aos meus amigos que dissessem para as suas respectivas mães que eu queria ganhar este ou aquele disco de vinil (anotar em um papelzinho ajudava bastante...), elas realmente iriam às Lojas Mesbla e comprariam exatamente o álbum pedido.

Não deu outra, no dia da festa, regada a cachorro-quente e refri, repousavam em cima da minha cama...






"Bark at the Moon" do Ozzy Osbourne,










"The Eagle Has Landed" do Saxon,
















"Defenders of The Faith" do Judas Priest,












...e "Metal Health" do Quiet Riot.







Pronto ! minha coleção de discos tinha triplicado da noite para o dia.



Sim, eu era um metaleiro de carteirinha. E qualquer metaleiro de outrora (conheço vários...) e que continue a se interessar minimamente por música (conheço poucos...) vai ficar triste ao saber da passagem de Kevin Dubrow, vocalista do Quiet Riot, aos 52 anos, conforme informa o site do eterno baterista Frankie Banali.


A banda estava no vermelho há muito tempo, trocas de integrantes, problemas com drogas e justiça, o que refletia na música, obviamente. A imprensa até falou bem do disco "Rehab", mas eu realmente ainda não o ouvi.

Mas, na época, a formação que contava com os dois músicos acima, mais o grande guitarrista Carlos Cavazo (o 1º à esquerda) e o baixista (o 3º, baixo de fato) Rudy Sarzo, cometeu dois incríveis discos, o acima citado e "Condition Critical", cada um puxado por uma cover do grupo Slade, "Cum On Feel The Noize" no primeiro e "Mama Weer All Crazy Now", no segundo. Sucessos instantâneos na época. Passavam direto no "Clip Clip" da Tv Globo, no "FM Tv" da Manchete e no programa cult "BB Vídeo Clip", cuja emissora me foge da memória.

A banda fazia especial sucesso no Japão e também no Brasil, para onde embarcaram em 1985 para uma apresentação no Ginásio do Corinthians. Por aqui ainda se vivia a "ressaca positiva" do Rock In Rio I, o que levou uma horda de gente para o show.

O disco “Metal Health”, lançado originalmente em 1983, tem tudo que um bom disco de metal da época deveria ter. Refrões pegajosos, guitarras pesadas, músicas rápidas (mas nem tanto), solos excelentes, um tema instrumental à la Eddie Van Halen ("Battle Axe"), e uma bela balada de encerramento chamada “Thunderbird”, pois como dizia o pessoal do Língua de Trapo, "os metaleiros também amam meu amor, os metaleiros também amam sim senhor".

Fica a homenagem. Meu aniversário de 1985 não teria sido o mesmo sem essa trilha sonora. Pobres dos vizinhos nas semanas seguintes...



Justiça holandesa bloqueia acesso à Wikipédia



O Ministério da Justiça da Holanda afirmou que bloqueará temporariamente o uso da enciclopédia aberta Wikipédia após a publicação de um artigo em uma revista local que afirmava que mais de 800 entradas na enciclopédia haviam sido editadas a partir de computadores do ministério.


Por ser uma enciclopédia aberta, a Wikipédia aceita colaboração de qualquer usuário e, embora incentive o cadastro de novos membros editores, permite que alterações sejam feitas anonimamente, gravando apenas o número IP utilizado pelo editor.


A revista Intermediar afirmou que a maior parte das 821 alterações vindas do ministério não era preocupante, porém algumas envolviam visões políticas ou ainda visavam à mudança de perfis de pessoas envolvidas em casos criminais.Em uma das edições, por exemplo, um funcionário alterou uma referência ao caso da não punição de uma mulher da nobreza holandesa que dirigia em alta velocidade, acrescentando as palavras "como acontece normalmente em tais casos" ao trecho "sua licença não foi revogada".


Ivo Hommes, porta-voz do ministério, afirmou que a medida é temporária enquanto se investiga quanto uso, ou mau uso, os funcionários fazem da Wikipédia e o que pode ser feito a respeito disto."Você pode pensar que está tudo bem para alguém atualizar uma entrada sobre seu jogador favorito de futebol durante o almoço, mas obviamente não queremos pessoas fazendo coisas que são desagradáveis ou piores durante o horário de trabalho", explicou.


Para o site WebProNews, a decisão foi racional, já que o número de edições foi alto e pode até mesmo inspirar decisões semelhantes em outros países.


Recentemente, os Estados Unidos e o Japão também se mostraram preocupados com a edição de artigos na Wikipédia por parte de funcionários do setor público.
Nota: extraído do site www.geek.com.br

domingo, 25 de novembro de 2007

Despreparo

Se vocês quiserem dar uma olhada no tipo de gente que sido escolhida para cargos importantes na burocracia federal, no caso conselheiro do CADE, não deixem de dar uma ohada no texto de Enéas de Sousa, com link em anexo. http://www.fee.rs.gov.br/sitefee/download/indicadores/35_02/2-parte.pdf

O sujeito não conseguiria passar em redação num exame vestibular sério.
O texto não tem coerência, clareza ou conteúdo. Trata-se de uma amontoado de idéias desconexas. Ele não sabe usar advérbio de modo.

O que me dá mais medo, em relação ao futuro do Estado, não é a corrupção. O que me causa receio é a administração da maquina pública nas mãos de gente que escreve daquele jeito.
Como já disse há muito Othon Garcia, um texto confuso é sinal de um pensamento confuso.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Preguiça em Lima, sufoco no Morumbi

Kaká? Robinho? Que nada, Luis Fabiano é quem foi "o cara"

Nesta rodadada dupla das Eliminatórias o Brasil não jogou bem nem fora nem em casa: empate medíocre contra o Peru, vitória sofrida contra o Uruguai. Aliás, nos últimos anos os uruguaios não jogam bem contra ninguém, só contra nós. Exatamente o inverso da Argentina. Tanto que hoje quebramos um pequeno tabu de 6 jogos sem vencer a Celeste - a última vez tinha sido em 1999.

O destaque negativo da rodada foi o Ronaldinho, que voltou a jogar como na Copa de 2006, ou seja, nada. É triste ver um craque como ele, com apenas 27 anos, entrar em campo como se estivesse voltando de uma churrascaria rodízio - enfastiado, entediado, desinteressado. Não é à toa que está quase indo pro banco no Barcelona.

Já o destaque positivo fica para Luis Fabiano. Ironicamente ele só foi convocado por causa da contusão do Afonso. Bem capaz de ter se tornado titular depois do jogo de hoje. Não é craque, não é o herdeiro perdido da dinastia Careca-Romário-Ronaldo, mas fez o que esperávamos que Vagner Love tivesse feito meses atrás: gols. Acho que foi a primeira vez que o centroavante do Brasil resolveu a partida na era Dunga-treinador.

Vamos para nossa "exclusiva" classificação comparativa, após 4 jogos:

Eliminatórias 2002
Brasil 8 pontos, saldo 2 gols
2º lugar

Eliminatórias 2006
Brasil 8 pontos, saldo 2 gols
3º lugar

Eliminatórias 2010
Brasil 8 pontos, saldo 6 gols
3º lugar

As eliminatórias param até junho de 2008, quando acontecerá outra rodada dupla, contra Paraguai fora e Argentina em casa.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

EMPATE NO MONTEIRÃO


Apesar de sair na frente no marcador, com um gol do atacante Gilvan, o Pires do Rio cedeu o empate e a virada para o forte time do Santa Helena, conseguindo arrancar um empate somente aos 36 do segundo tempo, quando já jogavam dez contra dez, em um pênalti batido pelo ala esquerda Zinho, ex-CFZ de Brasília, para alegria dos quase três mil torcedores presentes.

Chamou a atenção o momento “Zidane” protagonizado pelo jogador do Santa Helena, Jean Carlo, no lance que resultou na expulsão de um jogador de cada lado.

Em uma disputa de bola normal, o jogador no. 08 do Pirão, Wesnalton acabou acertando um tapa na cara de Jean, que em um lance muito parecido com o do jogador francês na copa de 2006, revidou com uma cabeçada, o que provocou sua expulsão direta, bem como a do jogador piresino, que já havia sido advertido com um cartão amarelo.

Não satisfeito, Jean Carlo partiu para cima de outro jogador da locomotiva, o atacante Gilvan, tendo que ser contido por seus colegas. Uma postura vergonhosa que deveria ser analisada pelo Tribunal de Justiça Desportiva local.

No outro jogo desta fase, em Aparecida, vitória simples do Morrinhos, conseguindo importante resultado fora de casa.

Dia 25 acontecem os jogos de volta nas cidades de Santa Helena e Morrinhos. Invicto desde o começo do campeonato, em algum momento o Santa Helena terá de fraquejar. Por que não nesta rodada ?

Anúncio do "The Guardian" na Internet

US PRESIDENTS HAVE ALWAYS COME TO US FOR AN OVERVIEW OF WORLD AFFAIRS.
EXCEPT ONE…
GET YOUR FREE 4-WEEK TRIAL TODAY
(GO ON GEORGE, IT IS FREE !)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Cuba Em Festa. A Farra do Boi Foi Decretada em Havana!



















Jornal do Brasil 15.11.2007
Cubanos voltam a receber carne bovina após crise de 1990
REUTERS

CIENFUEGOS - Acabou a épocas das vacas magras em Cuba, disseram os habitantes de Cienfuegos, após receberem cada um 227 gramas de carne bovina do governo pela primeira vez desde a crise da década de 1990.
Ainda que racionada, a carne distribuída em outubro por sete centavos de dólar o quilo se transformou num acontecimento na cidade portuária de Cienfuegos, localizada a 256 quilômetros a sudeste de Havana.
- Há pessoas que me disseram não saber como vão comer a carne, porque faz tanto tempo que não a vêem - disse Senaida Cosal, dona-de-casa, à Reuters.
A carne bovina deixou se ser comercializada livremente havia alguns anos depois da revolução ocorrida em 1959.
Até a crise da década de 1990, quando a implosão da União Soviética arrasou a economia e castigou os cubanos com anos de escassez, a população recebia meia libra (227 gramas) de carne bovina por meio da caderneta de racionamento.
No mercado negro, a carne bovina custa 4,60 dólares o quilo. Nos supermercados de moeda estrangeira, os cortes importados chegam a 12 dólares o quilo, valor equivalente a três semanas de salário.
Em restaurantes estatais, qualquer um pode pagar por volta de 6 dólares por um bife.
De acordo com números oficiais, Cuba possuía 3,7 milhões de cabeças de gado bovino em 2006. No mesmo ano, foram abatidos 360.700 animais, aproximadamente 26 por cento a menos do que em 2001.
O código penal pune com entre quatro e 10 anos de prisão os 'açougueiros' que sacrificarem gado sem a permissão do Estado.
Quem compra carne bovina no mercado negro corre o risco de passar de três meses a cinco anos atrás das grades.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Flamengo, 112 anos de história e glória.

De pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho;
Agachados: Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho.

Com a tragicômica novela sobre quem é o primeiro pentacampeão brasileiro ainda se arrastando, inevitável não lembrar do time que conquistou o quarto campeonato para o Mengão, vinte anos atrás. Ainda mais hoje, dia do aniversário do rubro-negro.

Acima de qualquer outra coisa, o título de 1987 é nosso pois o Flamengo venceu os melhores times do país, num campeonato onde todo jogo era clássico - afinal eram 16 equipes de ponta disputando - com uma equipe cheia de craques. Alguém aí lembra qual era a escalação do Sport Recife na final do Módulo Amarelo de 1987, no jogo que terminou empatado em 11 x 11 contra o Guarani?

Já a do Flamengo...Zico é Zico, dispensa apresentações e comentários.

Bebeto, Zinho, Leonardo e Jorginho seriam campeões do mundo pelo Brasil em 1994. Aldair, outro titular na campanha do Tetra, e então com 21 anos, jogou boa parte do campeonato, apesar de ter sido reserva nas finais.

Aliás, dos onze titulares do jogo final, nada menos que dez tiveram passagens de destaque pela seleção brasileira; oito disputaram pelo menos uma Copa do Mundo*; quatro ganhariam medalha olímpica de prata em Seul/88**.

Leandro e Andrade foram também campeões do mundo, mas de clubes, na histórica lavada no Liverpool, em 1981. Outro que também foi campeão interclubes, mas pelo Grêmio, foi Renato Gaúcho, em 1983.

Zinho e Andrade são os jogadores com maior número de títulos brasileiros, cinco cada.

Aílton, o jogador menos famoso desse time e único sem convocações para a seleção, é um jogador com vários títulos (como a Copa Brasil de 1990 pelo Mengão) e histórias no futebol. Foi dele, por exemplo, o gol do título do Grêmio no Brasileirão de 1996.

Apesar disso tudo, o time era uma mescla de garotos e veteranos muito irregular e a campanha no primeiro turno mostra bem isso: sexto lugar entre oito equipes, no grupo A.

A fórmula de disputa do campeonato daquele ano previa dois grupos de oito, jogando em dois turnos. No primeiro, os times de um grupo enfrentariam os do outro; no segundo, jogos entre times do mesmo grupo. Os vencedores de cada grupo, em cada turno, jogariam a semifinal.

No turno final, contra as equipes do próprio grupo, o Mengão se recuperaria na tabela, mas ainda assim fica em segundo lugar. Só se classificou para a semifinal por ter o Atlético-MG vencido ambos os turnos. A outra semifinal foi disputada por Internacional e Cruzeiro, vencedores do primeiro e segundo turno pelo grupo B, com o Inter vencendo.

O Flamengo enfrenta o Atlético, time de melhor campanha, dirigido por Telê Santana, mas vence duas vezes - 1 x 0 no Maraca e 3 x 2 em pleno Mineirão, com um gol de Renato Gaúcho aos 34 do segundo tempo, quando o Galo era melhor em campo, depois de ter empatado uma partida que perdia por 2 x 0.

Depois de atropelar o favorito nas semi, a final com o colorado gaúcho foi quase protocolar: o título já era nosso. E, com gols de Bebeto tanto no empate em 1 x 1 no Beira-Rio quanto na vitória de 1 x 0 no Maraca, o Flamengo leva mais uma taça para sua coleção.

As cinco taças de campeão brasileiro


*exceções: Zé Carlos, Aílton e Andrade
** Zé Carlos, Jorginho, Andrade e Bebeto

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Doença Holandesa e a Doença Brasileira

Tenho duas notícias para comentar com vocês, uma boa e uma má. Primeiro, vamos começar com a má: o governo brasileiro acaba de anunciar a descoberta de um campo gigantesco de petróleo em Tupi, RJ, aumentando as reservas de petróleo e transformando potencialmente o Brasil em um grande exportador de petróleo. A boa é que ainda vai demorar um bom tempo para conseguir tirar esse petróleo do chão.

Acredita-se que a produção de petróleo tem caído nos últimos anos: uns dizem que o fenômeno se deve a uma conjunção de fatores, incluindo desde a Guerra do Iraque, até a intromissão política no gerenciamento da PDVSA venezuelana por Hugo Chávez. Outros dizem que o que estamos vendo já é o esgotamento das reservas mundiais de petróleo.

Com a produção caindo e a demanda aumentando, não surpreende a ninguém que o preço esteja subindo. Há dois anos o barril de petróleo custava USS 60,00 . Agora ele já está encostando na marca dos cem dólares..

A primeira impressão que se tem, então, é que é uma grande benção a descoberta de petróleo em quantidades tão grandes, ainda mais no presente momento, com os preços tão elevados.

Só que a teoria e a realidade econômica recentes contam uma história diferente.


Primeiro vamos rever um conceito básico de comércio exterior. Como todos sabem, quando um brasileiro exporta um bem qualquer, digamos, para os Estados Unidos, ele não entrega a mercadoria e recebe o dinheiro vivo. Ele tem de celebrar (ou tinha até pouco tempo atrás) um “contrato de câmbio” com o Banco Central. O Banco Central fica com os dólares e o exportador recebe a importância correspondente aos dólares na moeda nacional.

A Doença Holandesa


A Holanda parece ser pequena demais para ser produtora de um minério. Mas na década de 80 foram descobertas importantes jazidas de gás no país. E os holandeses começaram a exportar gás natural em grande quantidade, passando a auferir grandes receitas de exportação.

O que aconteceu em seguida é o que nos interessa no momento. Com uma grande quantidade de moeda estrangeira entrando no país, a moeda holandesa foi se valorizando, ou seja, ficando “mais forte” em relação às moedas estrangeiras. Quando a moeda nacional se valoriza, isso incentiva as importações e desincentiva as exportações, com a mesma quantidade de reais posso comprar mais mercadorias estrangeiras, ao mesmo tempo que recebo menos reais pelas mercadorias brasileiras que eu exportar.

A moeda valorizada na Holanda teve um efeito daninho sobre as exportações industriais, pois, à medida que a moeda foi se valorizando, os produtos exportados pela Holanda foram perdendo competitividade. As receitas com exportações foram caindo, até que o governo holandês instituiu um imposto de exportação, encarecendo as exportações de gás e freando o aumento das exportações, aliviando a pressão de valorização da moeda nacional.


O fenômeno foi batizado como “Doença Holandesa” e foi desenvolvido teoricamente. Toda vez que, em um país que exporta tanto produtos primários quanto produtos elaborados há um grande aumento de receitas de exportação do produto primário, isso gera um grande ingresso de moeda no páis, valoriza o câmbio e tende a penalizar as exportações e prejudicar o setor manufatureiro. O raciocínio vale para qualquer insumo básico, mas os casos suspeitos de “doença holandesa” são geralmente ligados ao petróleo.

Vocês podem encontrar um bom artigo sobre a doença holandesa aqui:

http://en.wikipedia.org/wiki/Dutch_disease



A Doença Brasileira

O que aconteceria se o Brasil se transformasse, no horizonte previsível dos acontecimentos, em um grande exportador de petróleo? Tudo indica que o mesmo fenômeno se repetiria: haveria uma valorização do real em relação às outras moedas. A questão é: existe espaço para valorização da moeda no Brasil?

A moeda brasileira está sensivelmente valorizada desde o Plano Real. Aparentemente, isso foi originalmente projetado na época de elaboração do plano para que o câmbio servisse como “âncora”, e eventuais desequilíbrios internos de preços pudessem ser compensados através de importações.

De lá para cá, a situação é outra: a moeda brasileira tem se valorizado, mas devido a um outro fenômeno: a dívida pública brasileira subiu assustadoramente no período do Governo de Fernando Henrique, o que forçou o governo a aumentar a taxa de juros. A taxa de juros alta atraiu recursos em grande volume do exterior, forçando a valorização do câmbio. Hoje a moeda brasileira está ainda mais valorizada em relação às moedas estrangeiras do que no período FHC, e é realmente um milagre que as exportações não tenham caído mais do que caíram. Muitos empresários do setor calçadista já transferiram suas fábricas para a China, devido ao câmbio sobrevalorizado.

Resumindo, não há espaço para valorização do câmbio no Brasil. Se o Brasil se transformasse nos próximos anos em um grande exportador de petróleo, isso poderia signficar a morte da indústria de exportações, que vai no máximo se aguentando com o câmbio no nível que está.


Do ponto de vista econômico, não seria tão difícil contornar o problema assim. Bastaria criar um imposto de exportação sobre petróleo e derivados, o que transformaria o lucro da Petrobrás em receita da União. Esta seria a medida que provavelmente o governo tomaria hoje, caso o problema estivesse no horizonte próximo de acontecimentos. Como os gastos do governo não param de crescer, seria uma tentativa de resolver dois problemas de uma só vez.

Então o petróleo melhoraria a balança comercial, mas bem menos do que estão sugerindo. As exportações de petróleo gerariam receita, mas bem menos do que estão imaginando. Muito dinheiro entrando, o câmbio se valorizaria ao ponto de ameaçar o setor industrial (e talvez o agrícola) brasileiro.

Mas acredito que os problemas ligados ao petróleo não se resumem aos aspectos econômicos.

Examinem com cuidado os países exportadores de petróleo. Principalmente os grandes exportadores. Eles correspondem à imagem do que você gostaria que o Brasil se tornasse no futuro? Em todos eles, ou um ditador subiu ao poder e não mais saiu, ou uma elite corrupta controla o petróleo e com isso controla os destinos do país. Todas as atenções se voltam então para o ouro negro e para pouca coisa fora isso.

Nenhum desses países é um exemplo do que a gente chama de “progresso”, principalmente científico e tecnológico. No Oriente Médio, o país mais avançado é Israel, mesmo sem ter petróleo (ou por causa disso). Os países árabes não são capazes de produzir praticamente nada, sendo que o Irã nem mesmo refina (pelo menos não todo) o seu petróleo e importa gasolina refinada. Por outro lado, a única democracia no Oriente Médio é Israel, os outros são uma mistura de teocracias com monarquias mais ou menos despóticas, sem mencionar os casos mais extremos tipo Kadaffi (outro país exportador).

Condoleezza, Asari e Um Certo Príncipe Bandar.

Condoleezza Rice é um típico exemplo de “self-made woman”. Filha de um pastor e tendo sido vítima da discriminação racial no seu estado de origem (Alabama), subiu na carreira acadêmica e posteriormente no governo através do seu preparo e esforço. A única nota destoante de seu currículo foi o período em que foi diretora da Chevron, chefiando o “Committee on Public Policy” (O que está acontecendo na Chevron? Eles não podiam inventar um nome melhor para esse cabide de emprego?).

Mujahid Dobuko-Asari, ou mais simplesmente Asari, era um líder guerrilheiro nigeriano. Diga-se de passagem que ele “era” líder da guerrilha não porque tenha morrido. Depois de realizar centenas de ataques a dutos e instalações petrolíferas, fez um acordo com o governo e foi “indenizado” com uma quantia substancial por cada rifle de seus seguidores que entregasse ao governo. Quantia essa que era evidentemente muito maior que o valor dos rifles.

Hoje Asari não circula mais pela floresta, bolando estratagemas para explodir instalações das petrolíferas que operam na Nigéria. Um jornalista que visitou a sua casa, com amplo hall de entrada e vários carros na garagem observou que “a residência dele não corresponde ao que a gente chamaria de casa de um guerrilheiro”. Já outros nigerianos tiveram a idéia de aliviar um pouco a pressão dos oleodutos, desenvolvendo técnicas para extrair o óleo dos mesmos. Essa parece ser a nova mania nacional na Nigéria.

Quem é o proprietário do imóvel mais caro nos Estados Unidos? Bill Gates? Algum Rockefeller? A fama de ser o proprietário do imóvel mais caro é do Príncipe Bandar, o homem de ligação saudita nos Estados Unidos, ou como seria mais exatamente chamado no linguajar político brasileiro, o “homem da mala preta”. Com ampla circulação nos meios políticos americanos, o Príncipe Bandar zela pela “coordenação” dos interesses dos sauditas em território americano, onde eles têm entre outras coisas parcela considerável das ações em Wall Street. Caso os sauditas retirassem subitamente o seu dinheiro, a casa sofreria um considerável balanço.

Para quem quiser, aqui tem uma página sobre o nosso amigo, com direito a retratinho ao lado do Bush (quando ele era embaixador) e tudo

http://en.wikipedia.org/wiki/Bandar_bin_Sultan

O que esses três têm em comum, e nos poderíamos juntar milhares de historinhas semelhantes é simplesmente o poder corruptor do dinheiro gerado pelo petróleo. Bandar, Condoleezza, Asari, tanto faz a etnia, crença ou filiação política: o dinheiro do petróleo corrompe a todos: da conservadora religiosa americana, ao líder revolucionário africano.

O petróleo como que “vicia” os países que o importam, e, ainda mais os que o exportam. Cuba viveu durante décadas do petróleo que era vendido (mas nunca cobrado) pelos soviéticos, a parte que não consumia era exportada e com isso gerava uma fonte extra substancial de receitas para os cubanos. Com o fim da União Soviética, acabou a fonte de petróleo e os cubanos tiveram de parar de usar tratores na agricultura e voltar a usar tração bovina (eles chamam o fato de “Revolução Agrícola”, sic).

Em décadas vivendo do petróleo russo, não foram capazes de fazer mais nada além de plantar cana. Neste exato momento, os cubanos estão fazendo prospecção ao longo da costa da Flórida juntamente com os chineses, região rica em óleo mas inexplorada pelos americanos devido às pressões ambientalistas. Quem sabe eles não têm sorte acham petróleo em quantidade e conseguem uma sobrevida ao falido sistema cubano por mais umas décadas? Fidel, paciente, cofia sua barba.

Bem, eu poderia acrescer mais dados e hipóteses, mas acho que já abusei da paciência de vocês por uma semana inteira, o essencial, ao menos, foi dito. Juntando essas informações o que podemos concluir? É uma ilusão achar que o petróleo vá mudar substancialmente, e para melhor, o panorama econômico e social do Brasil. Se o petróleo que foi anunciado for usado sabiamente, será alguma ajuda, proporcionará algum auxílio, na mão de alguém com ilusões de poder pode ser uma tragédia nacional.

O petróleo não é nenhum Midas, que transforma em ouro aquilo que toca, a melhor imagem seria a de uma árvore, que só cresce impedindo que tudo que esteja ao seu redor floresça e se desenvolva. É tarefa nossa, pessoas mais esclarecidas, tentar influenciar o ambiente cultural que normalmente frequentamos, e combater no nascedouro a ilusão de que “cadáveres geológicos” (a expressão é do Bob Fields) sejam capazes de promover o desenvolvimento e a justiça social no nosso país.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Dever de casa feito.


Tudo certo na terceira divisão do Goianão 2007. A locomotiva alvirrubra fez o dever de casa, derrotando o Morrinhos por um tento a zero. Com isso, carimbou seu passaporte para as semifinais.

Os jogos deste último final de semana terminaram assim:
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Aparecida 0 x Santa Helena 1

Inhumas EC 6 x 0 Jaraguá

Pires do Rio 1 x 0 Morrinhos

Caldas Novas 3 x 0 União de Inhumas
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E a classificação final da primeira fase ficou assim:
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Grupo 01 (classificados em negrito)
1º Santa Helena => 6 Jogos 16 Pontos 18 Saldo de Gols
2º Aparecida => 6 Jogos 10 Pontos 0 SG
3º Inhumas => 6 Jogos 5 Pontos -2 SG
4º Jaraguá => 6 Jogos 3 Pontos -14 SG
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Grupo 02 (classificados em negrito)
1º Morrinhos => 6 Jogos 12 Pontos 3 Saldo de Gols
2º Pires do Rio => 6 Jogos 11 Pontos 4 Saldo de Gols
3º Caldas => 6 Jogos 10 Pontos 4 Saldo de Gols
4º União => 6 Jogos 1 Pontos -11 Saldo de Gols
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Dia 17 acontece a primeira rodada da fase semifinal. Em Aparecida o time da casa enfrenta o Morrinhos. Em Pires do Rio, a locomotiva enfrenta o forte Santa Helena. A comunidade piresina promete lotar os 4.500 lugares do Estádio Edson Monteiro de Godoy e dar toda a força para os seus atletas

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Vetustas Leis Inglesas Fazem o Congresso Brasileiro Parecer Uma Plêiade de Pensadores

Se vc planeja ir à Inglaterra lembre-se: não vá se distrair e morrer dentro do Parlamento ou será punido por isso:

http://news.yahoo.com/s/afp/20071106/od_afp/britainlawsoffbeat

terça-feira, 6 de novembro de 2007

René Goscinny (1926-1977)


Ontem, cinco de novembro, completaram-se trinta anos da morte do autor de estórias em quadrinhos parisiense René Goscinny.

Embora seja mais conhecido por ser o criador dos célebres Astérix e Obelix, Goscinny criou uma série de personagens de altíssima qualidade, adorados por adultos e crianças, alguns até hoje editados em vários idiomas, sendo os principais:


O cavaleiro solitário Lucky Luke, desenhado por Morris e que gerou 38 álbuns, até o precoce falecimento de Goscinny, em 1977.



O impagável grão-vizir Iznogud, que queria sempre tomar o lugar do Califa, feito em parceria com o desenhista Tabary, também até o ano de sua morte.




Além do pele-vermelha Oumpah-Pah, desenhado por Uderzo. Esta série se passava no século dezoito, durante a colonização francesa na América. Apesar de ter gerado poucas estórias, é um item muito procurado.


Mas se há um trabalho pelo qual a dupla Goscinny e Uderzo será sempre lembrada, este é Astérix. Juntos criaram 24 estórias de incrível qualidade e que são editadas até hoje em mais de cem idiomas, passando por gerações e gerações de leitores. Após a morte de Goscinny, Albert Uderzo continua até hoje editando novas estórias de tempos em tempos, mas, na minha opinião, com exceção de “A Rosa e o Gládio”, de 1991, infelizmente, o nível caiu um pouco.

Eu, particularmente destaco dois pontos na série de 24 álbuns que a dupla produziu – ou seja, desde “Asterix, o Gaulês”, até “Asterix entre os Belgas” – pontos estes que talvez expliquem o sucesso dos volumes.

Primeiro a possibilidade de as estórias serem lidas por crianças, jovens, adultos e velhos, sem qualquer problema. Aos quinze anos, você se diverte com as pancadarias entre gauleses e romanos; aos 25 começa a prestar atenção nas lições de História e Geografia discretamente colocadas no bojo do texto; aos 35 se diverte com as expressões latinas, com os nomes dos acampamentos romanos que cercam a aldeia gaulesa e com a série de críticas políticas e econômicas que ocorrem por trás da estória principal; aos 45, imagino, tudo se amolda perfeitamente e a partir daí, com o avanço da idade, penso que a gente volte a se divertir com os romanos voando por cima da copa das árvores.

Outro ponto que é crucial é a dimensão dada ao divertidíssimo “elenco de apoio”. A série de personagens, teoricamente secundários, mas que muitas vezes assumem papéis importantes no contexto, é interminável e confere aos criadores de Astérix a possibilidade de contar uma série de estórias ao mesmo tempo.

A lista não cabe neste blog, mas como esquecer o bardo Chatotorix, o chefe Abracurcix, o ferreiro Automatix, o peixeiro Ordenalfabetix, o cãozinho ecológico avant la lettre Idéiafix (que chora toda vez que se derruba uma árvore), o Druida Paronamix, dentre tantos outros?

Goscinny foi-se muito cedo, tinha só 51 anos. Na verdade, quando ganhei o primeiro álbum de presente do meu pai, “Astérix e a Cizânia”, no começo dos anos 80, ele já havia falecido.

Mas suas séries, juntamente com tantas outras como “Mortadelo e Salaminho”, de Ibañez, e “Tintin" (de Hergé), viraram companhias para toda a vida.

Enquanto isso, na manhã do dia cinco de novembro de 2007, alguns pais colocam seus filhos para assistir a Xuxa, julgando que isto é bom para eles. Fazer o quê ????

Primeira Fase - Reta Final



E segue a terceira divisão do Goianão 2007. Jogando com dez jogadores desde o final do primeiro tempo, após a duvidosa expulsão do jovem volante Paulo Vinícius (21 anos), que nem cartão amarelo possuía, a locomotiva piresina, heroicamente, buscou um empate no segundo tempo, jogando fora de casa contra o lanterna do grupo.

Os jogos deste último final de semana terminaram assim:

UNIÃO E. I. 1 x 1 PIRES DO RIO F.C.
MORRINHOS F.C 2 x 0 CALDAS NOVAS A.C
JARAGUÁ E.C 0 x 3 APARECIDA E.C
SANTA HELENA E.C. 7 x 0 INHUMAS E.C
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E a classificação ficou assim:

Grupo 01
1º Santa Helena => 5 Jogos 13 Pontos 17 Saldo de Gols
2º Aparecida => 5 Jogos 10 Pontos 1 SG
3º Jaraguá => 5 Jogos 3 Pontos -8 SG
4º Inhumas => 5 Jogos 2 Pontos -10 SG
.
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Grupo 02
1º Morrinhos => 5 Jogos 12 Pontos 4 Saldo de Gols
2º Pires do Rio => 5 Jogos 8 Pontos 3 Saldo de Gols
3º Caldas => 5 Jogos 7 Pontos 1 Saldo de Gols
4º União => 5 Jogos 1 Pontos -8 Saldo de Gols
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No grupo 1, como se vê, tudo resolvido. Santa Helena e Aparecida vão para a segunda fase.
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No grupo 2, Pires e Caldas decidem a segunda vaga. Dia 11 de Novembro, o Pires joga em casa com o já classificado Morrinhos, basta uma vitória simples para garantir a classificação para a próxima fase, sem depender do resultado do Caldas Novas. Se a Locomotiva não conseguir os três pontos, dependerá de um tropeço da outra equipe.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Crise do Neoliberalismo, Parte 451 - Gisele Bündchen Não Aceita Mais Pagamentos em Dólares


A modelo e atriz brasileira de agora em diante não vai mais aceitar moedas fracas:


http://www.foxnews.com/story/0,2933,308144,00.html

Contado Calligaris

Publicada originalmente na extinta revista Primeira Leitura, a entrevista feita por Reinaldo Azevedo com Contardo Calligaris, em abril de 2006, está disponível em seu blog:

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

O texto merece ser lido por todos que se interessam pelo papel da moral, seja na atividade política, seja como norte de cada um de nossos atos.
A íntegra em PDF está neste endereço:

http://br.msnusers.com/primeiraleituraed51contardo/files/VISAO%20DE%20MUNDO%E2%80%A251%E2%80%A2layout.pdf

Na seqüência, a abertura da entrevista.

"O psicanalista Contardo Calligaris, italiano de nascimento, andarilho por escolha, é de uma inteligência “alastrante”. Seguem a esta abertura 14 páginas de uma entrevista encantadora por conta do rigor intelectual do entrevistado e, vá lá, da disposição deste interlocutor de se deixar contaminar pelo “Bem”, por aquele que falava e se expressava com toda a singularidade que faz cada um de nós ser o que é. “O Mal”, ele nos diz, “está no coletivo, na renúncia ao foro íntimo.” O indivíduo ainda é a mais eficaz defesa contra a barbárie, o totalitarismo, o vulgaridade. Certa feita, um jovem que se queria marxista, de 14 ou 15 anos, apostrofou o pai, que houvera sido militante antifascista sem ser, no entanto, comunista: “Como podia?”. E o pai, então, lhe deu uma resposta iluminada: “Eu era antifascista porque, no fundo, achava os fascistas tão vulgares!”.

O menino também é pai do homem, como nos ensinou Machado de Assis, ou seu Brás Cubas. Aquelas palavras foram repercutir mais tarde, quando Contardo conheceu Roland Barthes, de quem foi aluno, e percebeu que a estética também pode ser uma ética: “Uma ética do não-dogmatismo, da curiosidade, da capacidade de amar a própria coisa, desde uma história em quadrinhos até Chateaubriand”. E então desandamos a falar da necessidade da arte, de sua função, que não pode ser outra senão “a harmonia interna que produz”. Mas ainda faltava ser mais explícito: “A produção de um objeto cuja finalidade é externa, por exemplo, que é ideológica e declarativa, não é mais uma produção artística. Isso vale tanto para a arte conceitual como para o realismo socialista”.

E, assim, passamos a tarde, numa conversa que propus, e ele topou, fosse dividida em três partes, como em Os Sertões, de Euclides da Cunha: O Homem, A Terra, A Luta. Queria chegar a outros sertões, a outras lutas, menos sangrentas talvez, mas não menos duras. Na primeira parte, falamos desse homem todo-mundo-e-ninguém, gênero neutro, que designa a espécie, e de um outro, ele próprio, o escrutinado da tarde. Na segunda, o ambiente de nossas pelejas, o mundo, este Brasil onde a fraqueza da cultura republicana faz com que um escândalo de grandes proporções ainda seja percebido como coisa quase corriqueira.

Passeamos por autores da urbe e da orbe, tentando contar e recontar histórias, em busca de tempos e oportunidades perdidos. Para poder ver mais adiante. Ou, ao menos, ter instrumentos para tanto.

É nessa parte que estão as lutas mundanas, o conflito de culturas, a marcha da civilização, os instrumentos com que entender e reinventar o mundo, as utopias que matam, os amores que são de salvação. Pensador da cultura, ele jamais se nega ou refuga. Lembro-me de São Paulo na Primeira Epistola aos Coríntios: posso tudo, mas nem tudo me convém. Eis um dos fundamentos, a liberdade, plasmado na civilização ocidental e que é, sim, seu mais precioso valor, pelo qual vale a pena lutar. Falei de Paulo? Contardo considera que as bases do bom individualismo moderno estão dadas pelo cristianismo. A conversão nasce da escolha. Ali se fundava uma idéia de humanidade, que antes não existia.

A terceira parte, A Luta, ficou reservada ao homem no espelho – vamos falar um pouco do narcisismo –, aquele que chega ao divã do analista, “doente por falta de significado e de significação”, como qualquer um de nós, e procura, então, uma narrativa para sua vida, uma história. Que, contada e recontada, vai concorrendo para redefini-lo e levá-lo, então, até a margem do rio. Ao fim da entrevista, talvez estivéssemos ambos felizes – eu estava: um pouco tonto e feliz.

Explico o meu estado. Havia marcado a entrevista para o dia 18 de abril. Fui acometido de uma crise de labirintite. No dia 21, ainda não estava bem, e era o meu prazo-limite. Mas não tinha como sair. O andarilho Calligaris, aceitando, desta feita, um percurso mais curto, dispôs-se a ir até a minha casa, uma doação ao paciente daquela tarde. Mas ele mesmo diz que uma das coisas boas da psicanálise é não “dar presentes”. Fizemos algumas trocas simbólicas – eu saí ganhando, é claro – e tentamos pôr alguma ordem entre o “cosmos sangrento e a alma pura” (ave, Mário Faustino!). Tentamos entender os “hábitos do corpo e da mente” de que fala Tocqueville, que ambos apreciamos tanto.

E eu indaguei, com Hannah Arendt, outro afeto intelectual e moral compartilhado, como é que podemos, então, resistir ao “mal” e manter o “foro íntimo”, a inviolabilidade do indivíduo, morada suprema da liberdade. A resposta se lê páginas adiante. Mesmo longa, muita coisa deixa de ser publicada nesta entrevista. O dia caiu menos “doente de falta de significado e de significação”. Eu o acompanhei, trôpego, até a garagem, voltei, fechei a porta e comentei com a minha mulher: “Ele é de uma inteligência alastrante”.

(...)
É possível falar do caráter de um povo?
Eu fiz isso, todo mundo faz. É uma herança do século 19. É muito forte na cultura brasileira. Desde o fim do século 19, a grande sociologia brasileira não pára de tentar descrever o que é o brasileiro. Eu acho que há povos que se colocam mais essa pergunta do que outros. Essa espécie de autoconsciência coletiva existe se a gente acredita nela. Há povos que crêem nisso de uma maneira automática, espontânea. É o caso dos franceses. Provavelmente porque consideram que têm um patrimônio histórico comum tão longo, que acham que a nação é uma verdadeira comunidade e um destino. E há os que se interrogam. É natural que essa interrogação caiba especialmente nos povos americanos.

Por que os povos das Américas se interrogam mais, com menos certezas?
Em primeiro lugar, estão aqui por causa de um sonho, ainda que herdado do avô, do bisavô. Mas é o sonho de uma vida em outro lugar. A vida em um lugar onde é possível, sei lá, comer ou praticar a religião sem ser perseguido. É um sonho de futuro. O europeu não tem essa questão. O sujeito é francês porque nasceu na França. Nunca houve nesse processo uma escolha ou um desejo. Uma das grandes diferenças subjetivas do ponto de vista clínico é que certamente, nas Américas, o individuo é muito mais interrogado pelo seu futuro do que pelo seu passado.

Isso muda o discurso da psicanálise?
Não vai aqui um juízo de valor. Os europeus, por exemplo, são especialistas em maltratar a psicanálise norte-americana, esquecendo-se de que a gente analisa sujeitos diferentes, culturalmente diferentes. E uma das grandes diferenças é que o maior peso para um norte-americano é o do futuro, da realização de suas potencialidades eventuais.

Não ser, por exemplo, um loser.
Justamente. Ele está ali por causa de um sonho, dele ou herdado, tanto faz. O europeu vive muito em função de uma dívida que ele tem com o passado. O europeu está mais preocupado com o que o passado exige dele do que em inventar um futuro.

É a diferença que há entre administrar uma herança e acumular para deixar uma herança.
Exatamente. Outro ponto importante é que a travessia do Atlântico implicou uma decisão de renovação: é a queima dos barcos. Isso nos remete a um dos problemas contemporâneos se pensarmos em países que ainda recebem levas de imigrantes, como os EUA. Quando se pode manter um contato telefônico ou via Skype com a terra natal; quando, depois de seis meses de trabalho, pode-se comprar uma passagem e voltar para casa durante uma semana – e isso nada tem a ver com a imigração do passado, deixa de haver uma transformação: a transformação subjetiva que era exigida àquele que imigrava até havia 30, 40 anos. O problema da integração do imigrante nos EUA é relativamente novo. O imigrante nunca foi um problema para a sociedade americana, que se fez mesmo da diversidade de culturas. Eu não gosto muito do conceito de nação. As minhas figuras de referência são aqueles intelectuais do começo da Contra-Reforma, que eram católicos, mas que, na verdade, tinham simpatia pela Reforma. Erasmo é a minha figura intelectual.

Então Rabelais também?
Ah, mas absolutamente sim. Giordano Bruno, nem tanto: acho que faltava nele um pino. Ou dois [risos]. Bem, sou fiel a essas figuras. É preciso lembrar que viveram numa época em que o conceito de nação não fazia sentido. Eventualmente havia a nação das letras, que eram as pessoas que se falavam pela Europa afora. Assim, eu tenho uma antipatia muito grande por qualquer expressão nacionalista. Em geral, tenho uma certa repulsa por qualquer expressão de fidelidade ao grupo.

Você endossaria a frase do Samuel Johnson de que o patriotismo é o último refúgio do canalha?
Sem nenhuma dúvida. Qualquer tipo de fidelidade que passa na frente do foro íntimo é, para mim, a definição do mal.

É a destruição do indivíduo.
Exatamente. Porque, quando isso acontece, aí tudo é permitido. No fundo, a única coisa que coloca limites ao horror, para mim, é o foro íntimo. Eu digo que é o mal porque é a definição do mal do século 20, que deu no fascismo, no nazismo, no stalinismo, em Pol Pot.

Há uma demonização do indivíduo hoje em dia.
Ah, completamente! E por conta de um equívoco. Para mim, individualismo é uma palavra nobre. Louis Dumont é um dos meus mentores intelectuais. Acho que ele é um colosso da antropologia do século 20. O individualismo não tem nada a ver com o egoísmo, mas com uma sociedade em que o indivíduo é um valor superior à comunidade. Eu sei que você gosta disso porque, outro dia, fez alusão a esse pensamento naquele encontro, e eu disse para mim mesmo: “Ah, pensamos do mesmo jeito”. Pois bem: nós dois compartilhamos da idéia de que a tendência antiindividualista é muito presente na parte menos interessante do Iluminismo francês, especificamente em Rousseau. O conceito da vontade geral é verdadeiramente uma das raízes ideológicas do que aconteceu de pior no século 20.

Outro dia escrevi um texto dizendo que Rousseau é o pai de todos os autoritarismos. O que eu recebi de porrada foi uma coisa fabulosa!
Mas ele é! O conceito de vontade geral é um perigo ideológico. O lado do Iluminismo francês que me interessa é Montesquieu. Mas, depois disso, o que me interessa é Locke, Smith... Não deixa de ser curioso que o Iluminismo anglo-saxão não tenha feito muito escola. É considerado inferior ao francês. E a realidade é que o francês produziu o Terror, Napoleão e volta dos Bourbon, depois Napoleão 3º. E, de fato, antes que a França se tornasse republicana, passou-se um século, enquanto o pensamento inglês do século 17 e 18 produziu uma monarquia com uma Magna Carta, produziu os EUA. Não estou inventando nada. Hannah Arendt foi a primeira a dizer que a verdadeira revolução do século 18 foi a americana, não a francesa.

Eu estava pensando nela enquanto você falava sobre o caráter de um povo. O livro Eichmann em Jerusalém deu a dimensão humana, banal, de um facínora, e, ao contrário da crítica sionista feita à época, alargou a dimensão do mal.
Ah, é um texto crucial, inclusive por causa do conceito de banalidade do mal. A razão pela qual certamente esse livro produziu os efeitos que produziu nem tanto está no fato de ela mostrar que Eichmann era um qualquer, porque era, mas porque mostrava que, no fundo, qualquer um é capaz de entrar num funcionamento em que se transformaria num Eichmann. Essa é a coisa que verdadeiramente bate e dói. Minha tese de doutorado, que está trancada há mais de dez anos, porque eu quero fazer uma revisão – ela está traduzida em inglês por um americano, já até recebi um dinheiro que um dia eles vão me pedir de volta [risos], – é sobre isso. Chama-se A Paixão da Instrumentalidade. Está dividida em duas partes. A primeira é uma leitura sobre o funcionamento dos Einsatzgruppen, que eram grupos de extermínio nazistas formados por pessoas quaisquer. Não eram os SS. Era uma espécie de polícia civil que funcionava como grupo de extermínio, especialmente na Polônia. Faço uma leitura disso a partir de uma série de aportes da psicologia social americana, sobretudo estudos sobre a obediência. E a segunda parte mostra como isso funciona na vida cotidiana das pessoas. Mas o fundo da tese é o seguinte: é relativamente fácil se deixar levar, abdicar do exercício da subjetividade, que é um exercício eminentemente cansativo. Ser um indivíduo é um negócio complicado, pesado. E há uma tendência perigosa de se renunciar à individualidade e de se tornar um instrumento de um funcionamento coletivo.

Existe uma culpa coletiva?
Acho que sim. É possível que sim. Acho que existem culpas coletivas e, provavelmente, nos grupos nacionais, também existam. Porque existem culpas que estão, de alguma forma, inscritas na cultura. É sempre um pouco perigoso dizer isso. Eu não sou culpado pelo fascismo italiano. Até a história da minha família me livra desse peso. Mas, por outro lado, não me sinto assim tão italiano... Não é uma resposta simples. Mas como chegamos aqui?

Falávamos dos dois iluminismos.
Sim, fizemos essa excursão e, depois, eu disse que não tenho nenhuma simpatia pelo conceito de nação em geral, pelo nacionalismo, porque me parece o contrário do discurso moderno. Aliás, o individualismo moderno tem origem no cristianismo. Louis Dumont demonstra isso muito bem.

Porque você faz a escolha, não é escolhido.
Claro, é uma relação de Deus com cada um individualmente, independentemente do grupo ao qual o sujeito pertença, inclusive o grupo familiar. É uma relação de foro íntimo. E porque é uma relação na qual o fato de pertencer a uma raça, nação ou o que seja é indiferente.

Existe um caráter brasileiro?
Eu tenho uma implicância, não com o conjunto da obra, mas com algumas coisas do Roberto DaMatta. Acho que ele tem leituras certas do Carnaval etc. Mas não gosto da complacência indentificatória que consiste em dizer: “Sou brasileiro porque gosto de samba e futebol”. Isso eu acho horrível. Um dos perigos desse tipo de definição é que cria um grande momento de prazer coletivo. “Ah, nós somos brasileiros, malandros, todos à venda, gostamos de jeitinho...”

E, se não podemos convencer pelo argumento, vai pela nossa sedução...
Exatamente. Ou então se diz: “Não gostamos de conflito”. Isso é o que tem de pior na tentativa de obliterar nossa história subjetiva e coletiva por meio de uma visão muito fácil de nós mesmos. Veja a frase “O Brasil não é para principiantes”. Isso supõe que a nossa malandragem nos torna especiais e só interpretáveis por especialistas. Pelo contrário: o Brasil é para amadores e principiantes. Porque pagar e corromper é muito fácil. O difícil é construir uma coletividade em que haja leis, institucionalidade. O difícil é ser moral. Ser imoral é que é para principiantes. A malandragem é uma conduta moral de uma criança de 9 anos. O difícil é crescer. Governar pagando o cara para votar comigo é que é amador. O profissional é construir um discurso que convença, é falar com o outro. É claro que o brasileiro não é só isso. A contraparte do jeitinho é o recurso ao foro íntimo acima da convenção, o que é altamente moral.

Vê algum traço particular de nossa formação histórica refletido no nosso caráter?
Isso sempre é tão difícil! Há uma coisa que pode ganhar uma leitura até ufanista, mas que pode ser um problema. O Brasil, por não ter conquistado a independência na ponta da faca, manteve uma espécie de – vou usar uma expressão que meus colegas vão achar completamente ridícula – "complexo de inferioridade" permanente em relação às metrópoles culturais, o que eu acho injustificado e nocivo.

Não há quem ignore a essência do mensalão, para usar uma palavra que reúne toda a bandalheira. Não obstante, as pesquisas indicam, hoje ao menos, que Lula se reelege. Em que medida, como povo, estaríamos aceitando isso tudo e dizendo: “Essas coisas são permitidas”?
A permanência da confiança na pessoa do Lula certamente tem muitas outras explicações possíveis, inclusive a sedução exercida pela idéia de que uma pessoa de origem humilde pudesse chegar no poder. Coisa que, nos EUA, é banal...

... no Brasil, é banal. Basta ver a origem de Deodoro da Fonseca ou de Floriano Peixoto...
Ah, sim, foi na República Velha, que é, diga-se de passagem, acho eu, o grande momento brasileiro. O grupo que chegou [o PT] ao poder achou, – coisa que, na história dos partidos de esquerda, é bastante comum, – que ia governar no interesse do partido, não no interesse da coletividade nacional. Ou seja, confundiu o partido com o “Bem”. Como eu disse antes que acho que a coletividade é a raiz do mal, você sabe o que acho disso. Por que nos indignamos pouco? Porque a história brasileira fornece pouquíssimos exemplos de um governo que tivesse verdadeiramente um interesse pela coisa pública, exceção feita a figuras da República Velha, algumas um pouco exaltadas, como Floriano, que cortava algumas cabeças aqui e ali [risos].

Lima Barreto que o diga... [risos]
Mas, independentemente disso, havia figuras que perseguiam o que eles imaginavam que fosse o interesse republicano. Infelizmente, uma República um pouquinho deificada. Isso comprova o que a gente dizia: a influência do Iluminismo francês – e, claro, do Positivismo. Não era uma República como essa entidade mal definida que resulta do funcionamento entre indivíduos, que é o ponto de vista escocês e inglês. Mas, ao menos, houve momentos em que a noção de interesse público era clara. O Brasil teve pouquíssimos exemplos, desde essa época, de um governo pelo bem republicano. A idéia de uma coisa pública é, de fato, bastante ausente na vida cotidiana da gente aqui. Veja uma coisa espantosa. O cara é dono de um café, um bar, que tem determinadas cores. Então ele se dá o direito de pintar um pedaço da calçada com as cores do seu empreendimento. As ruas viram uma porcaria. A idéia da coisa pública não é forte e espontânea entre nós. Acho que isso faz com que um grupo que governou apenas no interesse do partido, fundamentado na própria reeleição, constitua um escândalo mitigado.

Você falava da República Velha, eu estava aqui pensando que é esse o período mais satanizado pelo marxismo brasileiro, que, curiosamente, vê com bons olhos um presidente parafascista como Getúlio – ao menos entre 1937 e 1945. E se glamuriza a República Nova, a partir de 1930, que é marcada pelo putschismo. Que estranha sabedoria é essa que valoriza o intervencionismo de grupos que tomam o poder de assalto, que impõem a sua agenda, que sufocam a oposição?
O rito histórico da modernização do Brasil fez com que o marxismo brasileiro, naquela época, apostasse numa aceleração, ainda que passando por um processo parafascista. Essa é uma armadilha na qual muita gente caiu, inclusive na Alemanha e na Itália. Mussolini se dizia um socialista antes de inventar o fascismo. Ele se considerava, sem dúvida, a expressão das classes populares.

Há um fenômeno hoje no mundo que é o terrorismo. Ele é a forma virulenta de uma frustração?
Em particular, o terrorismo suicida é sempre a expressão de uma contradição interna – além, claro, de uma contradição externa. Mas isso é até banal. Porque o suicida, além de matar inocentes, se anula, se suprime. Essa decisão de se suprimir é uma maneira de eliminar uma contradição insuportável. Ao se abolir, um terrorista suicida busca abolir uma contradição entre os valores pelos quais eventualmente ele luta e a presença nele próprio dos valores contra os quais luta. Os terroristas de hoje são seres profundamente divididos entre a sedução da cultura ocidental e aquela pela qual morrem. A sedução ocidental não é apenas a do McDonald’s, do I-pod, mas também a de uma cultura que está disposta a reconhecer como sujeito qualquer um. O lado suicida do terrorismo atual é a chave para entender o que está acontecendo. E o que está acontecendo é a progressiva conquista do mundo islâmico pela cultura ocidental.

Seria uma resistência a uma ocidentalização do Islã?
Acho que sim. Os suicidas provam o sucesso dessa ocidentalização. Desse ponto de vista, eu sou bastante otimista. Otimista e com uma certa tendência ao laissez-faire, ou seja, à idéia de que nenhuma intervenção militar terá, como a do Iraque, a longo prazo, o mesmo poder de fogo da expansão natural de uma cultura universalista, ou seja, da cultura ocidental. E esse seu poder é inédito na história: a gente esquece, mas, por exemplo, na cultura romana ou grega, o conceito de “humanidade” não existe. Há os gregos, os bárbaros, os romanos, os não-romanos, mas “humanidade” é uma invenção cristã.

A cultura ocidental não abre mão de seus valores muito facilmente?
Ah, bom, há uma coisa que me apavora um pouco. Ela vive como culpada: culpada de estar desrespeitando a especificidade do outro, de estar invadindo, transformando a realidade cultural do outro. Claro, pensa-se nos momentos em que ela foi colonizadora, violentamente expansionista etc. Por ser universalista, ela tem a tendência de esquecer que é uma cultura, não o “grau zero” da cultura. E por que isso é um problema? Porque, quando há uma luta, a gente pode e deve, sem dúvida, considerar quais são as razões que fazem com que outro tente nos matar e tal. Mas há momentos em que é preciso saber de que lado a gente está. É preciso saber quais são os valores que importam para você. E nós, pela própria característica da cultura ocidental, temos uma grande dificuldade de fazer isso."

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